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O uso crescente das inúmeras ferramentas de inteligência artificial (IA) tem colocado pressão sobre o sistema elétrico em todo o mundo e forçado as empresas de tecnologia e governos a buscarem soluções que equilibrem a implantação de novos data centers e o fornecimento contínuo de energia elétrica.
De acordo com o relatório Key Questions on Energy and AI, publicado neste mês pela Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda global de energia para data centers cresceu 17% em 2025, sendo que o consumo de data centers voltados para IA aumentou ainda mais: 50%.
Essa diferença se refere à quantidade de operações que os computadores precisam fazer simultaneamente para entregar os resultados aos usuários. Trata-se de uma demanda de processamento mais alto do que a de servidores que servem para armazenar dados, como as nuvens.
Com novos projetos de data centers sendo lançados a todo momento pelas grandes empresas de tecnologia, a IEA estima que a demanda de eletricidade dessas estruturas deve dobrar até 2030. No caso dos data centers de inteligência artificial, a tendência é triplicar no mesmo período. Isso significa que 3% de toda a demanda por energia no mundo será dessas estruturas.
Esses números só não são maiores porque o consumo de energia por tarefas de IA estão caindo, o que comprova, segundo a IEA, que há uma melhora na eficiência energética dos data centers. Soma-se a isso o fato de que as empresas de tecnologia estão buscando alternativas para não dependerem da estrutura atual de geração e distribuição de energia.
Por contra própria, essas companhias estão assinando contratos de compra de energia renovável e investindo em fontes próprias, incluindo reatores nucleares e geotérmicas. O volume de contratos de compra de reatores modulares pequenos cresceu de 25 GW em 2024 para 45 GW no fim do ano passado.
“Agora, vemos que, embora a IA ainda seja uma grande consumidora de energia, ela também está se tornando uma geradora de energia, impulsionando soluções inovadoras como reatores nucleares de última geração, centros de dados flexíveis e armazenamento de energia de longa duração”, aponta o diretor executivo da IEA, Fatih Birol.
Demanda de energia para data centers no Brasil pode aumentar mais de dez vezes
O relatório da IEA não detalha a demanda específica do Brasil, mas o Ministério de Minas e Energia (MME) estima que neste ano deve haver um acréscimo de carga de 304 MW para atender à demanda dos data centers no país em 2026. Até 2030, o acréscimo pode chegar a 3.457 MW. Ou seja, um aumento de mais de dez vezes.
De acordo com a 1ª Revisão Quadrimestral do Plan 2026-2030 do relatório de previsões de carga do Operador Nacional do Sistema (ONS), da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 22 contratos de fornecimento de energia específicos para data centers já foram assinados e 18 tiveram pedidos de acesso favoráveis.
“O consumo de energia deve continuar crescendo, e os data centers devem representar uma parcela significativa dessa demanda. Para isso, o Brasil precisa se inspirar em boas práticas internacionais, aprender com esses modelos e agir com rapidez para evitar gargalos e capturar as oportunidades que virão”, avalia o CEO da Thymos Energia, João Carlos Mello.
Segundo ele, a escolha do local para instalação dos data centers é fundamental não só para as empresas de tecnologia, mas também para o sistema elétrico como um todo. Estar perto de fontes de energia, especialmente renováveis, é decisivo para o fornecimento confiável, constante e com baixa emissão de carbono.












