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O Café com a Gazeta do Povo iniciou nesta segunda-feira (24) uma rodada de sabatinas com candidatos ao Senado no Paraná e São Paulo nas eleições de 2026. O deputado federal Filipe Barros (PL), candidato ao Senado pelo Paraná, abriu a série de entrevistas.
Durante a sabatina, Barros falou sobre a disputa pelo Senado, Banco Master, indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF), debates eleitorais, segurança pública, infraestrutura, patrimônio, campanha de Flávio Bolsonaro, liberdade de expressão e escala 6x1. No fim, respondeu a perguntas rápidas sobre temas políticos e sociais.
A composição das candidaturas no Paraná foi um dos primeiros temas da entrevista. Barros associou a divisão do campo da direita à atuação do PT e de partidos que integram a base do governo federal. “É uma estratégia do PT fragmentar as candidaturas que se dizem de direita, ou são ‘sabor de direita’, para alavancar as candidaturas da esquerda", afirmou Barros.
O candidato citou PSD e MDB e destacou a aliança formada por PL, Novo e Podemos. Na disputa estadual, o governador Ratinho Junior (PSD) conseguiu articular uma chapa com Sandro Alex (PSD) e Rafael Greca (MDB) para tentar sucedê-lo. “O PSD tem dois ministérios, o MDB tem alguns ministérios e os dois partidos integram a base do governo Lula. PL, Novo e Podemos, juntos, fizemos uma composição livre.”
Barros disputa uma das duas vagas ao Senado pelo Paraná na chapa que ainda tem o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo). “Seremos dois senadores que não se curvam ao sistema.” O candidato disse que pretende levar aos eleitores à defesa da união entre partidos de direita. “Não temos que temer a estratégia da esquerda. Estamos indo ao povo para conscientizar sobre a importância da união da direita.”
Barros defende investidores e cobra punição no caso Banco Master
O caso do Banco Master ocupou outro trecho da sabatina. Barros afirmou que pretende reapresentar o projeto de lei para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Barros afirmou durante a sabatina que sua proposta difere da apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), porque defende os interesses dos pequenos investidores.
“O cidadão que tinha seu dinheiro na poupança ou aplicado no banco não pode ser penalizado. Acho que o FGC tem que restituir integralmente o valor do cidadão brasileiro que tinha investido na poupança.”
O deputado relembrou as denúncias que apresentou contra a instituição em dezembro de 2023. “Fui o primeiro que denunciei o Banco Master à Polícia Federal, ao procurador da República, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e demais autoridades competentes.”
Barros afirmou que cobrou das autoridades o avanço das investigações. “Após 11 meses das minhas primeiras denúncias surge a Operação Compliance Zero. Eu cobrei dessas autoridades que avançassem nessas investigações.”
Ao falar sobre os responsáveis pelo caso, defendeu a aplicação de penas. “Quero que Daniel Vorcaro e todos os envolvidos sejam condenados e fiquem na cadeia. Torço que Volcaro delate todo mundo que ele teve ligação e que sejam condenados.”
Candidato defende impeachment de Alexandre de Moraes
A composição do Supremo Tribunal Federal apareceu em outro momento da entrevista. Barros afirmou que rejeitaria indicações de Lula caso o petista vença a eleição presidencial. “Se Lula ganhar, meus quatro votos serão pela rejeição dos nomes indicados.”
O candidato também defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e relacionou a posição a investigações das quais afirmou ter sido alvo. “Alexandre de Moraes, pela ordem de prioridade, seria o primeiro a sofrer o processo. Desde o início do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, há oito anos, ele faz abuso de poder.”
Barros citou sua participação no inquérito das fake news após críticas à mudança do entendimento do STF sobre a prisão após condenação em segunda instância. “Fui vítima no inquérito de fake news simplesmente por ter criticado a mudança do entendimento do STF de prisão em segunda instância.”
Barros defende ausência de Moro em debate e cita articulação da esquerda
A ausência do senador e candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) em um debate organizado pelo Grupo Bandeirantes também entrou na entrevista. Barros defendeu a decisão de Moro de não participar. “Eu acho que foi acertadíssima, por conta da estratégia da esquerda com os partidos do centro.”
O candidato citou uma possível articulação entre PT, PDT, PSD e MDB no Paraná. “Aqui no Paraná PT e PDT, com PSD e MDB, fazem dobradinha para atacar Sergio Moro.”
Barros afirmou que Moro pretende participar de outros debates durante a campanha e fez a mesma previsão para Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. “Como próprio Moro tem dito, nos próximos debates irá participar. E também Flávio Bolsonaro irá participar mais pra frente.”
Barros critica Copel e cita avanço do crime organizado no Paraná
Problemas no fornecimento de energia e o avanço do crime organizado apareceram entre as pautas que Barros pretende levar ao Senado. Ao tratar da Copel, relacionou a situação de setores produtivos à venda da companhia.
“Depois que a Copel foi vendida, tem causado problema para industriais, piscicultores, aviários. Indústrias de Ponta Grossa ficaram mais de 60 dias paralisadas por falta no fornecimento de energia.” Para Barros, o assunto exige atuação no Congresso. “É uma pauta que o senador deve levar para Brasília.”
