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Eleições 2026

Quem é Júlio Delgado, vice de Augusto Cury na disputa presidencial

Augusto Cury e Júlio César Delgado
Natural de Juiz de Fora (MG), Júlio César Delgado tem 59 anos, é advogado e exerceu seis períodos de mandato na Câmara dos Deputados. (Foto: Renato Pizzutto/Band | Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados)

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O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) escolheu o ex-deputado federal Júlio Delgado (Avante-MG) para ocupar a vice em sua chapa nas eleições de 2026.

O anúncio ocorreu em 5 de agosto, dois dias depois de o partido oficializar a candidatura do escritor e psiquiatra ao Palácio do Planalto. Na ocasião, Cury afirmou que Delgado tem experiência no Congresso e uma trajetória de defesa da ética pública.

A escolha colocou ao lado de Cury, que estreia em uma eleição, um político com mais de duas décadas de atuação institucional.

Natural de Juiz de Fora (MG), Júlio César Delgado tem 59 anos, é advogado e exerceu seis períodos de mandato na Câmara dos Deputados.

O primeiro ocorreu como suplente, entre 1999 e 2000. Depois, foi eleito deputado federal em 2002 e permaneceu no Congresso até 2023.

Trajetória no Congresso

Delgado é filho do ex-prefeito de Juiz de Fora (MG) Tarcísio Delgado, que também exerceu três mandatos de deputado federal.

Formado em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Júlio Delgado fez pós-graduação em Processo Legislativo pela Universidade de Brasília (UnB).

Antes de chegar à Câmara, foi secretário-adjunto da Secretaria do Trabalho e Assistência Social de Minas Gerais, entre 1995 e 1998.

Na Câmara, passou por diferentes funções de liderança e integrou a Mesa Diretora como quarto-secretário entre 2011 e 2013.

Também participou de comissões permanentes e de CPIs, entre elas as que investigaram a Petrobras, fundos de pensão, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e a chamada Máfia do Futebol.

Um dos episódios mais conhecidos de sua carreira ocorreu em 2005, quando atuou no processo que levou à cassação do mandato do então deputado José Dirceu (PT), um dos principais nomes do governo Lula na época. Delgado presidiu o Conselho de Ética durante parte das investigações e defendeu a cassação do petista.

O mineiro também disputou a presidência da Câmara. Em 2013, recebeu 165 votos na eleição vencida por Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Dois anos depois, voltou a concorrer ao comando da Casa e terminou derrotado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Ao longo da carreira, Delgado passou por diferentes partidos. Começou no PMDB, elegeu-se pelo PPS em 2002 e, posteriormente, migrou para o PSB. Em 2022, filiou-se ao PV. Dois anos depois, em 2024, deixou a legenda e ingressou no MDB para disputar a Prefeitura de Juiz de Fora. Em março deste ano, filiou-se ao Avante, partido pelo qual agora concorre à Vice-Presidência.

Derrota na eleição municipal

A tentativa mais recente de Delgado nas urnas ocorreu em 2024, quando disputou a Prefeitura de Juiz de Fora pelo MDB.

Ele recebeu 17.214 votos, o equivalente a 6,16% dos votos válidos, e terminou em quarto lugar. A prefeita Margarida Salomão (PT) venceu no primeiro turno, com 53,96%.

A candidatura à vice-Presidência surgiu, segundo o próprio Delgado, de forma inesperada.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele afirmou que conheceu Cury no início de 2026 por meio de amigos em comum e que não planejava voltar a disputar uma eleição.

“Disputar uma eleição estava fora dos meus planos, mas não posso me omitir neste momento”, declarou.

Delgado também revelou que teve participação na aproximação de Cury com o Avante.

Segundo ele, o escritor perguntou sobre qual partido poderia disputar a eleição, e o então político recomendou a legenda. “Fui eu quem o levou ao partido”, afirmou.

Críticas à polarização

Desde que assumiu a condição de vice, Delgado passou a defender a tese de que a candidatura de Cury pode ocupar um espaço entre os grupos políticos que disputam a Presidência.

Em agosto, afirmou que parte do eleitorado estaria cansada da polarização entre petistas e bolsonaristas.

“Eu sempre fui vítima desta esquizofrenia que a polarização causou. Precisamos de um choque de lucidez”, disse Delgado à Folha.

Ele também afirmou que a campanha pretende alcançar eleitores de cidades médias e pequenas que não se identificam com os principais polos políticos.

Com o crescimento de Cury nas pesquisas no fim de agosto, Delgado voltou a defender essa interpretação.

Em entrevista ao UOL, disse que a chapa havia encontrado um espaço fora da polarização.

“A gente encontrou um furinho na bolha, e os dois lados [bolsonaristas e petistas] acusaram o golpe”, afirmou.

Na mesma entrevista, Delgado atribuiu o avanço de Cury à exposição do candidato no debate presidencial e no Jornal Nacional, além da popularidade acumulada pelo escritor nas redes sociais.

O vice também negou que o crescimento dos seguidores de Cury tenha resultado de uma ação da campanha com robôs e comentou as suspeitas de que Pablo Marçal teria ajudado a impulsionar a presença digital de Cury.

“Se tiver feito, eu não tenho relação com eles. Então, se alguém fez, foi também dessa mesma forma”, afirmou.

O papel de Delgado na campanha

Ao anunciar Delgado como vice, Cury afirmou que, caso a chapa seja eleita, caberá ao ex-deputado conduzir as negociações de três reformas defendidas pela candidatura.

A primeira prevê a mudança do regime presidencialista para o semipresidencialista. As outras duas tratam do mandato dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da estrutura do Ministério das Relações Exteriores.

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