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Eleições em São Paulo

Quem é o empresário que se apresenta como sucessor de Paulo Maluf

Empresário que se diz sobrinho de Maluf é na verdade primo distante e mira vaga na Alesp.
Paulo Maluf e Alberto Haddad, que usa a imagem do primo como principal ativo de campanha. (Foto: Imagem criada usando IA/Campanha Albertinho Maluf (Foto original de Alberto Maluf: @kikafotografa/Divulgação Alberto Maluf. Foto original de Paulo Maluf: Arquivo pessoal).)

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Confirmado como candidato a deputado estadual por São Paulo na convenção do PP, o empresário Alberto Haddad, de 39 anos, construiu nas redes sociais a imagem de "Albertinho, o sobrinho de Maluf". Ele usa o ex-prefeito e ex-governador Paulo Maluf como cabo eleitoral em vídeos e publicações de campanha.

O parentesco é mais distante do que o discurso sugere. A bisavó de Alberto era tia de Salim Farah Maluf, pai de Paulo Maluf. Isso faz dele primo de terceiro grau do ex-governador, não sobrinho.

Apesar do grau distante, existe uma proximidade real, e Alberto e Maluf são próximos desde pequenos: "ele e meu pai eram primos, e ele era muito apegado ao meu pai, como se fosse um irmão mais novo", conta Alberto Maluf em entrevista à Gazeta do Povo.

"Desde que nasci sempre estive próximo a ele. A política foi nascendo dessa nossa ligação de parentesco e familiar, fui acompanhando até ele falar: "você tem que seguir", comenta. Filiado ao PP desde os 16 anos e também candidato em 2022, Alberto é o único da família que quis seguir o legado de Paulo Maluf.

Alberto Maluf conta à Gazeta do Povo que seu pai era primo de Paulo Maluf, que o considerava "irmão mais novo". (Foto: Albertinho Maluf/Arquivo pessoal)

Essa retomada tem pouco a ver com a força eleitoral remanescente da corrente. O interesse está mais relacionado ao saudosismo e à ressignificação de pautas conservadoras dentro de um partido que, em São Paulo, nunca conseguiu recompor uma liderança do mesmo tamanho.

Esse legado inclui a obrigatoriedade do cinto de segurança nos bancos dianteiros dos automóveis, sancionada por Paulo Maluf em 1994, e a proibição do fumo em restaurantes e locais fechados, em 1995 — ambas antes das leis federais sobre os temas. Inclui também o reforço da presença da Rota, grupo especial da Polícia Militar, nas ruas, conhecida por ações duras contra o crime.

Sucessão do malufismo no PP nunca mais foi a mesma após racha com Pitta

O malufismo começou a se esvaziar dentro do próprio PP já na sucessão de Maluf à frente da legenda, na virada dos anos 1990 para os anos 2000 e, desde então, nunca mais foi o mesmo. Maluf indicou Celso Pitta, então secretário de Finanças na prefeitura de São Paulo, para disputar a eleição municipal.

Pitta venceu e foi o sucessor de Maluf na administração municipal. O apadrinhamento virou o principal capital político de Pitta, mas a relação ruiu publicamente no início de 2000. A então esposa de Pitta, Nicéia Pitta, denunciou o prefeito por traição e por liderar esquemas de irregularidades na gestão municipal.

O depoimento na TV virou um dos episódios de maior repercussão e crise institucional da política paulistana. O desgaste de Pitta atingiu a própria continuidade política de Maluf, que havia atrelado publicamente o apoio ao slogan: "votem no Pitta e, se ele não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim".

A militância que sustentou a ascensão dos dois se desmobilizou e ali começou o enfraquecimento do PP como força eleitoral própria em São Paulo. É esse esvaziamento que Alberto tenta reverter em nome do primo político.

O Progressistas era em São Paulo fortemente dependente da figura de Maluf e nunca mais teve uma figura com essa liderança política no estado.

