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Eleições 2026

Por que Caiado não tem apoio explícito de governadores do PSD na corrida presidencial

Leite, Caiado e Gilberto Kassab, todos do PSD
Presidente do PSD, Gilberto Kassab, tem seis governadores filiados no partido. (Foto: Mauricio Tonetto/Governo do RS)

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O pré-candidato à Presidência da República do PSD, Ronaldo Caiado, foi escolhido pelo partido para representar uma alternativa à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial deste ano, mas não tem garantia da adesão total dos governadores da sigla para a construção do palanque nacional. O PSD passou a ser o partido com mais governadores no país após as filiações de mais quatro mandatários no último ano, em movimento coordenado pelo cacique Gilberto Kassab.

Caiado foi o escolhido da sigla após o governador mais cotado abandonar o projeto presidencial às vésperas do anúncio oficial. O paranaense Ratinho Junior desistiu da pré-candidatura ao Palácio do Planalto e a disputa interna do PSD ficou entre o goiano e o governador gaúcho, Eduardo Leite, sendo que Kassab escolheu o pré-candidato mais à direita.

O governador do Rio Grande do Sul — que fará campanha para a eleição estadual do vice, Gabriel Souza (MDB-RS) — condiciona o apoio a Caiado ao debate político de pontos divergentes. Entre o trio de governadores presidenciáveis de Kassab, Leite era o mais crítico em relação às pautas da direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como a anistia dos condenados pela suposta tentativa de golpe de Estado.

No lançamento da pré-candidatura, Caiado prometeu a anistia “ampla, geral e irrestrita” se vencer a eleição à Presidência da República, como forma de pacificação do país. “Eu entendo que a intenção dele é superar o histórico recente da política nacional. Ele [Caiado] entende que a anistia seria um caminho, eu divirjo, acho que não é. [...] A anistia interrompe a conversa com uma parte importante da população, que entende que quem conspirou contra a democracia precisa ter uma punição”, disse Leite em entrevista à GloboNews.     

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O grupo político de Ratinho Junior sinaliza que o palanque paranaense estará aberto para receber Caiado, que tem uma forte conexão com o agronegócio, uma das principais características da economia do Paraná. No entanto, os laços políticos com o presidenciável Flávio Bolsonaro não foram totalmente desfeitos após a filiação do senador Sergio Moro ao PL para disputar o governo do Paraná.

Se a aproximação com o ex-juiz da Lava Jato, que surge como principal adversário do PSD nas urnas, é descartada pelo grupo político, a possibilidade de apoio a Flávio encontra ressonância entre os possíveis integrantes da chapa ao governo estadual e ao Senado, apoiados por Ratinho Junior. 

“Podemos ter um grupo de pessoas que façam linha de frente com o Flávio. Que possam dizer Flávio sim, e Moro não. É legítimo porque nós também tivemos uma linha de trabalho”, disse o pré-candidato ao governo do PSD, Sandro Alex, em entrevista à Jovem Pan. Ele lembrou da antiga aliança com o PL — rompida após a filiação e lançamento da pré-candidatura de Moro — e disse que mantém uma relação de amizade com o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Se ele pudesse, tenho certeza que ele me ligaria para me cumprimentar”, completou.

A jornalista conservadora Cristina Graeml (PSD-PR) é cotada como candidata a vice de Sandro Alex ou pode ocupar a segunda vaga ao Senado na chapa do PSD. Conhecida pela defesa de bandeiras da direita, como a anistia dos condenados pelo ato de 8 de janeiro de 2023, ela já declarou apoio a Flávio Bolsonaro, apesar da filiação ao PSD paranaense no final de março.

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PSD tem acordo com Zema e veta palanque a Caiado em Minas Gerais 

O PSD passou a governar o segundo maior colégio eleitoral do país em março, quando o presidenciável Romeu Zema deixou o governo de Minas Gerais como pré-candidato à Presidência pelo Novo. No entanto, isso não significa que Ronaldo Caiado terá o apoio do novo governador mineiro, Mateus Simões (PSD-MG).

No ano passado, o então vice-governador migrou do Novo para o PSD em uma estratégia costurada por Kassab e por Zema com o intuito de disputar a sucessão ao Palácio da Liberdade, sede do Executivo mineiro, e fechar a porta da sigla para uma pré-candidatura do senador Rodrigo Pacheco, aliado de Lula, que deixou o partido.

Assim, Simões deve fazer campanha para Zema e assegurar o palanque para a campanha presidencial do ex-governador mineiro. Além disso, ele almeja ter o apoio do PL estadual, que tem o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como cabo eleitoral, e se Zema for candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, a tendência seria de apoio ao filho do ex-presidente. Ou seja, Caiado tem apenas uma chance remota de receber o apoio do PSD mineiro durante a campanha para percorrer o “estado pêndulo”, que foi decisivo nas últimas eleições presidenciais.

Em resposta à falta de adesão dos governadores do PSD à pré-candidatura presidencial, Caiado afirmou que espera o apoio dos mandatários mais bem avaliados, em referência a Ratinho Junior e Eduardo Leite. “Os dois governadores com maior projeção na política e mais bem avaliados estão me apoiando no Paraná e no Rio Grande do Sul”, declarou Caiado em entrevista ao UOL e ao jornal Folha de S. Paulo.  

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Governadores do PSD no Nordeste apoiam reeleição de Lula

Os governadores do PSD de Sergipe e de Pernambuco vão buscar a reeleição em outubro e articulam o apoio do presidente Lula em busca da vitória nas urnas nos estados com forte influência do eleitorado petista.

O governador sergipano Fábio Mitidieri (PSD-SE) terá na chapa pela reeleição o senador petista Rogério Carvalho, que também buscará mais um mandato. A aliança foi firmada em abril com apoio de Lula durante uma reunião no gabinete presidencial.    

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD-PE) disputa com o principal adversário eleitoral o apoio de Lula no estado natal do petista, apesar da aliança de Lula com o prefeito do Recife, João Campos (PSB-PE), que é pré-candidato ao governo estadual com o aval do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP).

Além disso, o jovem prefeito pertence à tradicional oligarquia de esquerda Campos-Arraes. Com isso, Lyra se opõe politicamente ao prefeito da capital, mantendo o diálogo com o PT pernambucano e com representantes do governo Lula por causa dos votos decisivos da esquerda pernambucana.

No Nordeste, Caiado conta com um forte aliado proveniente do seu ex-partido, o União Brasil. Apesar de ter o PL na coligação ao governo da Bahia, o pré-candidato ACM Neto deve optar pelo apoio formal ao ex-governador goiano entre os presidenciáveis. Vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto defendia a pré-candidatura pela federação União Progressista e foi o anfitrião do evento que lançou Caiado à Presidência em Salvador, no ano passado.  

O último governador a entrar no PSD foi o chefe do Executivo de Rondônia, Marcos Rocha, que deixou o União Brasil e migrou para a nova legenda em fevereiro, atendendo ao convite de Gilberto Kassab. Policial militar, o coronel foi reeleito ao governo de Rondônia em 2022 com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e deve concluir o mandato. O nome dele foi cotado ao Senado, mas Rocha optou por permanecer no cargo. 

O PL lançou a pré-candidatura do senador Marcos Rogério ao governo, em evento com Flávio Bolsonaro, e deve ter Adailton Fúria (PSD-RO) como principal adversário nas urnas, com apoio do atual governador. Neste cenário, Rocha pode manter o apoio ao filho de Bolsonaro na disputa nacional ou reforçar o palanque de Caiado ao lado de Fúria no estado.

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