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Em meio a uma tensão institucional envolvendo o filho do presidente Lula (PT), o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que a atuação "técnica, imparcial e livre de qualquer viés político" permite defender a instituição "de qualquer ataque, não importa de onde venha".
A fala ocorreu como parte da formatura de 683 novos integrantes da corporação nesta sexta-feira (28), evento que contou com a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que a PF envie os documentos brutos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos. Além disso, determinou que mudanças na equipe responsável pelas investigações sejam comunicadas previamente ao seu gabinete.
A operação descobriu uma relação de proximidade entre o principal nome do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, o "careca do INSS", e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Desde então, Lula tem enfrentado questionamentos, mas diz que não irá interferir nas investigações.
"Hoje temos uma polícia que atua com autonomia, guiada pela Constituição e pelas leis, pela responsabilidade institucional e compromisso com a justiça e a sociedade. Tenho total tranquilidade em afirmar, sem rodeios, que nesta gestão trabalhamos com transparência e foco na missão institucional, sem proteger ou perseguir, com atuação vigorosa e intransigente no combate ao crime organizado", afirmou o diretor-geral.
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Superintendentes regionais saíram em defesa de Andrei
No dia 6 de agosto, os 27 superintendentes regionais da PF divulgaram uma nota conjunta com termos semelhantes. Nela, afirmavam que a atuação da corporação "não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei".
A nota também pedia respeito à independência das investigações e à "autonomia administrativa necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades institucionais". Com isso, reafirmaram a confiança em Andrei.
"Nesse contexto, os 27 Superintendentes Regionais da Polícia Federal vêm a público reafirmar sua confiança na Direção da Polícia Federal e seu compromisso com a defesa da Constituição, da democracia, da legalidade e do interesse público, bem como com a preservação de uma Polícia Federal forte, técnica, independente e fiel à sua missão institucional", conclui o texto.
Mudança na coordenação das investigações
Os desconfortos ocorrem desde fevereiro de 2026, quando Mendonça assumiu a relatoria, substituindo Dias Toffoli. O ministro determinou que as informações do inquérito transitassem apenas entre os policiais designados para a operação.
Três meses depois, Andrei Rodrigues transferiu a coordenação da Operação Sem Desconto da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários (DPrev), vinculada à Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Fazendários (CGFAZ), para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), parte da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC). Ambas estão no mesmo nível e pertencem à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor), chefiada pelo delegado Dennis Cali.
De acordo com a chefe de Gabinete de Andrei, delegada Bianca Murad, em um esclarecimento ao deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), o movimento foi apenas parte de "alterações administrativas rotineiras" e não culminou no afastamento de nenhum dos delegados que compõem a equipe do caso.




