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O governador Jorginho Mello (PL) foi reeleito ao cargo de governador de Santa Catarina neste domingo (4), primeiro turno das eleições 2026. A vitória foi confirmada na noite deste domingo (4) pela Justiça Eleitoral.
Com 93,84% das seções eleitorais totalizadas, Jorginho Mello registrou 68,67% dos votos válidos (2,744 milhões de votos), superando a marca necessária de 50% mais um dos votos válidos para confirmar a vitória logo no primeiro turno.
O candidato Gelson Merísio (PSD) ficou na segunda colocação, atingindo 15,72% dos votos válidos (628,4 mil votos). Conforme divulgação oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os demais candidatos a governador de Santa Catarina obtiveram a seguinte votação: João Rodrigues (PSD) 13,58%; Marcelo Brigadeiro (Missão) 1,09%; Laís Chaud (UP) 0,5%; Ralf Zimmer (PRD) 0,21%; Professor Marcus Sodré (PSTU) 0,16%; e Bruno Pedreiro (PCO) 0,06%.
Jorginho Mello é considerado o principal governador aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Por conta do alinhamento político com a família, Mello encampou a ideia da candidatura no estado catarinense do filho “02” do ex-presidente, Carlos Bolsonaro (PL), que trocou de domicílio eleitoral para as eleições deste ano.
Para receber Carlos, o governador catarinense bancou uma candidatura dupla do PL ao Senado, tendo além do filho do ex-presidente, a deputada federal Caroline De Toni. Além disso, ele apostou em uma coligação de direita com o Novo, lançando o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva como candidato a vice-governador.
As articulações nesse espectro impactaram na aliança em torno do candidato João Rodrigues, que ganhou o apoio de partidos de peso como o MDB e a federação União Progressista.
Jorginho Mello consolida Santa Catarina como "estado mais conservador do país"
Neste primeiro mandato, o governador Jorginho Mello aprovou uma série de leis estaduais alinhadas à direita conservadora e entrou em choque com o presidente Lula (PT) e com o Supremo Tribunal Federal (STF). No final de junho, Mello acionou a Procuradoria Geral da República (PGR) após o presidente lembrar de Adolf Hitler durante uma declaração sobre o preconceito racial em um evento em Itajaí (SC).
Não foi a primeira vez que a cidade foi alvo de um embate entre o presidente da República e o governador catarinense. Em 2024, a gestão petista conseguiu na Justiça a federalização do porto de Itajaí, retirando do município catarinense a gestão portuária. A Autoridade Portuária de Santos (APS) assumiu o controle das atividades na queda de braço entre Mello e Lula.
Além de ser um dos governadores mais críticos de Lula, Mello fez declarações contra o STF, principalmente durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu a anistia do aliado, que acabou sendo condenado por tentativa de golpe de Estado. Em abril deste ano, o governador catarinense voltou a criticar o Supremo depois que a Corte derrubou a lei estadual que proibia as cotas raciais e de gênero em universidades públicas do estado e instituições privadas beneficiadas com recursos públicos.
No ano passado, Mello também sancionou a lei estadual que instituiu o “abril amarelo” no calendário oficial do estado, com uma série de ações de conscientização sobre a defesa da propriedade privada e de combate a invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Do outro lado, a oposição do governador do PL fez com que Lula participasse de eventos públicos em Santa Catarina sem a presença de Mello nos últimos anos.
João Rodrigues acena para eleitores da direita na disputa com Jorginho Mello
O ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues se intitulou “direita raiz”, identidade que tentou cravar ainda durante a pré-campanha ao governo do estado, em busca do voto do eleitorado catarinense.
O projeto de Rodrigues com maior repercussão foi a implantação do programa de internação involuntária para dependentes químicos e pessoas em situação de rua. Por sua vez, Jorginho Mello sancionou uma lei estadual para cadastrar os moradores de rua com reconhecimento facial e monitoramento por GPS.
Além do embate ideológico, Rodrigues passou a destacar a capacidade de entrega de obras viárias no município do oeste catarinense e a desburocratização da máquina pública, com emissão de alvarás em até 30 dias.
Santa Catarina tem menor taxa de desemprego do país e lidera migração interna
O IBGE registrou que 503.580 pessoas migraram de outros estados para Santa Catarina entre 2017 e 2022, aumentando em 4,66% a população catarinense, conforme os dados do Censo divulgados no ano passado. O mercado de trabalho é um dos principais fatores de atração para os novos moradores do estado líder da migração interna no Brasil.
A taxa de desemprego de Santa Catarina foi de 2,2% no segundo trimestre deste ano, a menor do Brasil, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também aponta crescimento no saldo de empregos formais e nas admissões desde 2020.
A capacidade produtiva aparece entre os fatores que ajudam a explicar a atração de trabalhadores e investimentos. O estado mantém a segunda posição geral no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), e liderou os pilares de "segurança pública" e "capital humano".
Na educação, a capital Florianópolis apresentou avanço nos indicadores da rede municipal. Segundo dados do Ministério da Educação, a cidade passou da 15ª para a 2ª posição entre as capitais brasileiras no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) dos anos finais do ensino fundamental e da 10ª para a 3ª posição nos anos iniciais.







