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Polícia, facções e sistema prisional

Planos para a segurança pública expõem divergências entre candidatos ao governo do Paraná

Polícia Militar
Policiamento, combate ao crime organizado e sistema prisional integram planos de governo de candidatos no Paraná. (Foto: Albari Rosa/Arquivo/Gazeta do Povo)

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A segurança integra o topo das preocupações dos eleitores. Em pesquisa de opinião Nexus/BTG divulgada no último dia 10, 35% dos entrevistados citaram a segurança pública, a violência e a criminalidade como um dos principais problemas do Brasil.

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Entre os oito candidatos ao governo do Paraná, as proposições para esses temas incluem o reforço do efetivo policial, uma maior integração entre os órgãos e uma maior transparência na área da segurança pública.

A Gazeta do Povo analisou os planos de governo de cada candidatura e resumiu os principais pontos apresentados. A ordem dos candidatos no texto segue o cenário estimulado da pesquisa de intenções de voto para governador divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas, a primeira após o registro das candidaturas:

  • Sergio Moro (PL);
  • Requião Filho (PDT);
  • Sandro Alex (PSD);
  • Luiz França (Missão);
  • Tayná Miessa (UP);
  • Alexandre Salomão (Mobiliza);
  • Samuel de Mattos (PSTU);
  • Adriano Teixeira (PCO).

Propostas de Sergio Moro (PL) para a segurança

  • Criar forças-tarefa aos moldes da Operação Lava Jato para desmantelar facções e confiscar seus patrimônios, com a integração de policiais, agentes da Receita Estadual e “outras agências ou órgãos estaduais”;
  • Criar centros de inteligência e compartilhamento de dados inspirados nos Fusion Centers norte-americanos para incentivar a atuação conjunta das forças policiais — o que inclui Polícia Militar, Civil, Científica, Penal, Bombeiros e “parceiros federais ou de outros estados”;
  • Instalar uma base aérea permanente em Foz do Iguaçu, uma “diretoria de fronteiras” e reforçar a fiscalização de divisas contra a entrada de drogas e armas;
  • Realizar “concursos periódicos” e remanejar policiais de funções administrativas internas para o policiamento ostensivo e a investigação;
  • Expandir a Patrulha Maria da Penha e criar patrulhas dedicadas à defesa de crianças, adolescentes e idosos;
  • Promover ações conjuntas de segurança, saúde e assistência social para extinguir “cracolândias” nas áreas urbanas, “como fez São Paulo”;
  • Implementar um sistema integrado de câmeras públicas e privadas que reconheça “pessoas procuradas e veículos suspeitos” e gere alertas em tempo real;
  • Estabelecer um Protocolo Estadual de Atendimento à Violência Contra a Mulher;
  • Construir uma prisão estadual de segurança máxima com “rígidos protocolos” e visitas sem contato físico;
  • Ampliar o trabalho prisional com parcerias com empresas e cooperativas, além de presos participarem da construção de obras públicas;
  • Modernizar o monitoramento prisional com bloqueadores de sinal “para impedir que ações criminosas sejam comandadas de dentro das unidades penais”;
  • Realizar parcerias público-privadas para construir e ampliar unidades penais;
  • Ampliar o ensino e a qualificação profissional dentro das unidades penais;
  • Implantar um programa estadual de saúde integral para agentes de segurança;
  • Criar a Academia Estadual de Segurança Pública, com formação, especialização e pós-graduação;
  • Criar uma estratégia de recuperação de bens e “repressão firme a quem compra produto roubado”;
  • Tornar o Paraná “referência” no uso de tecnologia de rastreamento químico em perícia para elucidar crimes;
  • Desenvolver ações permanentes de educação cidadã com foco na prevenção às drogas;
  • Fortalecer a integração entre Defesa Civil, Bombeiros, forças de segurança e municípios.