Leandro Consentino, cientista político do Insper

Questionado sobre o espaço que o malufismo encontra em São Paulo hoje, estado governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), Alberto Haddad diz apoiar o governador. Tarcísio também é engenheiro e tem a gestão marcada pela entrega de obras, mas, para Alberto, não há paralelo entre ele e Maluf. "É a mesma coisa que a gente pegar o Pelé, que foi o melhor, e comparar com qualquer outro grande jogador, não existe comparação".

Legado de obras de Maluf sustenta a narrativa do candidato

Alberto Maluf define o malufismo como um "estado de espírito" inspirado na trajetória do primo que foi prefeito de São Paulo, governador do estado, presidente da Caixa Econômica Federal e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "É quem quer obras, quer infraestrutura, quer projetos com visão de futuro, quer dinamismo no serviço público, é um agente público que trabalha sete dias por semana, 16 horas por dia, que dorme tarde, acorda cedo, trabalha muito", diz ele.

Ao listar o legado do parente político, ele cita números como 998 escolas, 424 creches, 20 mil quilômetros de estradas asfaltadas e 350 mil moradias populares, além de obras como o Túnel Ayrton Senna, o Terminal Rodoviário do Tietê, o Aeroporto de Guarulhos, quatro hidrelétricas e a linha vermelha do metrô paulistano. Os números constam em materiais de divulgação usados por Maluf ao longo dos anos.

Parte desse legado é anterior à própria carreira de Alberto e remonta à gestão de Paulo Maluf entre o fim dos anos 1980 e o início de 1990. Na época, priorizar obras estruturais — muitas subterrâneas, de baixa visibilidade imediata — chegou a soar excêntrico para parte da opinião pública.

Um exemplo citado é a construção do Piscinão do Pacaembu, o primeiro da cidade. O reservatório subterrâneo de águas pluviais foi um marco ao pôr fim aos alagamentos recorrentes na região e ser replicado por outras gestões.

Alberto rejeita associação entre malufismo e corrupção

Questionado sobre o lema histórico "rouba, mas faz" e os desvios de recursos públicos pelos quais Paulo Maluf foi condenado, Alberto cita argumentos orçamentários. A resposta lembra as do parente à imprensa da época: frequentemente desviavam o foco da acusação e citavam números de realizações.

"Ele é atacado porque fez", diz Alberto, afirmando que o orçamento estadual sob a gestão Maluf era cerca de 30 vezes menor que nos últimos dez anos de governo, e o municipal, cerca de seis vezes menor. "Está lançado o desafio: onde houve mau feito? Em absoluto, eu rejeito totalmente esse título", afirma.

Ele cita ainda a Operação Faria Lima e o Túnel Ayrton Senna como obras bancadas pela venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac), sem uso direto de recursos do contribuinte, e diz que Maluf teve as contas de prefeito e de governador aprovadas pelos tribunais de contas.

O histórico judicial não sustenta essa versão. Segundo o Ministério Público de São Paulo, Maluf desviou 300 milhões de dólares — cerca de R$ 1,68 bilhão — da cidade entre 1993 e 1996, quando foi prefeito pela segunda vez. Parte desse montante veio justamente de obras hoje citadas como legado, caso do Túnel Ayrton Senna e da Avenida Água Espraiada, atual Jornalista Roberto Marinho.

Em 2025, a família fechou acordo para devolver R$ 210 milhões, o que ainda deixa cerca de R$ 784 milhões não ressarcidos. Há outros R$ 165 milhões do político bloqueados e que são disputados no STF entre o MP-SP e a União.

Na esfera criminal, Maluf foi condenado pelo STF em 2017 a sete anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro, pena extinta em 2023 com base no indulto de Natal assinado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Também foi condenado na França e responde a ordem de prisão da justiça de Nova York, ambos por lavagem de dinheiro.

Para o cientista político Leandro Consentino, o resgate de Paulo Maluf está ligado ao que elevou a corrente nos anos de auge: "O malufismo era uma das várias expressões personalistas e populistas que o Brasil viveu, forte eleitoralmente no estado de São Paulo e caracterizado por uma expressão conservadora e focada em resultados, sem grande preocupação com a dimensão democrática ou ética", diz.

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