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Pacto de impunidade?

5 ações do “sistema” para blindar Lula e o PT de apurações de corrupção

Lula Lulinha
Lula diz acreditar na inocência de Lulinha, investigado pela PF, mas afirma que não usará o cargo para protegê-lo. (Foto: Andre Borges/EFE)

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A engrenagem institucional brasileira passa por um processo de articulação para proteger o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Partido dos Trabalhadores de sobressaltos judiciais e desgaste político por causa de escândalos de corrupção.

A avaliação é de especialistas ouvidos pela reportagem. Eles veem o aparato de Estado operando para erguer uma blindagem contra os escândalos e apurações inconvenientes ao projeto de poder petista.

O que se desenhava como atos isolados de defesa política de Lula consolidou-se em um esforço que abrange desde a Advocacia-Geral da União (AGU) aos bastidores do Congresso Nacional.

A teia de proteção estende-se pela gestão da Procuradoria-Geral da República (PGR), Supremo Tribunal Federal (STF) e pelas sofisticadas estratégias de comunicação de crise.

Para o cientista político e professor de pós-graduação da Damásio Educacional, Elias Tavares, a convergência de interesses entre os Poderes do país é o fator responsável pela blindagem entorno do governo Lula.

“Isso não significa necessariamente que exista uma grande mesa em que todas essas instituições estejam combinando uma estratégia. Mas existe algo muito importante: convergência de interesses, relações políticas e uma enorme capacidade de articulação de quem hoje ocupa a Presidência”, apontou.

Mendonça é pressionado no STF enquanto investiga aliados de Lula

O ministro André Mendonça vem sofrendo pressões no STF enquanto conduz investigações envolvendo o Banco Master e o escândalo de desvios de recursos do INSS.

No caso Master, o ministro enfrenta pressão dos pares, especialmente do ministro Gilmar Mendes. Há dois meses, Mendes colocou a investigação sob suspeita valendo-se de argumentos semelhantes ao que usou para acabar com a operação Lava Jato. Ele disse que era preciso evitar suspeitas e nulidades nas apurações.

Mendonça disse em sessão do STF que "certos atores atuam para criar um vício” nas investigações do Master. “Há um sistema articulado para isso. Não sou cego, estou acompanhando, assistindo aos movimentos”, afirmou.

No caso da investigação sobre o INSS, quando as apurações começaram a se aproximar do filho do presidente Lula, Fábio Luiz, o Lulinha, o inquérito foi fatiado pela Polícia Federal em três partes. O órgão pediu diretamente à Presidência do STF, sem passar por Mendonça, que novos relatores fossem sorteados. O movimento foi interpretado por analistas como uma tentativa de tirar a apuração das mãos de Mendonça.

Mas a suposta manobra de blindagem naufragou parcialmente quando o sistema sorteou o próprio ministro André Mendonça para relatar dois dos processos, nos quais Lulinha é investigado. Um terceiro processo caiu com o ministro Flávio Dino.

Lulinha é investigado pelo crime de tráfico de influência. Sua defesa vem negando o crime e afirmando que conversas de seu cliente encontradas no telefone celular de outra suspeita foram tiradas de contexto.

Lula tem dito que o filho deve se defender e que, caso seja inocente, precisa provar sua condição. Se for culpado, precisa responder pelos seus atos.

Troca de delegados e acionamento da AGU nas investigações contra Lulinha

Delegados e policiais da PF que trabalhavam nas investigações do INSS que levaram ao nome de Lulinha foram trocados ao menos três vezes ao longo das apurações, por decisão da própria instituição.

O ministro Mendonça então passou a exigir que qualquer mudança na equipe responsável pelo caso seja previamente submetida à sua autorização. Devido a atritos com a PF, ele também determinou que todo o material apreendido, incluindo documentos brutos e informações obtidas ao longo das diligências no caso INSS que possam envolver Lulinha, fosse enviado ao seu gabinete.

A medida se soma a uma decisão do ministro do começo do ano de que os detalhes das operações não fossem repassados à cúpula da PF, que é liderada por um indicado político, Andrei Rodrigues.

A reação da PF foi acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para atuar na contenção das determinações impostas por André Mendonça.

O órgão jurídico interveio para contestar no Supremo a exigência de comunicação prévia sobre a troca de delegados da PF encarregados de inquéritos delicados ao governo.