Propostas de Requião Filho (PDT) para a segurança

  • Realizar concursos públicos periódicos para repor e ampliar os quadros de todas as forças de segurança estaduais;
  • Adotar como “horizonte” a presença policial permanente e o atendimento operacional 24 horas nos 399 municípios;
  • Unificar em uma central os acionamentos de emergência da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, do Samu, da Polícia Civil e das Guardas Municipais;
  • Ampliar a Polícia Científica para agilizar laudos e reduzir inquéritos policiais pendentes, o que permite ao cidadão acompanhar o encaminhamento de sua ocorrência;
  • Aproximar os agentes da população, ao retomar o Projeto Povo (Policiamento Ostensivo Volante) e estruturar patrulhas rurais e bombeiros comunitários com equipes estáveis;
  • Ampliar progressivamente o uso de câmeras corporais para policiais com regras de acionamento e armazenamento, privacidade e auditoria;
  • Reformar o Hospital da Polícia Militar como referência em saúde mental, prevenção ao suicídio e reabilitação dos profissionais;
  • Retomar a administração estatal de todas as unidades prisionais, a fim de separar lideranças criminosas e oferecer mais oportunidades de trabalho remunerado, educação e qualificação às pessoas privadas de liberdade;
  • Mapear áreas de risco e expandir sistemas de alerta antecipado para desastres climáticos.

Propostas de Sandro Alex (PSD) para a segurança

  • Regionalizar os batalhões da Rone (Rondas Ostensivas de Natureza Especial) e fortalecer o Batalhão de Polícia Rural Comunitária e o Agro Forense;
  • Empregar inteligência artificial (IA), ciência forense e cruzamento de dados para agilizar as investigações e combater crimes cibernéticos;
  • Unificar os atendimentos dos telefones 190 e 193 com uso de triagem automatizada por IA;
  • Ampliar o emprego de drones e atualizar a tecnologia das aeronaves para monitoramento;
  • Criar linhas de crédito habitacional para a aquisição da primeira moradia por policiais;
  • Substituir gradualmente cadeias públicas antigas por “unidades prisionais regionais modernas” e expandir o programa Presídio Mãos à Obra, de trabalho para detentos;
  • Articular medidas protetivas, Botão do Pânico, Patrulha Maria da Penha, atendimento do 190 e monitoramento eletrônico de agressores;
  • Criar Gabinetes de Gestão Integrada (GGI) para integrar forças de segurança municipal, estadual e federal no combate ao tráfico, ao contrabando e à lavagem de dinheiro;
  • Fortalecer o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil no combate a incêndios florestais e na resposta a enchentes, deslizamentos e acidentes ambientais;
  • Fortalecer as escolas superiores, a formação continuada e os intercâmbios internacionais;
  • Implementar a desconcentração orçamentária e financeira, a autonomia administrativa com controle e transparência e o planejamento regional dos recursos;
  • Promover a construção, reforma e modernização de delegacias, batalhões, quartéis e unidades operacionais.

Propostas de Luiz França (Missão) para a segurança

  • Centralizar a condução da política de segurança pública diretamente na figura do governador e estabelecer prioridades e metas por território;
  • Criar dossiês integrados sobre organizações criminosas e alvos prioritários, reunindo ocorrências, investigações, vínculos empresariais, veículos, armas, mandados, conexões penitenciárias, movimentações patrimoniais legalmente acessíveis e padrões territoriais;
  • Direcionar investigações para sufocar o financiamento, a logística e a lavagem de dinheiro de facções e confiscar bens de líderes;
  • Orientar a Polícia Militar pela concentração territorial da violência, pela reincidência e pelas informações produzidas pelas demais forças;
  • Substituir gradativamente policiais em funções administrativas para reforçar as ruas;
  • Garantir “proteção jurídica” a policiais processados em serviço;
  • Integrar as bases de dados do Departamento de Inteligência do Paraná (DIP);
  • Apresentar nos primeiros 100 dias de governo um Código de Ética e Disciplina para os militares estaduais;
  • Classificar pessoas presas conforme a “função na organização criminosa, capacidade de liderança, risco de violência, vínculos externos, poder econômico, histórico de recrutamento e necessidade de proteção”;
  • Ampliar o uso de scanners, inspeções, controle de acesso e mecanismos legalmente autorizados de detecção e interrupção de “comunicações criminosas” dentro de unidades penais.

