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Eleições 2026

Celina vence Grass e mantém grupo político no comando do DF

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Além do Distrito Federal, eleitores de cinco estados votaram para governador no segundo turno, realizado neste domingo (25) (Foto: Infografia/Gazeta do Povo)

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A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita neste domingo (25) para mais quatro anos à frente do governo do Distrito Federal. Com 57,22% dos votos válidos, ela derrotou Leandro Grass (PT), que recebeu 42,78% dos votos. O resultado de segundo turno nas eleições 2026 confirma a continuidade do grupo político que chegou ao Palácio do Buriti com Ibaneis Rocha (MDB) e mantém a direita no comando do DF, desde 2019.

O resultado de segundo turno ao governo do Distrito Federal foi confirmado após uma disputa marcada pela polarização entre direita e esquerda, em paralelo à corrida presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Depois de terminar o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos, faltando menos de 200 votos para ter maioria já na primeira rodada, a governadora contou com reforço na campanha de nomes como o da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) e de outros nomes da direita local.

A aliança com o PL, inclusive, motivou que a campanha de Celina reforçasse junto ao eleitorado o número da sua candidatura, o 11 do PP. No primeiro turno, mais de 26 mil eleitores digitaram o número 22, do PL, para governador, e tiveram os votos anulados.

Na ocasião, Celina atribuiu parte da confusão à presença frequente dela ao lado de Michelle e Bia Kicis durante a campanha. "É mudar um pouco essa estratégia, contar que a gente é 11, o nosso candidato a presidente é 22. E massificar isso, principalmente nas zonas rurais”, disse então Celina. 

A atual governadora chegou ao segundo turno apoiada por uma ampla aliança partidária, que reuniu PP, Republicanos, MDB, Podemos, PL e outras siglas. Na disputa presidencial, ela declarou apoio a Flávio Bolsonaro e defendeu que o alinhamento entre os governos federal e distrital poderia facilitar a articulação política em Brasília. 

Crise do BRB e herança de Ibaneis desafiam novo mandato 

Apesar da vitória nas urnas, a reeleição de Celina Leão não elimina um dos principais pontos de desgaste: a crise sobre o Banco de Brasília (BRB) e as operações envolvendo o Banco Master. Celina assumiu o Executivo local neste ano, após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, e procurou durante a disputa preservar sua candidatura dos efeitos políticos da gestão anterior. 

O episódio envolve a compra de títulos do Banco Master pelo BRB e a tentativa de aquisição da instituição financeira de Daniel Vorcaro. Durante a campanha, Celina evitou apresentar uma solução definitiva para a crise, adiando a discussão para depois das eleições e atribuindo ao governo federal parte da responsabilidade pelo encaminhamento do problema. Ainda durante a disputa, ela também descartou publicamente a possibilidade de privatização do banco. 

"O BRB está firme, tem mantido a liquidez e as pessoas que acreditam no BRB sabem que nós vamos tirar o banco dessa situação. Nós temos outras saídas também, mas não tem isso. Completamente descartado", disse a governadora em 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno. 

Outro movimento feito pela governadora durante a campanha foi o distanciamento de Ibaneis. O ex-governador deixou o cargo com a intenção de disputar uma vaga no Senado, mas desistiu da candidatura em meio ao avanço das investigações sobre a tentativa de compra do Master pelo BRB.  

O recuo ocorreu após pressão de Celina sobre integrantes do MDB do Distrito Federal. Ao evitar a associação direta com o antecessor, a governadora procurou reduzir o risco de que o desgaste da gestão anterior comprometesse sua candidatura. 

Derrotado, Grass não consegue transformar oposição em vitória 

Do outro lado, Leandro Grass terminou o segundo turno derrotado após tentar ampliar sua base eleitoral para além da esquerda e transformar as críticas à administração do Distrito Federal em uma alternativa de governo. O petista havia recebido 569.930 votos, ou 34,47% dos válidos, no primeiro turno, e precisava reduzir a distância para Celina, que começou a etapa final com 255.600 votos de vantagem. 

A campanha de Grass concentrou críticas à gestão local, especialmente nas áreas de saúde e educação, e defendeu mais transparência na administração pública. O candidato também procurou reunir forças de oposição e atrair eleitores que haviam escolhido outros nomes no primeiro turno. 

Entre os interlocutores estavam Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB) e apoiadores do ex-governador José Roberto Arruda. Parte das articulações, no entanto, teve desfechos diferentes.  

Kiko declarou apoio a Celina, enquanto Paula Belmonte não anunciou apoio formal a nenhum dos dois candidatos. O PSB, por sua vez, declarou apoio a Grass no segundo turno. A campanha petista também tentou alcançar eleitores que não compareceram às urnas na primeira etapa. 

O desafio do candidato era transformar essas conversas em votos suficientes para superar a vantagem da governadora. A derrota mantém o PT fora do comando do Executivo distrital e deixa Grass diante da tarefa de definir seu papel na oposição ao próximo governo.  

Professor e gestor cultural, ex-deputado distrital e ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ele disputou pela segunda vez o governo do DF, depois de terminar na segunda colocação em 2022. A última vez que o partido de Lula comandou a capital do país foi entre 2011 e 2014, com o governo Agnelo Queiroz. 

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