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Eleições 2026

Esquerda aproveita impasse no PL e ganha espaço na corrida ao Senado em São Paulo

Senado em SP: trio de cotados da esquerda tem Tebet, França e Marina Silva.
Tebet e Marina Silva são cotadas para formar chapa feminina; França pode ficar com vice de Haddad. (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Lula Marques/Agência Brasil; José Cruz/Agência Brasil e Vinicius Loures / Câmara dos Deputados))

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Enquanto a substituição de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na disputa para o Senado segue indefinida, as pré-candidaturas de esquerda se consolidam com nomes do primeiro escalão do governo Lula. Os ex-ministros da gestão petista Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (Rede-SP) e Márcio França (PSB-SP) deixaram o governo federal com a missão de fazer frente à direita, na disputa pelas duas cadeiras do estado de São Paulo.

O plano inicial da direita era lançar o filho “03” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Senado e eleger o segundo nome na carona dos votos de Eduardo, um dos deputados federais mais votados do país nas eleições de 2022. No entanto, a ida do ex-deputado federal para os Estados Unidos, alegando perseguição do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou um vácuo eleitoral na direita paulista, que influencia as pré-candidaturas de partidos aliados.   

Pré-candidato ao Senado pelo Progressistas, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) afirmou que aguarda a confirmação do nome para a composição da chapa. Entre os cotados pelo PL para assumir o posto estão o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, o deputado federal Mário Frias — aliado de Eduardo Bolsonaro — e o vice-prefeito paulistano Coronel Mello Araújo.

“Estou na expectativa pela definição. Lembrando que fui eleito pelo PL e migrei para o Progressistas por estratégia, já que a primeira vaga era do Eduardo. A ideia é fortalecer a direita para conquistar as duas cadeiras”, disse Derrite em entrevista ao programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo.

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O alerta sobre a indefinição soou na direita após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest que aponta para ligeira vantagem do trio de ex-ministros de Lula em São Paulo. Em três cenários estimulados, Tebet tem 14% das intenções de voto, seguida por Márcio França com 12%. No cenário sem França e com Marina Silva, a ex-ministra do Meio Ambiente também alcança 12% da preferência do eleitorado na disputa para saber quem será o segundo nome na chapa encabeçada por Tebet.

No limite da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, Derrite aparece tecnicamente empatado com França e Marina, com 8%. Ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e aliado do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Derrite aposta no voto conservador do eleitor paulista. “À medida que o quadro de candidaturas se definir e o voto da direita deixar de se dispersar entre múltiplos nomes, a tendência é de concentração em quem já tem a maior pontuação”, analisou.

Pré-candidato ao Senado pelo Novo, o deputado federal Ricardo Salles teve 6% da intenção de votos em dois cenários estimulados. Para ele, o partido da família Bolsonaro deveria apoiar os pré-candidatos de direita já consolidados na disputa pelas duas cadeiras paulistas ao Senado. “Qualquer nome que o PL lance ao Senado em São Paulo só vai servir para dividir a direita, que já tem dois candidatos mais bem posicionados do que qualquer dos nomes cogitados”, disse Salles à Gazeta do Povo.

Na última pesquisa Genial/Quaest, André do Prado foi nome do PL testado pelo levantamento. A preferência do eleitorado alternou entre 5% e 7% nos cenários estimulados. Procurada pela Gazeta, a assessoria do deputado estadual informou que ele não vai comentar o resultado e as tratativas do partido na escolha do pré-candidato.

  • Metodologia da pesquisa citada: A pesquisa ouviu 1.650 pessoas entre os dias 23 e 27 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº SP-03583/2026.      

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Tebet e Marina Silva são cotadas para formar chapa feminina na esquerda

A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet migrou do MDB do Mato Grosso do Sul para o PSB de São Paulo para reforçar a campanha à reeleição de Lula no maior colégio do país e a pré-candidatura de Fernando Haddad (PT-SP) ao governo paulista.   

Além da ex-senadora pelo MS, a deputada federal Marina Silva também surge como pré-candidata ao Senado na chapa da esquerda que pode ter duas mulheres. Assim como Tebet, Marina tem origem em outro estado da federação. Foi senadora pelo Acre até 2010 e disputou três eleições presidenciais. Em 2022, foi eleita deputada federal pela Rede em São Paulo.  

França, antigo aliado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP), foi governador de São Paulo em 2018, mas corre por fora na disputa interna da esquerda pelo Senado e pode ficar com a vaga de candidato a vice-governador na chapa com o PT.

Segundo apuração da Gazeta do Povo, os pré-candidatos ao Senado devem ser definidos pela frente de partidos de esquerda até o fim de maio. Além disso, com a recusa da ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) Teresa Vendramini (PDT-SP) em ocupar a vaga de vice de Haddad, a coligação pode reforçar a presença feminina na chapa ao Senado, levando França para composição petista ao Palácio dos Bandeirantes.

A pressão da federação Rede-PSOL também pode pesar em favor de Marina Silva na construção da chapa em oposição à reeleição do governador Tarcísio de Freitas, além da disputa pelo Senado, que ganhou protagonismo eleitoral neste ano por causa da renovação de dois terços da Casa.

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