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Decreto de Lula

Governo Lula recorre ao STF para validar reajuste do Bolsa Família antes da eleição

Governo Lula recorre ao STF para validar reajuste do Bolsa Família antes da eleição
Governo afirma que medida apenas recompõe a inflação e não cria novos benefícios; reajuste do Bolsa Família é questionado no TSE. (Foto: José Cruz/Agência Brasil..)

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A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu nesta sexta-feira (18) que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheça a legalidade do decreto que aumentou o valor do Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno das eleições. A manifestação foi protocolada em uma ação movida pela Defensoria Pública da União (DPU), relatada pelo ministro Gilmar Mendes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o reajuste de 15,04% no programa nesta quinta (17). Com isso, o piso subirá de R$ 600 para R$ 691. Já o valor médio, que considera a soma dos demais benefícios incluídos no programa, aumentará de R$ 675 para R$ 777.

Na petição enviada a Gilmar, o advogado-geral da União, Jorge Messias, pede que a Corte declare que o decreto não viola a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). A manifestação enfatiza que o decreto de Lula não cria benefícios inéditos, não altera critérios de elegibilidade nem amplia o público atendido.

Segundo a AGU, o próprio plenário do STF já havia firmado o entendimento de que a mera recomposição inflacionária em programas sociais, autorizados em lei e em execução orçamentária anterior, não constitui abuso eleitoral ou benefício extraordinário.

A medida é alvo de questionamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato à Presidência Renan dos Santos (Missão) pediu a suspensão do decreto do governo até a posse dos candidatos eleitos no pleito deste ano. O caso é relatado pelo ministro André Mendonça no TSE.

Em abril de 2020, a DPU impetrou a ação no STF em favor de uma pessoa em situação de rua, alegando omissão estatal na implementação da Lei da Renda Básica de Cidadania (Lei nº 10.835/2004).

No julgamento de mérito realizado em abril de 2021, o plenário do STF determinou a implementação da renda básica para os estratos vulneráveis da população e fez um apelo aos Poderes Executivo e Legislativo para a atualização dos programas de transferência de renda.

Em resposta, o Executivo editou a legislação que resultou na Lei nº 14.601/2023, recriando o Bolsa Família e fixando uma regra de atualização periódica em intervalos de, no máximo, 24 meses. A medida foi validada pelo STF em junho de 2024 como cumprimento efetivo da ordem judicial. 

Nesta quarta (16), ao constatar o esgotamento do prazo de dois anos sem nova correção, a DPU acionou novamente a Corte solicitando que a União informasse providências sobre o reajuste ou avaliasse a abertura de negociação.

Um dia depois, o governo publicou o decreto com o reajuste no Bolsa Família. Ao anunciar a medida, o próprio governo afirmou se tratar da “primeira atualização pela inflação realizada desde a retomada do programa, em 2023”.

Messias pediu ao relator que reconheça o cumprimento integral das determinações de atualização do programa social e homologue a adequação promovida pelo decreto presidencial.

A AGU também concordou com a sugestão da DPU para a criação de uma mesa de diálogo voltada ao acompanhamento contínuo da política pública de combate à pobreza e ao debate sobre aprimoramentos sociais.

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