
Da função de árbitro ele pretende importar a capacidade de lidar com as pessoas, trabalhar sob pressão e de absorver as críticas. Do currículo como mestre e doutor em Educação Física viriam a ciência, a pesquisa e o planejamento. Evandro Rogério Roman, 37 anos, sem vinculação partidária, planeja uma gestão técnica na Secretaria Especial de Esporte do Paraná.
Logo na primeira semana de trabalho à frente da pasta, o árbitro da Fifa já descobriu que a vida não será nada fácil dentro de um gabinete talvez pior que ouvir xingamentos quando está com o apito.
"Quem trabalhava aqui fazia milagre. Nossa estrutura é pequena. Temos 15 técnicos esportivos pelo estado. É impossível trabalhar assim. Precisamos aumentar esse quadro", conta.
Apesar da triste constatação de que sua área faz parte do baixo escalão político, ele já traçou algumas diretrizes. A concentração de esforços, diz o secretário, será na descoberta de talentos esportivos e criação de uma espécie de Olimpíada regional.
Mas um ponto chama mais a atenção na plataforma. "Outro objetivo é desenvolver modalidades individuais que são pouco trabalhadas nas escolas", antecipa.
Esgrima, tae kwon do, natação, ciclismo, remo, canoagem, ginástica, atletismo, judô e tiro são algumas práticas com esse perfil e já com algum polo de desenvolvimento no estado (leia mais na página 3). Jogos Colegiais, Estudantis e Abertos, retomados pela administração anterior, devem ser mantidos em um primeiro momento.
Mas para materializar tudo isso, Roman precisará de habilidade para lidar com um orçamento vinculado. Se a autarquia da gestão Roberto Requião Paraná Esporte era atrelada à pasta da Educação, hoje (como Secretaria Especial) terá as finanças dependentes da Casa Civil e de outras secretarias.
"Posso garantir que o sucesso esportivo no Paraná passa pela união destas quatro áreas: Esporte, Educação, Saúde e Família e Desenvolvimento Social", prevê. "Serão trabalhos conjuntos e as vaidades terão de ser dirimidas", alerta.
Sem o caixa definido e os integrantes do seu organograma ainda não nomeados, o novo secretário não pode antecipar muitas ações nos próximos 90 dias. "Temos liberdade para traçar nossas metas. Mas quando forem definidas seremos cobrados por elas. Por isso teremos muita cautela e a algumas mudanças serão colocadas em prática só em 2012", explica.
Sem nenhuma experiência na função, Roman se vê na década do esporte no Brasil e até se arrisca a sonhar alto. "O país receberá uma série de competições e o esporte ganha ainda mais importância", afirma. "As ações precisam ser a longo prazo. E não apenas até a Olimpíada do Rio. Temos de apontar para 2020, focados em 2016".
A atmosfera de grandes eventos irá refletir nas estratégias adotadas pela entidade e que possam gerar resultados mesmo após os quatro anos de mandato. Buscar talentos e lapidá-los para estarem no auge de suas formas técnicas em 2016 é uma delas. Outra é criar, a partir de 2012, os Jogos de Alto Rendimento. O nome ainda é provisório, mas a intenção é promover esportes olímpicos.
A aprovação de uma Lei Municipal de Incentivo ao Esporte instrumento já existente nas esferas federal e municipal como forma de garantir nova fonte de verbas para projetos esportivos também está na pauta.
Já a presença de equipes de ponta e que disputem competições nacionais não terão apoio público. "Esporte profissional não é uma função do estado. Isso só seria possível com parcerias privadas", diz.
Roman, um gaúcho radicado em Cascavel, defende ainda a necessidade de mais profissionais para incrementar o esporte pelo interior. Para as cidades sem potencial esportivo, identifica a importância de uma ação emergencial.
Pelo cenário inicial, apitar parece mais fácil.



