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Eleições 2026

Nunes Marques nega censura a “Exército do Lula”, mas diz que mudar regras “pode se tornar necessário”

Kássio Nunes Marques
Presidente do TSE, no entanto, diz que mudar regras para funcionamento do canal "pode se tornar necessário" às vésperas do segundo turno. (Foto: reprodução/Youtube TSE)

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, nega que tenha tentado censurar o canal criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), no WhatsApp, para mobilizar eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, o ministro afirma que mudar as regras de funcionamento do espaço “pode ser necessário” para beneficiar o processo eleitoral.

As afirmações ocorrem dias depois do TSE reconhecer que ministros discutiram a possibilidade de proibir o funcionamento de canais de cunho político com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação do segundo turno, no próximo domingo (25). Nunes Marques inicialmente afirmou ser contrário à proibição, enquanto que o vice-presidente da Corte eleitoral, André Mendonça, disse que o assunto havia sido discutido em colegiado e por consenso dos demais ministros.

“Em condições normais, concordo que o ideal é não mudar as regras. Mas, quando se trata de tecnologia, não podemos afirmar que a regulamentação existente é suficiente para tudo”, disse Nunes Marques em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta sexta-feira (23).

Caso a mudança seja efetivamente aplicada, e nos termos discutidos que foram tornados públicos à imprensa, o canal “Exército do Lula” pode sair do ar à noite por reunir quase 9 milhões de participantes. O mesmo também pode ocorrer com o espaço gerido pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que comanda a “Tropa do Flávio” com mais de 2 milhões de seguidores.

“Não disse que essa norma não seria aprovada. Disse que não iria mais capitanear a iniciativa. Isso não quer dizer que qualquer colega da Corte não possa fazer uma proposta. Não estou tolhendo a liberdade de nenhum ministro. O que eu disse é que a iniciativa não partirá da presidência do TSE”, ressaltou o presidente da Corte eleitoral.

O foco maior do TSE, no entanto, está sobre o de Janones que também é alvo de outro pedido de pente-fino à Meta, ao Google e ao X por supostamente incentivar a manipulação de buscas com termos negativos à campanha de Flávio Bolsonaro. Janones considera as decisões como uma perseguição ao seu canal.

“A única maneira da gente impedir a queda do canal é denunciando muito, fazendo nosso grito de indignação chegar aos 4 cantos do país de maneira frenética, sem ataques a ninguém porém denunciando o que está prestes a ocorrer”, disse o deputado no canal.

À Gazeta do Povo, o TSE afirmou que “não se manifesta sobre temas ou casos que possam vir a ser ou são objetos de análise na Justiça Eleitoral”. “Isso é feito somente nos autos processuais”, afirmou a Corte após ser procurado para se pronunciar sobre a possibilidade do canal de Janones ser retirado do ar.

Apesar disso, Nunes Marques reconhece que a derrubada de um canal de WhatsApp específico poderia ser considerada como um ato de censura.

“Mas, se o canal está sendo usado para a prática de fake news ou desinformação, acho que nós concordamos que isso não é censura. É a aplicação da legislação brasileira, que proíbe esse tipo de veiculação de conteúdo”, completou.

No caso do “Exército de Lula”, o TSE chegou a derrubar o canal após a campanha de Flávio Bolsonaro denunciar supostas fake news que a área técnica da Corte afirma não ter encontrado. Após uma guerra de decisões internas entre Nunes Marques e o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, a plataforma foi restabelecida após a campanha do PT registrá-lo oficialmente.

Ainda na manhã desta sexta-feira (23), Nunes Marques se reúne com representantes das empresas de tecnologia Meta, Google, X, TikTok e Kwai para alinhar a atuação das plataformas na reta final do segundo turno das eleições e discutir ordens recentes.

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