O uso da estrutura da AGU nesse contexto evidencia o desvio do seu papel constitucional de defesa do Estado para a tutela de interesses político-partidários do presidente Lula, de acordo com analistas independentes.

Ao criar teses para neutralizar despachos do relator, a advocacia pública foi instrumentalizada para impor barreiras operacionais ao avanço das apurações sobre o filho do presidente.

PGR defende aliados de Lula contra investigações

Sob a liderança de Paulo Gonet, a Procuradoria-Geral da República assumiu uma postura acentuadamente contida diante de operações de grande impacto político.

A atuação da chefia do Ministério Público Federal tem funcionado como um filtro burocrático para desacelerar o ritmo de inquéritos e esvaziar o ímpeto punitivo sobre os aliados do Planalto.

No Caso do Banco Master, por exemplo, a PF solicitou autorização para realizar buscas no gabinete do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Gonet negou o pedido.

O ministro André Mendonça contrariou o parecer da PGR e autorizou a entrada dos investigadores no gabinete de Wagner, onde a PF apreendeu joias e dinheiro em espécie.

Em outro episódio da Operação Sem Desconto, a PGR tentou impedir que os investigadores avançassem sobre o senador Weverton Rocha (PDT-MA), articulador político de Lula.

Mendonça ignorou o veto da PGR e autorizou o cumprimento das buscas na casa do parlamentar, onde os agentes apreenderam um celular contendo fotos de políticos governistas com um operador do esquema.

“O Brasil tem instituições constitucionalmente constituídas para realizar investigações e responsabilizar corruptos, dentre essas, a de maior envergadura é a PGR, que possui competências extensas e de grande importância. Ao analisar as notícias que são publicadas nos principais jornais do país, fica a impressão de que a PGR poderia atuar de forma mais célere e enérgica na responsabilização de atos de corrupção”, afirmou o especialista em segurança e presidente da Associação dos Oficiais da PM do Paraná, Alex Erno Breunig.

Lula tem apoio de Motta e Alcolumbre contra instalação da CPI do Master

No Poder Legislativo, suspeitas de blindagem contra investigações de corrupção baseiam-se na contenção sistemática do poder fiscalizador do Congresso.

Na Câmara dos Deputados, a gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB) recusa-se a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master, apesar da oposição ter reunido as assinaturas necessárias para a abertura.

Na Mesa Diretora, além desse há outros 15 requerimentos de CPIs travados. Essas comissões não investigariam apenas aliados de Lula, mas todos os possíveis suspeitos, inclusive ligados à oposição. Mas a recente declaração de apoio de Motta à candidatura de Lula levantou suspeitas entre seus críticos de que a contenção da CPI do Master poderia favorecer o presidente em um contexto mais amplo.

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) reaproximou-se do Planalto após meses de atrito por indicações ao STF e pautas econômicas.

Logo após reuniões de alinhamento com Lula, o Senado aprovou o PLP 114/2026, de desoneração dos combustíveis, e Alcolumbre anunciou o destravamento de pautas prioritárias para o governo, pacificando o ambiente parlamentar em favor do Planalto. Porém, pedidos de CPIs para investigar a corrupção também não tiveram andamento.

Comunicação do governo foca em temos diversos da corrupção

As máquinas de comunicação governamental e do PT utilizam a tática da narrativa de criar um inimigo externo nos Estados Unidos e de divulgar políticas populistas, como o fim da escala de trabalho 6x1, para desviar a atenção das denúncias de corrupção contra Lulinha e aliados do PT.

Sempre que relatórios policiais ganham repercussão, o aparato petista tenta impor na mídia e nas redes sociais pautas de forte apelo ideológico e conflitos institucionais para se sobrepor à repercussão dos escândalos.

A estratégia mais comum, segundo analistas, tem sido proliferar medo contra inimigos externos imaginários entre a população. O método apoia-se em investir em embates diplomáticos inflados com lideranças internacionais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da Argentina, Javier Milei.

O cientista político Antônio Testa destaca o investimento do PT para direcionar a comunicação e dominar a narrativa pública diante de denúncias.

“A gestão da comunicação política do PT é bem profissional e cara. O discurso falacioso de Lula e dos aliados revela uma articulação bem engendrada para manter o controle da narrativa. Lula gasta milhões para disseminar mentiras, como se fossem valores cívicos”, disse.

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