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Política

À espera de milagres

Evandro Roman, novo secretário estadual de esportes, se depara com estrutura precária para desenvolver ações no estado. Mas, apesar do dinheiro curto, faz planos ambiciosos

Gaúcho radicado em Cascavel, Evandro Rogério Roman já percebeu que terá muita dificuldade para gerir o esporte no Paraná | Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
Gaúcho radicado em Cascavel, Evandro Rogério Roman já percebeu que terá muita dificuldade para gerir o esporte no Paraná (Foto: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo)
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Da função de árbitro ele pretende importar a capacidade de lidar com as pessoas, trabalhar sob pressão e de absorver as críticas. Do cur­­rículo como mestre e doutor em Educação Física viriam a ciência, a pesquisa e o planejamento. Evan­­dro Rogério Roman, 37 anos, sem vinculação partidária, planeja uma gestão técnica na Secretaria Especial de Esporte do Paraná.

Logo na primeira semana de tra­­balho à frente da pasta, o árbitro da Fifa já descobriu que a vida não será nada fácil dentro de um gabinete – talvez pior que ouvir xingamentos quando está com o apito.

"Quem trabalhava aqui fazia milagre. Nos­­sa estrutura é pequena. Temos 15 técnicos esportivos pelo estado. É impossível trabalhar assim. Pre­­cisamos aumentar esse quadro", conta.

Apesar da triste constatação de que sua área faz parte do baixo es­­calão político, ele já traçou algumas diretrizes. A concentração de esforços, diz o secretário, será na des­­coberta de talentos esportivos e criação de uma espécie de Olim­­pía­­da regional.

Mas um ponto chama mais a atenção na plataforma. "Outro ob­­jetivo é desenvolver modalidades individuais que são pouco trabalhadas nas escolas", antecipa.

Esgrima, tae kwon do, na­­tação, ciclismo, remo, canoagem, ginástica, atletismo, judô e tiro são algumas práticas com esse perfil e já com al­­gum polo de desenvolvi­­men­­­­to no estado (leia mais na página 3). Jogos Colegiais, Estu­­dantis e Aber­­­­tos, retomados pela administração anterior, devem ser mantidos em um primeiro momento.

Mas para materializar tudo isso, Roman precisará de habilidade para lidar com um orçamento vinculado. Se a autarquia da gestão Roberto Requião – Paraná Es­­porte – era atrelada à pasta da Edu­­cação, hoje (como Secretaria Especial) terá as finanças dependentes da Casa Civil e de outras secretarias.

"Posso garantir que o sucesso esportivo no Paraná passa pela união destas quatro áreas: Esporte, Educação, Saúde e Família e De­­sen­volvimento Social", prevê. "Se­­rão trabalhos conjuntos e as vaidades terão de ser dirimidas", alerta.

Sem o caixa definido e os integrantes do seu organograma ainda não nomeados, o novo secretário não pode antecipar muitas ações nos próximos 90 dias. "Te­­mos li­­berdade para traçar nossas metas. Mas quando forem definidas seremos cobrados por elas. Por isso te­­re­­mos muita cautela e a algumas mudanças serão colocadas em prática só em 2012", explica.

Sem nenhuma experiência na função, Roman se vê ‘na década do esporte’ no Brasil e até se arrisca a sonhar alto. "O país receberá uma série de competições e o esporte ga­­nha ainda mais importância", afirma. "As ações precisam ser a longo prazo. E não apenas até a Olim­­píada do Rio. Temos de apontar para 2020, focados em 2016".

A atmosfera de grandes eventos irá refletir nas estratégias adotadas pela entidade e que possam gerar resultados mesmo após os quatro anos de mandato. Buscar talentos e lapidá-los para estarem no auge de suas formas técnicas em 2016 é uma delas. Outra é criar, a partir de 2012, os Jogos de Alto Rendimento. O nome ainda é provisório, mas a intenção é promover esportes olímpicos.

A aprovação de uma Lei Mu­­ni­­cipal de Incentivo ao Esporte – instrumento já existente nas esferas federal e municipal – como forma de garantir nova fonte de verbas para projetos esportivos também está na pauta.

Já a presença de equipes de ponta e que disputem competições na­­cionais não terão apoio público. "Esporte profissional não é uma função do estado. Isso só seria possível com parcerias privadas", diz.

Roman, um gaúcho radicado em Cascavel, defende ainda a ne­­cessidade de mais profissionais para incrementar o esporte pelo interior. Para as cidades sem potencial esportivo, identifica a importância de uma ação emergencial.

Pelo cenário inicial, apitar parece mais fácil.

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