Propostas de Tayná Miessa (UP) para a segurança

  • Implementar protocolos de uso de força e câmeras corporais obrigatórias com auditoria independente, além de punir abusos policiais “de forma efetiva”;
  • Proibir abordagens ostensivas sem “justificativa grave” em escolas, festas e eventos comunitários;
  • Desmantelar esquemas de lavagem de dinheiro e redes de tráfico de armas das facções via cooperação com instâncias federais;
  • Criar um Conselho de Segurança Cidadã, com 50% de representação da sociedade civil, para propor e fiscalizar políticas;
  • Atuar para gerar empregos e ofertar cursos profissionalizantes nas áreas mais vulneráveis economicamente e com altos índices de criminalidade;
  • Contribuir ativamente nos debates federais para promover a desmilitarização das polícias;
  • Estabelecer compromisso com o combate ao racismo, ao machismo e à LGBTfobia nas ações policiais diárias, aprimorar o registro de raça/cor em ocorrências e não criminalizar os movimentos sociais e entidades de classe;
  • Garantir que 100% das pessoas presas analfabetas sejam alfabetizadas em até um ano e tenham acesso a cursos técnicos;
  • Expandir a justiça restaurativa e a socioeducação para jovens infratores, em integração com as secretarias de Educação, Cultura e Esporte.

Propostas de Alexandre Salomão (Mobiliza) para a segurança

  • Acabar com o déficit de efetivo policial por meio de um calendário de concursos para a Polícia Militar e a Polícia Civil;
  • Criar um plano permanente de valorização e suporte psicológico focado no acompanhamento e na prevenção ao suicídio de agentes de segurança;
  • Propor Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para estabelecer mandato de dois anos para comandos da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, escolhidos por lista tríplice eleita pelos pares;
  • Adotar monitoramento territorializado dos indicadores de segurança, inspirado no Programa Estado Presente do Espírito Santo;
  • Criar metas públicas regionais de redução de crimes e publicar relatórios de letalidade policial;
  • Instituir o Plano Estadual de Segurança Pública plurianual no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública;
  • Priorizar a aplicação de recursos em equipamentos para a tropa e na recomposição de efetivos;
  • Incorporar salvaguardas de direitos humanos nas políticas de enfrentamento ao crime organizado.

Propostas de Samuel de Mattos (PSTU) para a segurança

  • Extinguir a Polícia Militar e unificar todas as forças policiais em uma única instituição civil e desmilitarizada;
  • Instituir eleições diretas para a escolha de comandantes e delegados, sob fiscalização direta de conselhos populares;
  • Garantir o direito à livre sindicalização de agentes, pando fim à Justiça Militar e às prisões disciplinares administrativas;
  • Tornar obrigatório o uso de câmeras corporais de gravação ininterrupta, com armazenamento de imagens gerido por órgãos civis;
  • Descriminalizar as drogas e revogar a atual legislação restritiva, tratando o vício como questão exclusiva de saúde pública;
  • Abolir o modelo de parcerias público-privadas (PPPs) em presídios;
  • Promover a investigação, confisco de bens e punição “rigorosa” de banqueiros, empresários, políticos e corruptos envolvidos na lavagem de dinheiro de facções, milícias e negócios ilícitos;
  • Expulsar agentes públicos ligados a grupos paramilitares e proibi-los de exercer cargos públicos novamente;
  • Exigir responsabilidade e prevenção contra fraudes por parte de bancos, fintechs e plataformas digitais, com restituição imediata de valores desviados da população por golpes e fraudes eletrônicas;
  • Responsabilizar civil e criminalmente agentes públicos que cometerem tortura, execuções, desaparecimentos forçados e chacinas;
  • Aplicar penas alternativas para crimes patrimoniais decorrentes de “desespero social”;
  • Garantir punição rigorosa para crimes de racismo, machismo, feminicídio e LGBTfobia, com penas agravadas quando cometidos por agentes estatais.

Propostas de Adriano Teixeira (PCO) para a segurança

  • Dissolver a corporação de policiamento militarizado e “extinguir todo o aparato repressivo do Estado”;
  • Garantir o direito à autodefesa dos trabalhadores da cidade e do campo;
  • Formar comitês de autodefesa populares.

Metodologia das pesquisas eleitorais citadas

  • Paraná Pesquisas: 1.520 entrevistados pelo Paraná Pesquisas de 13 a 16 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Partido Liberal (PL). Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-09048/2026.
  • Nexus/BTG: 2.001 entrevistados pela Nexus de 7 a 9 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-08428/2026.

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