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Com o slogan "o lucro é deles, a conta é sua", uma campanha pela reversão da privatização da Sabesp coleta assinaturas e, até esta quinta-feira (20), tinha 17.846 adesões diante da meta de 50.000.
Batizada de "Reestatiza Sabesp", a campanha foi lançada em maio por parlamentares e militantes do PSOL em São Paulo e é encabeçada por Juliano Medeiros, candidato a deputado estadual pelo partido.
Procurado, Juliano Medeiros afirmou que a reestatização é a única alternativa para garantir o controle social de um bem fundamental que é a água.
"O Marco Legal do saneamento representa um retrocesso para o país, esperar que o setor privado resolva uma demanda essencial como água e saneamento é confiar as galinhas à raposa", complementou.
Governo Lula reconhece que iniciativa privada é essencial para a universalização do saneamento
Apesar do discurso ser feito e apoiado por parlamentares do PSOL, partido que compõe a coligação pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela eleição de Fernando Haddad (PT) no estado de São Paulo, integrantes do próprio governo Lula reconhecem que a universalização do saneamento básico depende da iniciativa privada.
"O Brasil entendeu que o setor privado é extremamente importante e as disputas ideológicas estão superadas. Esse é um país onde governos de centro-esquerda e governos de direita fomentam as concessões e as PPPs, porque o país não tem espaço fiscal para o setor público fazer tudo e a gente entendeu isso", disse Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES.
O ministro das Cidades, Vladimir Lima, afirmou que não existe universalização sem cooperação. "Temos que estar juntos, público e privado, com o objetivo comum de chegar em quem mais precisa. A ampliação e a diversificação de fontes de financiamento e a atração de capital são importantes e contribuem para a eficiência operacional e o atendimento ao cidadão", complementou.
Ambas as afirmações foram feitas durante o Saneamento Brazil Summit, evento sobre saneamento básico promovido pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON) no dia 12 de agosto, na Faria Lima, em São Paulo.
Cientista político alerta para aumento da rejeição à privatização
Apesar do consenso dentro do setor sobre o papel do capital privado, Fernando Schüler, cientista político e professor do Insper, levantou uma preocupação: que a sociedade esteja ficando mais contrária à privatização da Sabesp.
Schüler citou pesquisas realizadas pelo Instituto Datafolha, segundo as quais o índice de pessoas em São Paulo favoráveis à privatização da Sabesp diminuiu nos últimos três anos. Em abril de 2023, elas eram 40% e, em julho de 2026, 34%.
"Me preocupa muito que em três anos, com todo o investimento e os ganhos feitos [no saneamento], tenha aumentado o número de pessoas que têm uma visão negativa desse processo de privatização", disse Schüler.
De acordo com o cientista político, não será possível acelerar o processo de privatização no país se não houver avanços no entendimento relativo a esse processo. “Mas é preciso um longo caminho, porque o mundo político é reativo à opinião pública. Temos um desafio de educação política nos próximos anos", pontuou.
Em relação às privatizações, Schüler ainda explicou que o desafio das eleições em 2026 é "evitar um gap de incerteza no início das próximas gestões". Ele citou os debates eleitorais realizados pela TV Band no último domingo (9), durante os quais visões preconceituosas sobre o tema tiveram lugar no discurso dos candidatos.
"A gente vê nos debates estaduais alguns velhos preconceitos, algumas questões mal-entendidas. Os marqueteiros talvez ainda explorem essas questões antigas", afirmou Schüler.
No debate entre os candidatos ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad afirmou que uma "onda privatista" tomou conta da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), incluindo a da Sabesp. Em resposta, Tarcísio afirmou que a privatização não é feita "por fazer". "A gente faz a privatização, às vezes, por necessidade", disse o governador.
Metodologia das pesquisas citadas:
- julho/2026: 1.608 entrevistados pelo Instituto Datafolha do dia 1 a 3 de julho de 2026, no estado de São Paulo. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Registro no TSE nº SP-01703/2026.
- abril/2023: 1.806 entrevistados pelo Instituto Datafolha do dia 3 a 5 de abril de 2023, em 65 municípios no estado de São Paulo. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos.