Na área de segurança pública, Barros citou Paranaguá e a atuação do PCC no entorno do porto. “Paranaguá tem a forte presença do PCC por conta do porto. Em Guaíra temos o crime organizado que usa índios paraguaios que recebem benefícios do governo e liberam o espaço que ocupam para organizações criminosas atuarem.”
Nova Ferroeste entra na mira de críticas à demora do governo federal
A infraestrutura ferroviária ocupou outro trecho da sabatina. Barros defendeu a Nova Ferroeste e relacionou o projeto ao crescimento da produção agrícola do Paraná. “Temos o segundo maior porto do país, Paranaguá, mas nossa linha ferroviária não acompanhou o desenvolvimento da produção agrícola.”
Barros criticou a demora do governo federal para avançar em outro projeto ferroviário, que é a renovação do contrato da Malha Sul. “Vemos no governo PT a discussão do tema, mas nunca se chega a uma conclusão.” Para ele, o Senado deve atuar para destravar a obra. “É uma pauta que um senador tem a obrigação de destravar.”
Barros também relacionou as decisões tomadas em Brasília aos problemas enfrentados no Paraná. “As brigas de Brasília são nossas brigas, porque os assuntos ali debatidos influenciam aqui no Paraná.”
Aumento no patrimônio é explicado por atualização de imóvel
A evolução de quase 300% no patrimônio declarado por Felipe Barros à Justiça Eleitoral também entrou na sabatina. O candidato atribuiu a variação à atualização do valor de um imóvel adquirido há cerca de dez anos.
“Temos um único bem, o imóvel que comprei com minha esposa quando nos casamos. O avanço no patrimônio é apenas a atualização do valor e também porque passamos a parte de minha esposa para meu nome, por uma questão contábil.” O patrimônio de Filipe Barros, registrado no DivulgaCand do TSE soma R$ 1.107.434,39.
Flávio Bolsonaro deve visitar Paraná duas vezes durante campanha
A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro também entrou na entrevista. Barros afirmou que o candidato deve visitar o Paraná pelo menos duas vezes durante a campanha. “Estamos vendo as datas que o Flávio virá pelo menos duas vezes, em setembro e mais na reta final das eleições.”
A liberdade de expressão apareceu entre os temas defendidos por Barros, que criticou ação da Polícia Federal antes de eventos de campanha de Lula. “Defendo a liberdade de expressão, de forma ampla e irrestrita. Essa é a pedra principal da democracia. É um absurdo a PF indo em cidades que o Lula vai estar, coibindo pessoas com faixas que citam Lula Ladrão.”
A discussão sobre a escala 6x1 levou Barros a defender mudanças na jornada, mas sem uma votação durante o período eleitoral. “Qualquer pauta pode ser debatida. Carga horária e escala de trabalho podem ser debatidas, mas não às pressas em meio período eleitoral".
Barros também defendeu a negociação direta entre empregados e empregadores. “Eu defendo a liberdade, que o empregador possa debater com seu empregado a melhor forma de trabalho.”
Filipe Barros cita três prioridades em suas propostas
Citando três principais propostas, Barros apontou a defesa pela reforma do Poder Judiciário e composição do STF. “Defendo que no STF sejam juízes de carreira, que cheguem com idade mais avançada, que tenham mandato estabelecido.”
O candidato também citou o combate às organizações criminosas como prioridade. "Para que nem em Paranaguá, Foz do Iguaçu ou na região de Londrina elas estejam presentes.”
Na infraestrutura, Barros listou projetos que pretende apoiar caso seja eleito. “Meu compromisso é fazer avançar as pautas de infraestrutura, a revisão do pedágio, o avanço do Porto Santa Helena às margens do Lago de Itaipu, a Ferroeste e a ponte que liga Norte Pioneiro ao estado de São Paulo.”
Confira as respostas de Filipe Barros ao pingue-pongue do Café com a Gazeta
No fim da sabatina, Barros respondeu de forma direta a perguntas sobre temas políticos e sociais.
- Voto impresso: “Favorável.”
- Bets: “Contra.”
- Legalização do aborto: “Contra.”
- Câmeras no uniforme da polícia: “Contra.”
- Redução da maioridade penal: “Favorável.”
- Fim do foro privilegiado: “Favorável.”
- Escala 6x1: “Favorável no momento correto.”
- Escola cívico-militar: “Favorável.”
- Teto de gastos: “Favorável.”
- Grande político brasileiro: “Jair Bolsonaro.”
- Ratinho Junior: “Bom governador.”
- Lula: “Ladrão.”
- Jair Bolsonaro: “Maior líder político.”
- 8 de Janeiro: “Grande farsa.”
O candidato encerrou a entrevista com uma síntese do que apresentou como compromisso para um eventual mandato. “Coragem e disposição. Lutar e trabalhar pelo Brasil.”
Sabatinas realizadas pela Gazeta do Povo
A Gazeta do Povo promove, no seu canal do Youtube, uma série de entrevistas com candidatos ao Senado nos estados do Paraná e de São Paulo. São convidados todos os candidatos cujos partidos contam com representatividade mínima no Congresso Nacional.
As entrevistas têm duração de 45 minutos e são realizadas ao vivo, no horário das 09h15 às 10h, dentro do programa Café com a Gazeta.
As entrevistas são veiculadas no canal da Gazeta do Povo no Youtube e no site.




