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Eleições 2026

Reestatização da companhia de água vira pauta na campanha em SP

PSOL lidera campanha por reestatização da Sabesp enquanto governo Lula defende papel do setor privado no saneamento.
Saneamento básico e privatização da Sabesp entraram na disputa entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas pelo governo de São Paulo. (Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda)

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Com o slogan "o lucro é deles, a conta é sua", uma campanha pela reversão da privatização da Sabesp coleta assinaturas e, até esta quinta-feira (20), tinha 17.846 adesões diante da meta de 50.000.

Batizada de "Reestatiza Sabesp", a campanha foi lançada em maio por parlamentares e militantes do PSOL em São Paulo e é encabeçada por Juliano Medeiros, candidato a deputado estadual pelo partido.

Procurado, Juliano Medeiros afirmou que a reestatização é a única alternativa para garantir o controle social de um bem fundamental que é a água.

"O Marco Legal do saneamento representa um retrocesso para o país, esperar que o setor privado resolva uma demanda essencial como água e saneamento é confiar as galinhas à raposa", complementou.

Governo Lula reconhece que iniciativa privada é essencial para a universalização do saneamento

Apesar do discurso ser feito e apoiado por parlamentares do PSOL, partido que compõe a coligação pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela eleição de Fernando Haddad (PT) no estado de São Paulo, integrantes do próprio governo Lula reconhecem que a universalização do saneamento básico depende da iniciativa privada.

"O Brasil entendeu que o setor privado é extremamente importante e as disputas ideológicas estão superadas. Esse é um país onde governos de centro-esquerda e governos de direita fomentam as concessões e as PPPs, porque o país não tem espaço fiscal para o setor público fazer tudo e a gente entendeu isso", disse Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES. 

O ministro das Cidades, Vladimir Lima, afirmou que não existe universalização sem cooperação. "Temos que estar juntos, público e privado, com o objetivo comum de chegar em quem mais precisa. A ampliação e a diversificação de fontes de financiamento e a atração de capital são importantes e contribuem para a eficiência operacional e o atendimento ao cidadão", complementou.

Ambas as afirmações foram feitas durante o Saneamento Brazil Summit, evento sobre saneamento básico promovido pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON) no dia 12 de agosto, na Faria Lima, em São Paulo.

Cientista político alerta para aumento da rejeição à privatização

Apesar do consenso dentro do setor sobre o papel do capital privado, Fernando Schüler, cientista político e professor do Insper, levantou uma preocupação: que a sociedade esteja ficando mais contrária à privatização da Sabesp.

Schüler citou pesquisas realizadas pelo Instituto Datafolha, segundo as quais o índice de pessoas em São Paulo favoráveis à privatização da Sabesp diminuiu nos últimos três anos. Em abril de 2023, elas eram 40% e, em julho de 2026, 34%.

"Me preocupa muito que em três anos, com todo o investimento e os ganhos feitos [no saneamento], tenha aumentado o número de pessoas que têm uma visão negativa desse processo de privatização", disse Schüler.

De acordo com o cientista político, não será possível acelerar o processo de privatização no país se não houver avanços no entendimento relativo a esse processo. “Mas é preciso um longo caminho, porque o mundo político é reativo à opinião pública. Temos um desafio de educação política nos próximos anos", pontuou.

Em relação às privatizações, Schüler ainda explicou que o desafio das eleições em 2026 é "evitar um gap de incerteza no início das próximas gestões". Ele citou os debates eleitorais realizados pela TV Band no último domingo (9), durante os quais visões preconceituosas sobre o tema tiveram lugar no discurso dos candidatos. 

"A gente vê nos debates estaduais alguns velhos preconceitos, algumas questões mal-entendidas. Os marqueteiros talvez ainda explorem essas questões antigas", afirmou Schüler.

No debate entre os candidatos ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad afirmou que uma "onda privatista" tomou conta da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), incluindo a da Sabesp. Em resposta, Tarcísio afirmou que a privatização não é feita "por fazer". "A gente faz a privatização, às vezes, por necessidade", disse o governador.

Metodologia das pesquisas citadas:

  • julho/2026: 1.608 entrevistados pelo Instituto Datafolha do dia 1 a 3 de julho de 2026, no estado de São Paulo. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Registro no TSE nº SP-01703/2026.
  • abril/2023: 1.806 entrevistados pelo Instituto Datafolha do dia 3 a 5 de abril de 2023, em 65 municípios no estado de São Paulo. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

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