
Ouça este conteúdo
O PL de Minas Gerais tem a expectativa de fazer a maior bancada de deputados federais do estado na sua história. O estado possui 53 vagas na Câmara e o partido prevê a conquista de 18 a 20 delas. Este otimismo tem nome: Nikolas Ferreira, que concorre à reeleição e espera que sua votação de 1,47 milhão de votos em 2022 seja ainda maior em 2026.
Considerado o político mais influente do Brasil nas redes sociais segundo levantamento de dados da plataforma Zeeng, Nikolas Ferreira supera em engajamento e seguidores inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deputado trabalha para ampliar a votação, com expectativa de atingir 2 milhões de votos, mantendo o status de deputado federal mais votado do Brasil.
Para o parlamentar, aumentar uma votação que já foi tão expressiva significa ter mais influência e “blindagem” contra uma postura mais agressiva dos adversários. “A quantidade de votos que eu tive me permite sobreviver. Porque eu sei que tem gente que está doida para eu poder, talvez, ter menos votos e 'cortar minha cabeça'. Você acha que o Alexandre de Moraes, que os ministros do STF, que o próprio Lula deseja o quê?”, afirmou o deputado, na última segunda-feira (3), em um evento promovido por Pablo Almeida, colega de partido de Nikolas e pré-candidato a deputado estadual pelo PL.
Uma votação em Nikolas que volte a bater recorde pode ter o efeito colateral que o partido consiga por volta de 10 cadeiras, metade da pretensão do PL em Minas. Ciente do seu tamanho, o deputado de 30 anos influenciou diretamente na montagem da chapa, para evitar que o partido elegesse uma quantidade expressiva de "deputados fisiológicos".
Durante a janela partidária, houve muita repercussão a respeito do veto ao nome do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que transferiu domicílio eleitoral para Minas Gerais, na expectativa de retornar ao Congresso. Cunha procurou o PL, mas teve a recusa de sua filiação atribuída a Nikolas, e acabou indo para o Republicanos.
Nikolas Ferreira descarta mudar de partido
Os boatos de que Nikolas estaria preparando uma mudança de partido após as eleições voltaram a circular nas últimas semanas. A notícia de que ele teria conversas com o Novo não é nova. Ainda no primeiro semestre, com as discordâncias sobre os filiados que estavam chegando no PL, essa possibilidade foi ventilada.
No evento da última segunda-feira, de forma categórica, Nikolas negou à reportagem da Gazeta do Povo que tenha qualquer intenção de trocar de partido: “É interessante que hoje é muito fácil mentir, né? Porque basta falar alguma coisa sobre a gente e eu tenho que ficar toda hora me limpando, falando que não é verdade. (...) Eu nunca conversei com o Novo a respeito de troca de partido. Eu era do PRTB porque o PRTB me deu a legenda pra eu concorrer a vereador. Vim para o PL imediatamente assim que o Jair Bolsonaro foi para o PL. Me mantive no PL, estou no PL, não tenho intenção alguma de sair do PL”.
O deputado ainda complementou que os esforços estão concentrados em ter um palanque em Minas para Flávio Bolsonaro. “Nós vamos lançar nove candidatos estaduais em Minas Gerais para poder fazer campanha tanto para o nosso candidato a presidente da República Flávio quanto para o nosso senador Domingos Sávio, para as nossas candidaturas também. Minas Gerais teve uma diferença de apenas 50 mil votos nas eleições de Lula para Bolsonaro”.
Busca pelo voto ideológico no sistema proporcional
O sistema proporcional brasileiro guarda uma matemática que para muitos eleitores ainda soa misteriosa: o quociente eleitoral. Longe de ser um mero detalhe técnico, esse mecanismo define que uma vaga na Câmara não pertence apenas ao candidato individualmente, e sim ao partido ou federação.
Na prática, quando um candidato recebe uma votação avassaladora, seus votos "excedentes" — aqueles que ultrapassam o necessário para sua própria eleição, o quociente individual — caem em um "balaio comum" que ajuda a puxar colegas de chapa com votações expressivamente menores.
