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O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, afirmou nesta terça-feira (1º) que não reconhece Dias Toffoli como ministro e anunciou que não pretende participar de reuniões ou despachos com o magistrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Eu sequer reconheço o Toffoli como ministro. Eu acho que ele está ocupando uma posição ilegítima, não só na Suprema Corte, mas hoje no TSE”, disse durante coletiva de imprensa.
A declaração ocorre um dia depois de Toffoli determinar restrições à campanha de Renan.
O ministro proibiu a divulgação de propaganda eleitoral em perfis que a chapa não informou à Justiça Eleitoral no momento do registro, suspendeu novos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e proibiu a participação da chapa em debates, entrevistas e sabatinas.
A decisão também resultou na retirada de contas de Renan do TikTok, Instagram e YouTube.
A chapa de Renan Santos e seu vice, Aroldo Medina, apresentou o pedido de registro da candidatura ao TSE em 7 de agosto.
Segundo a decisão de Toffoli, a chapa informou posteriormente, em 19 de agosto, 18 perfis em redes sociais que utilizaria na campanha.
O ministro apontou possíveis irregularidades no procedimento e determinou esclarecimentos sobre o caso.
Antes da decisão, a Procuradoria-Geral Eleitoral havia se manifestado favoravelmente ao registro da candidatura.
Renan sustenta que a inclusão posterior das contas ocorreu por problemas técnicos e pela falta de clareza no sistema do TSE.
“Cassação branca”
Durante a coletiva, Renan voltou a classificar a decisão como uma “cassação branca”.
Segundo ele, embora Toffoli não tenha cassado formalmente sua candidatura, as restrições impostas pelo ministro inviabilizam os principais instrumentos de divulgação da campanha.
“Eu ainda continuo candidato, mas eu não posso fazer nada que um candidato faz”, afirmou.
Para o presidenciável, a medida produz um prejuízo especialmente grande porque sua campanha depende das redes sociais e não dispõe de tempo de televisão.
Renan afirmou que a equipe precisou cancelar uma série de sabatinas que estavam previstas para esta semana. Citou compromissos com Jovem Pan, CNN e Estadão, entre outros veículos.
“Eu não tenho tempo de televisão, não há campanha que dispõe de tempo de TV. Então, no momento que eu preciso das sabatinas, preciso do espaço e até isso me é negado”, disse.
Renan anuncia mandado de segurança
O candidato afirmou que sua campanha apresentou um mandado de segurança no TSE com pedido de liminar para tentar recuperar as contas e restabelecer sua campanha digital.
“Hoje, nós ingressamos com mandado de segurança com pedido de liminar”, afirmou. Segundo Renan, a medida se soma ao pedido para que o plenário da Corte analise a decisão de Toffoli.
Ele disse esperar que o TSE reverta a decisão. “Eu confio na Justiça, eu confio no espírito republicano dos ministros do TSE”, declarou.
Ao mesmo tempo, o candidato criticou a possibilidade de Toffoli encaminhar o caso ao Ministério Público Eleitoral antes de submetê-lo ao plenário. Segundo Renan, isso poderia atrasar uma decisão sobre sua situação.
“Parece-me uma medida protelatória da parte dele para que eu perca mais um, dois, três dias”, afirmou.
Para Renan, a demora teria impacto significativo sobre sua campanha. “Esta eleição é uma eleição de tiro curto”, disse.
Ele afirmou que, antes da suspensão, apenas seu perfil no Instagram havia alcançado cerca de 15 milhões de visualizações no último dia de funcionamento.
Recusa de reunião com Toffoli
Renan também anunciou que seu advogado não participará de uma reunião que a campanha solicitou ao gabinete de Toffoli.
Segundo o candidato, a equipe solicitou o despacho no domingo, antes de o ministro restringir sua campanha.
Ele afirmou que a equipe decidiu cancelar o encontro por considerar “anômala” a sequência de decisões envolvendo o ministro.
“Eu não vou participar de algo anômalo. Nosso advogado também não vai participar”, disse.
Na coletiva, Renan relacionou a decisão de Toffoli às críticas que vem fazendo ao ministro e às manifestações promovidas pelo MBL e pelo partido Missão relacionadas ao Banco Master.
“Eu não consigo colocar isso apenas no campo da coincidência”, afirmou.
Renan também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes e disse que os dois ministros deveriam deixar o STF.
Pedidos de impeachment contra Toffoli e Moraes
Além das medidas judiciais, Renan anunciou que pretende protocolar pedidos de impeachment contra Toffoli e Moraes no Senado.
“O impeachment será protocolado”, afirmou. Segundo ele, o pedido contra Moraes será o quinto apresentado à Casa.
Renan também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por não dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O candidato disse que pretende pressionar o senador para que algum dos pedidos seja analisado.
“Se você (Alcolumbre) assim não fizer, eu já anuncio que eu estou indo para o estado do Amapá na posição de candidato a Presidente da República para fazer campanha não só contra a sua figura [...] mas contra os seus aliados políticos do seu estado”, declarou.
Atos em mais de 80 cidades
Renan afirmou ainda que a campanha pretende ampliar a mobilização nas ruas para compensar a restrição às redes sociais. Segundo ele, estavam previstos atos em mais de 80 cidades e em 25 estados.
Em São Paulo, o ato foi marcado para as 19 horas, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP).
De acordo com o candidato, a manifestação inicialmente convocada para defender sua candidatura passou a ter como foco também os pedidos de impeachment contra Toffoli e Moraes.
“Isso aqui não é sobre a minha candidatura”, afirmou. “Essa manifestação de hoje sequer vai ser sobre minha candidatura, é sobre o que está acontecendo agora no Brasil.”
Renan disse ainda que candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema estão convidados a participar da manifestação. Segundo ele, o objetivo é ampliar o movimento para além da própria candidatura.
“Vou fazer tudo o que for possível”
Apesar das restrições, Renan afirmou que pretende continuar participando de entrevistas, podcasts e outros espaços de comunicação.
“Qualquer podcast que me convidar, qualquer veículo que me convidar, eu estarei presente”, afirmou.
Questionado sobre o risco de perder definitivamente a candidatura, Renan disse que pretende continuar recorrendo à Justiça e realizando campanha nas ruas.
“Se for o caso de eu perder minha candidatura, eu vou lutar até o fim na justiça e nas ruas. Se precisar fazer campanha panfletando, eu farei”, declarou.
O candidato também afirmou que não pretende recuar das críticas ao STF para preservar sua candidatura.
“Nós não vamos nos reunir e nós não vamos ceder em nada do que nós falamos, em nada do que nós fizemos”, disse.
Para Renan, uma eventual confirmação da decisão de Toffoli poderia criar um precedente para outros candidatos que também tenham informado contas de redes sociais posteriormente ao registro.
Ele citou levantamentos que, segundo sua campanha, identificaram mais de 6 mil candidaturas com algum tipo de problema no preenchimento das informações.
“Se o precedente for gerado, é um precedente que acaba com as eleições de 2026”, afirmou.








