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O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), reiterou seu apoio ao pré-candidato da sigla à Presidência da República, Ronaldo Caiado. Até meados de março, Ratinho era uma das principais apostas do partido para presidente da República, mas declinou da candidatura. Ele, contudo, não descarta que, no futuro, volte a se candidatar ao Planalto.
Durante entrevista concedida à Jovem Pan Curitiba nesta terça-feira (22), o governador ainda abordou temas que vão da economia à política nacional, passando pela segurança pública, concessões rodoviárias e os desdobramentos da sucessão estadual em 2026.
Sobre Caiado, Ratinho disse que é o “candidato do partido". “É uma pessoa que a gente confia e respeita. Eu vou trabalhar pro Caiado, porque entendo que, dos quadros que estão aí, ele é o mais preparado para este momento do Brasil”, declarou.
Em relação a uma eventual disputa no segundo turno entre Caiado e o senador Flávio Bolsonaro (PL), Ratinho afirmou que é necessário priorizar a viabilidade eleitoral. “Eu tenho que votar em quem tem condição, não é só quem eu gosto, é quem tem condição de tirar esse governo”, disse.
A respeito de uma possível candidatura própria à Presidência da República em eleições futuras, Ratinho Jr. não descartou a hipótese. “Eu gosto de política. Acho que a minha geração tem uma obrigação de poder colaborar com o Brasil”, afirmou. “Se eu tivesse viabilidade, sim, claro. Tenho 45 anos, sou novo ainda, tenho bastante tempo para construir um projeto nacional, não vejo problema nenhum nisso.”
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Setor madeireiro no Paraná é o mais afetado pelas tarifas dos EUA
Ratinho Jr. também comentou os efeitos das tarifas americanas sobre a economia paranaense, com destaque para o setor madeireiro. Sobre a condução do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, ele afirmou que houve uma falha diplomática.
“O grande erro foi diplomático. O Brasil demorou muito, o governo federal, para entender que a diplomacia tinha que estar na frente da discussão política”, avaliou.
O governador explicou que o segmento madeireiro é o mais afetado no estado. “O Paraná é responsável por 60% do derivado de madeira de reflorestamento produzido no Brasil hoje, desde cavaco de madeira até celulose. Nós exportamos muito pinus para a construção civil dos Estados Unidos. Essa é uma taxação que preocupa nesse setor”, disse.
Segundo Ratinho Jr., o governo estadual adotou medidas de apoio ao setor desde a primeira rodada de tarifas no fim do ano passado. O governador disse que foi criada uma linha de crédito com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para fornecer capital de giro às empresas madeireiras, bem como medidas tributárias.
“O problema do Brasil é soltar bandido", afirma Ratinho Jr.
Ao tratar da segurança pública, o governador do Paraná defendeu que a questão central do país está na reincidência criminal. “O problema do Brasil não é prender. O problema do Brasil é soltar bandido. Nós prendemos muito bandido e a justiça solta muito bandido”, declarou. O governador citou um dado da segurança pública paranaense: “De cada 100 pessoas presas em flagrante no Paraná, 60 são soltas na audiência de custódia.”
Na visão de Ratinho Jr., o Congresso Nacional deve conceder mais autonomia aos estados para legislar sobre crimes contra a vida. “Um cara que comete um feminicídio, eu sou favorável a uma lei que ele fique 40 anos preso sem redução de pena”, afirmou.
Ele também criticou a atuação do Legislativo federal no tema. “O Congresso não elegeu a segurança pública como prioridade há décadas. Tem sido omisso no combate à criminalidade, tanto a Câmara como o Senado.”
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Governador do Paraná defende tecnologia Free Flow
Questionado sobre as críticas ao sistema de cobrança eletrônica Free Flow adotado nas rodovias concedidas do Paraná, o governador defendeu a tecnologia como um avanço já consolidado em outros países. “O Free Flow é, se você for na China, é assim, se for na Índia, na Alemanha, nos Estados Unidos, é assim. O Free Flow é para as concessões o que foi o Uber para a mobilidade urbana”, comparou.
Sobre o modelo de concessão rodoviária implementado no estado, Ratinho Jr. afirmou que se trata do maior pacote de concessão rodoviária da América Latina. “Dos Estados Unidos para baixo, não tem nada igual”, comentou.
Ele ainda citou a redução do IPVA como medida de compensação aos motoristas: “Eu baixei em 50% o IPVA, porque o IPVA é o imposto de manutenção de rodovia. Nós implantamos a concessão e baixamos o imposto”, disse. Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta o Paraná com a segunda malha rodoviária mais bem cuidada do Brasil, atrás apenas de São Paulo.
Ratinho Jr. fala sobre resistência às concessões
Sobre a privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), o Ratinho Jr. defendeu a medida como forma de preservar a viabilidade da empresa. “Por que que eu quero avançar com a Celepar na privatização? É porque eu não quero que ela vire um Correios. Eu estou tentando evitar que ela seja colocada no mercado, para que possa continuar prestando o serviço antes de quebrar”, disse.
O governador ainda declarou que sempre que se mexe no interesse de quem está lucrando com determinado negócio, há movimentações para tentar evitar que seja feito. “Usa ONG, usa muitas vezes um promotor mal intencionado ou até desavisado, usa mecanismos na justiça, faz denúncia anônima", disse ele, sobre as resistências ao processo de privatização da Celepar.
Ao final, Ratinho Jr. fez um balanço de seus dois mandatos e citou dados econômicos do estado. “Quando eu assumi o Paraná, o PIB em 2018 para 2019 era de R$ 440 bilhões. Eu vou fechar esse ano com mais de R$ 830 bilhões de PIB, quase dobrando o PIB do Paraná”, disse.
De acordo com o governador, durante sua gestão, o Paraná ultrapassou o Rio Grande do Sul para se tornar a quarta potência econômica do Brasil. “Eu peguei a educação em sétimo lugar. Hoje somos, há meia década, a melhor educação do Brasil”, concluiu Ratinho Jr.



