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A Câmara dos Deputados que tomará posse em 1º de fevereiro de 2027 terá uma correlação de forças diferente da eleita em 2022. O principal vencedor foi o PL, que alcançou 121 deputados na projeção com 99,9% dos votos apurados e ampliou sua bancada em 24 cadeiras em relação à eleição anterior. Apesar disso, legendas do Centrão continuam com peso expressivo nas votações da Casa na próxima legislatura.
Com 513 deputados, a Câmara exige 257 votos para uma maioria absoluta. Assim, mesmo com 121 parlamentares, o PL precisará construir alianças para aprovar suas principais pautas.
“O PL ganhou um estádio maior, mas ainda não tem jogadores suficientes para disputar sozinho todos os jogos”, afirma o cientista político e especialista em Processo Legislativo Murilo Carvalho.
Podemos e Novo também ampliaram suas bancadas. O Podemos passou de 20 para 27 deputados, enquanto o Novo saltou de três para dez.
Carvalho ressalta que o crescimento do Podemos também precisa ser analisado considerando a incorporação do PSC. Já o avanço do Novo representa uma expansão direta da legenda.
Já a federação formada por PT, PCdoB e PV será a segunda maior força da Câmara, com 88 deputados, seis a mais do que em 2022.
Confira no infográfico da Gazeta do Povo como ficaram as bancadas eleitas em 2026 em comparação com 2022:
PL ganha força e mira espaços de poder
O tamanho da bancada aumenta o poder de negociação do PL na próxima legislatura, inclusive na disputa pela Presidência da Câmara e pelo comando das principais comissões.
Para o analista político Alexandre Bandeira, a legenda terá condições de reivindicar espaços estratégicos justamente por ser a maior bancada individual da Casa. “Uma das regras de ocupação dos espaços dentro do próprio Congresso Nacional é o volume de parlamentares eleitos”, afirma.
Segundo ele, o PL deverá buscar posições como a Presidência da Câmara e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das mais importantes da Casa.
A composição dos blocos partidários, no entanto, será decisiva para definir até onde essa força poderá chegar.
Centrão continua decisivo
Apesar do crescimento do PL, partidos do chamado Centrão continuam com peso expressivo. União Brasil e PP terão juntos 87 deputados. PSD terá 43, Republicanos, 41, e MDB, 36.
Para Bandeira, esse conjunto de legendas continuará sendo hegemônico no Congresso e obrigará qualquer futuro presidente da República a negociar.
Murilo Carvalho também considera improvável que União, PP, PSD, Republicanos e MDB atuem como um bloco permanente.
“Esses partidos serão uma espécie de ponte sobre o rio: quem quiser atravessar e aprovar uma agenda importante vai precisar construir essa ponte”, afirma.
O cientista político prevê um comportamento mais pragmático dessas siglas, com alianças que poderão variar conforme o assunto em votação.
“Em temas de costumes, economia, segurança pública, relação com o STF ou mudanças constitucionais, podemos ter alinhamentos diferentes”, diz.
PDT e federação PSDB-Cidadania perdem espaço
A nova composição também evidencia a perda de força de algumas legendas. O PDT caiu de 17 deputados eleitos em 2022 para seis. A federação PSDB-Cidadania passou de 18 para 11.
Para Bandeira, o resultado é consequência de um processo de enfraquecimento que já ocorre há vários ciclos eleitorais. “Estamos vendo um processo de fuga de parlamentares dessas legendas e, mais do que isso, da incapacidade de renovação do seu plantel”, afirma.
Segundo Bandeira, a perda de parlamentares cria um ciclo difícil de interromper: com bancadas menores, os partidos também perdem espaço, recursos e capacidade de ocupar posições estratégicas no Congresso.
Murilo Carvalho, porém, recomenda cautela antes de interpretar o resultado como o desaparecimento dos partidos tradicionais. “O resultado de 2026 reforça uma tendência que já vinha aparecendo: o eleitor está concentrando forças em determinados polos e reduzindo o espaço de algumas legendas tradicionais”, afirma.
“Eu não diria ainda que estamos diante do fim dos partidos tradicionais. Diria que estamos diante de um processo de reorganização do sistema partidário”, afirma.
Próximo governo terá de negociar
O novo desenho deixa uma conclusão clara: nenhum campo político terá maioria automática na Câmara.
Para Bandeira, o próximo governo deverá buscar uma composição de coalizão com essas forças para garantir sustentação no Congresso.
“O futuro governo vai fazer convites para que esses partidos que têm interesse e influência dentro do rito legislativo possam fazer essa composição”, afirma.
A Câmara eleita em 2026, portanto, será mais concentrada em grandes bancadas, mas continuará dependendo da negociação.
O PL ganhou tamanho e poder de barganha, mas o centro preservou a capacidade de decidir para qual lado estará a maioria em cada votação.








