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Na tentativa de ampliar a força da direita no Senado a partir de 2027, Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, reuniu nesta terça-feira (11), em Brasília, pré-candidatos ao Legislativo apoiados por sua campanha. O encontro teve como foco o alinhamento do discurso contra o Supremo Tribunal Federal (STF), com a definição de mensagens que deverão ser reproduzidas nas campanhas estaduais, incluindo a defesa do impeachment de ministros da Corte.
A reunião ocorreu no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou uma operação de busca e apreensão contra uma fonte de um jornalista no Maranhão. O caso envolve reportagens sobre o suposto uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) pela família do ministro Flávio Dino, também integrante do Supremo.
Durante uma conversa com jornalistas, Flávio criticou a decisão e afirmou que a medida ameaça o sigilo da fonte e a liberdade de imprensa. “O que está em jogo no país, além de tudo, é a própria liberdade, a própria liberdade de imprensa”, afirmou.
A crítica à atuação do STF faz parte de uma estratégia mais ampla da campanha para associar a eleição presidencial à formação de uma bancada de direita no Senado. Flávio tem defendido que os candidatos apoiados por ele levem aos estados pautas nacionais do grupo e atuem em conjunto na defesa de mudanças na relação entre o Congresso e o Supremo.
Durante o encontro, o senador também reforçou a importância da composição da Corte para o próximo governo. “O próximo presidente indica quatro ministros do STF, e eu vou colocar lá homens e mulheres que respeitam a Constituição”, afirmou.
Segundo integrantes do PL, a campanha pretende, assim, transformar a disputa pelas cadeiras do Senado em uma frente complementar à corrida pelo Palácio do Planalto. O encontro serviu justamente para alinhar esse discurso entre Flávio e os candidatos da direita ao Senado, que deverão reproduzir nos estados as principais bandeiras nacionais da campanha.
Ao longo do dia, o presidenciável gravou vídeos e peças eleitorais com os aliados, que deverão seguir uma “linha geral” de mensagens nacionais, adaptada às particularidades de cada estado. Entre os candidatos que participaram da agenda estavam Bia Kicis (PL-DF), Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Guilherme Derrite (PP-SP).
Na semana passada, Flávio havia anunciado apoio a 47 candidatos ao Senado nos 26 estados e no Distrito Federal, reunindo nomes do PL e de partidos como PP, Republicanos, Podemos, União Brasil, PSD, PSDB e Novo.
Ao reforçar a cobrança sobre os candidatos, Flávio deixou explícito que a posição em relação ao Supremo será tratada como um compromisso eleitoral. “Como a gente tá aqui com os candidatos ao Senado, vocês são a favor de impeachment do Alexandre de Moraes?”, perguntou aos aliados, que responderam afirmativamente.
“Eles vão ser cobrados nas eleições por isso. Não adianta querer dar canetada, ameaçar, inventar operações contra nossos pré-candidatos, como fizeram para tentar diminuir a quantidade de senadores”, completou.
Maioria no Senado é prioridade da direita para ampliar pressão sobre o STF
A aposta da direita em uma bancada numerosa no Senado antecede a própria candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto. O grupo político de Jair Bolsonaro já tratava a eleição para a Casa como prioridade, diante das atribuições dos senadores na análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo e na aprovação de indicações para a Corte. Neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa.
A estratégia ganhou ainda mais peso diante da intenção do PL de disputar a presidência do Senado a partir de 2027. O presidente da Casa tem papel decisivo no encaminhamento inicial de pedidos de impeachment contra ministros do STF. Caso um processo avance até o julgamento, são necessários 54 votos — dois terços dos senadores — para determinar a perda do cargo.
Para Flávio, a formação dessa bancada também será necessária para aprovar as mudanças que pretende implementar caso seja eleito. Durante o encontro com os candidatos, o senador associou diretamente a renovação do Senado às pautas defendidas pela direita.
“Não tenho dúvida de que o Senado, a partir de 2027 com a renovação de dois terços, vai ser ainda mais a centro-direita”, afirmou.
O presidenciável citou como exemplo medidas de endurecimento da legislação penal e de combate às organizações criminosas. “Vamos reduzir a maioridade penal e alterar a legislação penal para classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas”, disse.
A estratégia de levar o tema para as campanhas ao Senado ocorre em um cenário de apoio relevante à ideia de eleger parlamentares favoráveis ao impeachment de ministros do STF. Em março, uma pesquisa da Genial/Quaest mostrou que 66% dos brasileiros consideravam importante votar em candidatos ao Senado comprometidos com a análise de pedidos de afastamento de ministros da Corte, enquanto 22% discordavam.
O apoio era ainda maior entre os eleitores que se identificavam com a direita, mas ultrapassava também os limites desse grupo. Segundo o levantamento, 54% dos lulistas e 52% dos eleitores de esquerda não lulistas consideravam importante votar em senadores favoráveis à análise de pedidos de impeachment. A pesquisa também mostrou que 72% dos entrevistados avaliavam que o STF tinha “poder demais”.
O levantamento Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 6 e 9 de março de 2026. A margem de erro é de aproximadamente dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-05809/2026.
Rede de aliados amplia alcance de Flávio para além do PL
Além de fortalecer a bancada no Congresso, os candidatos ao Senado terão uma função eleitoral direta para a campanha presidencial. A ideia é aproveitar a presença e as estruturas políticas desses aliados nos estados para ampliar a exposição de Flávio, organizar mobilizações e facilitar a realização de agendas durante os pouco mais de 40 dias de campanha.
“A nossa expectativa é termos um partido organizado em todas as unidades da Federação, porque mesmo naqueles estados que ainda não temos palanques para governo do estado, temos candidaturas majoritárias ao Senado”, defendeu o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.
A estratégia também permite a Flávio construir uma rede de apoio eleitoral mais ampla do que a aliança partidária formal em torno de sua candidatura. Dos 47 candidatos ao Senado apoiados pelo presidenciável, 33 são do próprio PL e os demais pertencem a partidos como PP, Republicanos, Podemos, União Brasil, PSD, PSDB e Novo.
“O PL sai com 33 candidatos próprios ao Senado e chegaremos, no total, com 47 candidatos em todo o Brasil. O tamanho, a importância e a legitimidade desse grupo político são inquestionáveis”, completou Marinho.
A presença de nomes fora do PL ganha importância principalmente nos estados em que as legendas do Centrão decidiram não apoiar Flávio formalmente na disputa presidencial. A campanha tenta, nesses casos, aproveitar alianças construídas localmente para ampliar a presença do presidenciável, organizar agendas e produzir conteúdos conjuntos, sem depender de uma coligação nacional.
Um exemplo é São Paulo, onde Flávio apoia Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) na disputa pelo Senado, embora a federação formada por PP e União Brasil tenha decidido manter neutralidade na eleição presidencial. Derrite, individualmente, declarou apoio a Flávio e participa da articulação entre as campanhas estadual e nacional.
“Em São Paulo não tem neutralidade nenhuma. Nós estamos com Flávio Bolsonaro e eu tenho deixado muito explícito isso. São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, não vai ter neutralidade", disse Derrite.




