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O plano petista de colocar o presidente Lula ao lado de um aliado de peso no palanque de Minas Gerais — estado que é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro — naufragou e o PT lançou o nome de um antigo militante ao governo mineiro. O ex-ministro e deputado federal Patrus Ananias (PT), 74 anos, é considerado por interlocutores da esquerda como o “plano D” do partido em Minas.
A prioridade do PT era um acordo com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que desistiu de concorrer ao Executivo mineiro após o desgaste entre ele e o governo Lula. A crise foi aberta pelo veto do Senado ao nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, que foi indicado por Lula para ocupar uma cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Petistas consideram que Pacheco — nome preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para o cargo — teve participação na articulação que provocou a derrota histórica do governo federal no Congresso. A aliança do ex-presidente do Senado era articulada por Lula e levou Pacheco a procurar uma nova sigla, depois que o então vice-governador mineiro, Mateus Simões, trocou o Novo pelo PSD para disputar a sucessão.
Com a saída de Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo, Simões assumiu o comando do estado e terá o apoio do aliado na tentativa de dar continuidade ao atual governo. Neste contexto, o movimento de Pacheco, que desembarcou em uma sigla de centro-esquerda — o PSB é o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin — foi visto como indicativo de estreitamento das articulações entre Lula e Pacheco.
No entanto, a proximidade entre Pacheco e Alcolumbre acabou pesando contra o projeto. Segundo apuração da Gazeta do Povo, o PT mineiro defendeu a aliança e o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, tentou restabelecer o diálogo com Pacheco, mas o senador declinou o convite petista.
PT tem dificuldade em articulação com outros partidos em Minas Gerais
Nas eleições de 2022, o PT apoiou a candidatura ao governo do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que disputou o pleito pelo PSD e acabou derrotado por Zema. Neste ano, Kalil voltará a ser candidato ao Palácio da Liberdade, sede do Executivo mineiro, agora pelo PDT, partido de centro-esquerda e da base do governo Lula.
No entanto, as siglas não intensificaram as negociações para formalizar uma aliança para a disputa ao governo de Minas. Segundo apuração da Gazeta do Povo, a pré-campanha de Kalil prefere manter distância de Lula no primeiro turno para não atrelar a imagem do candidato ao petista durante a campanha.
A possibilidade de uma aliança com o MDB também não decolou. O partido terá Gabriel Azevedo (MDB-MG) como candidato ao governo e não estava disposto a colocá-lo como vice em uma chapa petista.
O PT não tem renovação de quadros em Minas. Patrus Ananias é um nome antigo e voltou pela dificuldade que o partido tem de encontrar um nome competitivo.
Adriano Cerqueira, cientista político do Ibmec Belo Horizonte
Na avaliação de Adriano Cerqueira, cientista político do Ibmec Belo Horizonte, o histórico petista na gestão do ex-governador Fernando Pimentel provoca a rejeição do eleitorado mineiro e afasta as siglas das articulações políticas. Pimentel foi eleito em 2014 e não conseguiu a reeleição quatro anos depois.
“O PT não se recuperou e não tem renovação de quadros em Minas. O Patrus Ananias é um nome antigo e voltou pela dificuldade que o partido tem de encontrar um nome mais competitivo”, aponta.
Ananias lembra da implantação do Bolsa Família como ministro de Lula
Com dificuldades nas articulações, o PT apostou em uma solução caseira. No estado, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos é considerada o nome mais conhecido pelo PT mineiro. Ela também recusou a proposta do partido e manteve a candidatura ao Senado.
Assim, o PT escolheu Patrus Ananias para disputar o governo e, mais do que isso, ser a linha de apoio de Lula no palanque em Minas Gerais. No anúncio oficial, o ex-prefeito de Belo Horizonte lembrou do período em que esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento Social nos governos Lula. A pasta foi responsável pelo programa "Fome zero" e pela implantação do "Bolsa Família", o último programa social durante a gestão de Ananias.
“Erradicamos a fome e a desnutrição em Belo Horizonte com restaurantes populares e implantamos o Orçamento Participativo. As pessoas decidindo conosco, nas comunidades e nos bairros, onde e como aplicar o dinheiro público. Pelo trabalho realizado em Minas, o presidente Lula nos convocou”, lembra Ananias, que ainda foi ministro do Desenvolvimento Agrário no governo Dilma Rousseff.
A força do partido no interior de Minas é outro ponto que deve ser trabalhado pela campanha do escolhido pelo PT. Durante o anúncio, Ananias recorda que começou a militância política no norte de Minas Gerais, motivada pela “formação cristã e compromisso com os pobres”.