Um caso emblemático ocorrido em 2010 foi o de Tiririca, que na época obteve 1,3 milhões de votos, concorrendo por São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e acabou levando com ele outros três deputados com votações menos expressivas.
Nikolas é o maior expoente da lógica dos puxadores de votos, tendo transformado o poder de engajamento de suas redes sociais em voto, com fidelidade aos princípios conservadores e críticas contundentes ao governo Lula. Candidatos com perfil mais ideológico têm a expectativa de vencer as eleições na esteira do sucesso de Nikolas.
A presidente do PL Mulher no estado de Minas e vereadora do município de Uberaba, Ellen Miziara, espera ter espaço na bancada de deputados federais. Ellen é a segunda suplente do PL mineiro na Câmara. Ela reforça que a votação de Nikolas foi determinante para que o partido conseguisse eleger os 11 deputados de Minas. Porém, ela conta que a bancada poderia ter chegado a 13 cadeiras, caso os candidatos tivessem atingido o quociente de desempenho individual, que é a votação mínima que cada candidato precisa atingir para ser beneficiado pela regra do quociente eleitoral.
“Uma grande liderança como o Nikolas fortalece o partido, amplia a votação da legenda e ajuda a abrir mais cadeiras. Ao mesmo tempo, há o desafio de que os demais candidatos também atinjam o percentual mínimo exigido pela legislação eleitoral. Em 2026, esse número deve ficar em torno de 42 mil votos, considerando a regra dos 20% do quociente eleitoral”, estima Ellen.
Ela pondera sobre a importância de pulverizar os votos, pensando justamente em aumentar o número de cadeiras na capital federal. “Faço uma reflexão: melhor do que termos apenas um Nikolas em Brasília é termos 18, 20 ou até mais deputados federais defendendo os mesmos princípios, os mesmos valores e as mesmas bandeiras. Uma bancada forte tem muito mais capacidade de influenciar as votações, defender as pautas conservadoras e trazer resultados para Minas Gerais. É esse o objetivo do partido”, comenta.
Apoios de Nikolas "vale ouro" na eleição de 2026
Como cabeça da chapa de federais e com a dimensão do poder de influência que tem, o apoio de Nikolas "vale ouro". O candidato afirmou que lançará nove candidatos a deputado no estado. Essa é uma forma de usar a força de Nikolas para influenciar também a bancada na Assembleia Legislativa mineira.
A assessoria do candidato não confirma os nomes, mas especula-se que, além de Pablo Almeida, estejam os nomes de vereadores de outras cidades de Minas como Ugleno Alves de Teófilo Otoni; Roberta Lopes de Juiz de Fora; Ivson Gomes de Sete Lagoas; Rafhael de Paulo de Unaí e Anderson Lima de Uberlândia. Todos estes candidatos possuem em suas redes muitos conteúdos publicados juntamente com o deputado federal.

Outra estratégia de reforço aos apoios usando a força das redes sociais está no “intercâmbio” de candidatos. No evento da semana passada estiveram presentes Guilherme Derrite, Lucas Pavanatto e Pedro Pôncio (ex-MST), todos pré-candidatos em São Paulo. O discurso dos convidados tanto validava a pré-candidatura do nome indicado por Nikolas na capital mineira quanto a das suas próprias candidaturas.
Cumprindo as cotas femininas, a chapa de deputados federais do PL em Minas tem 17 mulheres, e nomes considerados bastante competitivos, como o de Greyce Elias, do Alto Paranaíba; Rosângela Reis, do Vale do Aço; e Delegada Ione, da Zona da Mata.
“Tenho convicção de que essa será a maior bancada feminina da história do PL em Minas. (...) Mas faço questão de destacar que não buscamos eleger mulheres apenas por serem mulheres. Queremos eleger mulheres preparadas, combativas e comprometidas com os princípios e valores que defendemos: a família, a liberdade, a segurança pública, o agronegócio, o respeito à Constituição e o fortalecimento dos municípios”, diz a presidente do PL Mulher em Minas.








