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Paranaense

A fábrica alviverde de bons zagueiros

Agressividade para a defesa, calma para o ataque. A partir dessa simples observação da personalidade dos seus garotos, o Coritiba constrói uma tradição de bons beques, que tem Felipe como último exemplo

Cobiçado pelo futebol europeu, Felipe garante que joga o centenário no Coxa | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Cobiçado pelo futebol europeu, Felipe garante que joga o centenário no Coxa (Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo)

O interesse do futebol europeu pelo zagueiro Felipe, que mexeu com o Coritiba nos últimos dias, apenas reforça uma tradição: o clube está se tornando uma fábrica de bons zagueiros. Recentemente, saíram do Alto da Glória jogadores de qualidade reconhecida como Miranda e Henrique. Um pouco antes, já haviam se destacado Juninho, hoje no Botafogo, e Danilo, no futebol português.

Atualmente, além de Felipe, na defesa titular, ainda invicta no Estadual, há Rodrigo Mancha, um líbero que atua também como volante, e passa a ser outra preocupação do clube – ainda não renovou e começa a receber sondagens de outras equipes. Na base, outra fornada está pronta para subir, casos de Leandro Silva, com a seleção brasileira no Sul-Americano sub-20, Lucas Mendes e Luccas Claro.

"É verdade, nos últimos tempos a maioria dos jogadores que saem daqui com destaque é zagueiro. E isso é fruto de um trabalho bem feito na base", diz o zagueiro Felipe, de 21 anos, que pretende ao menos jogar o ano do centenário do clube.

O segredo para descobrir tantos bons defensores tem um detalhe peculiar: o zagueiro tem de ter características mais agressivas na personalidade, já o atacante, tem de ser mais calmo. Dessa forma, o garoto que chega para jogar na frente, mas se mostra muito irritado com o adversário, aos poucos vai sendo recuado.

"O atacante tem de ser passivo, pois terá de aceitar a agressividade dos defensores e não pode revidar. O atacante tem de ser calmo para definir as jogadas", diz Dirceu Krüger, supervisor das categorias de base do clube.

"Hoje em dia, todos querem ser atacantes. O pai leva o menino para fazer teste, mas diz para ele jogar na frente. O problema é que para atuar lá, precisa ter certas características. E muitas vezes o garoto chega como atacante, mas acaba mesmo é sendo um bom zagueiro. Em vários casos os clubes mandam embora jogadores que não dão certo como atacantes, mas que poderiam jogar muito na defesa", acrescenta.

Exemplo disso é o zagueiro Flávio, revelado nos anos 90. "Ele veio como centroavante. Fez teste e passou para ser centroavante. Com o passar do tempo percebemos que ele era muito agressivo para a função. Fomos conversando com ele e aos poucos ele virou um excelente zagueiro", conta o Flecha Loira.

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