Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Paranaense

A toca do rato

Meia do Rio Branco, figura carimbada no futebol local, tem roteiro certo: defende o Leão da Estradinha, se aventura no mercado, mas sempre volta a Paranaguá

Malabarismo: Ratinho, 31 anos, vive a típica vida de boleiro – sem glamour | Walter Alves/ Gazeta do Povo
Malabarismo: Ratinho, 31 anos, vive a típica vida de boleiro – sem glamour (Foto: Walter Alves/ Gazeta do Povo)

No mercado do futebol são raros os atletas que permanecem um longo tempo no mesmo clube e cul­­tivam o carinho e identificação com a torcida. O Rio Branco, de Pa­­ra­­naguá, tem uma dessas exceções.Cléverson Ribeiro Miguel, o Ra­­tinho, quase perdeu a conta de quantas vezes saiu e retornou ao time de origem. Aos 31 anos, o meia se lembra ter jogado em pelo menos 14 clubes. Mas ano após ano volta a vestir a camisa vermelha do Leão da Estradinha – onde foi criado nas categorias de base.

O boleiro já passou por times como União de Rondonópolis e Sinop, ambos do Mato Grosso, Galo Adap, Operário, Criciúma, Brusque, Bonsucesso e Remo. Ou­­tras equipes também estão no currículo, mas escapam da me­­mória.

Como características do roedor que lhe empresta o nome de guerra, ele é ligeiro para achar um novo time e mais rápido ainda para voltar à "toca". A dele é Paranaguá, sua cidade natal. Há pelo menos nove temporadas tem sido essa a rotina: joga o Paranaense, se aventura no mercado e volta à agremiação do litoral.

O vínculo, apesar dos contratos temporários em outras praças, parece cada vez mais forte. Chegou ao ponto de ter uma faixa no Es­­tádio Caranguejão com os dizeres: "Quem tem Ratinho não precisa de Ronaldinho".

Mas esse ícone parnanguara só entrou no clube aos 19 anos, em 1998, quando o então auxiliar de limpeza foi descoberto durante as disputas dos Jogos Abertos do Pa­­raná e chamado para uma pe­­neira. Aprovado, o novato disputou o Es­­tadual daquele ano e também co­­meçou a "rotina" de perambular por outros times e retornar ao Rio Branco. O primeiro da lista foi o Marechal Cândido Rondon.

No ano seguinte, Ratinho teve sua primeira experiência longe do Brasil. Depois de fazer parte de uma equipe sub-20 que venceu um torneio no Uruguai, ele foi pa­­ra a Inglaterra fazer amistosos. "A gente chegou a jogar contra Chel­­sea e Liverpool. Era para eu ter acertado com um time da Segunda Divisão lá, mas não deu certo", conta.

A negociação com o Barnsley foi frustrada porque a diretoria do Rio Branco não entrou em acordo com os gringos, mas isso não o im­­pediu de sair do time e dar continuidade à tradição de ir e voltar à velha casa. "Se tivesse dado certo na Inglaterra eu estaria lá até hoje, mas são coisas do futebol, nem sempre sai como a gente quer", comenta.

Precavido das armadilhas e ra­­toeiras armadas nos contratos mundo afora, ele faz questão de retornar ao time em que sabe como será a recepção. "A torcida tem um reconhecimento muito grande porque já estou aqui faz tempo. Saio, volto e está sempre a mesma coisa. Na cidade as pessoas me conhecem e pedem fotos e au­­tógrafos", revela.

Mesmo tão ligado ao time do co­­ração e da cidade natal, ele não des­­carta um dia encontrar uma proposta com contrato que vá além do já corriqueiro "válido até maio".

"Vou muito à igreja, não sou de bagunça e não bebo e nem fumo", declara Ratinho, que por ser co­­nhecido na cidade sabe bem como é a pressão da torcida. "O pessoal cobra mais, o torcedor que é da própria cidade. Quando o time não vai bem, é melhor nem sair de casa".

"De qualquer forma quero pa­­rar de jogar aqui, quando eu tiver uns 36 ou 37 anos. Daí talvez eu mexa com escolinhas de futebol", planeja. Enquanto a hora de pendurar as chuteiras não chega, ele se prepara para as partidas da equipe e está de olho em qual time vai atuar no segundo semestre. Hoje, por exemplo, precisa ajudar o time con­­tra o Operário, às 17 horas, em Pa­­ranaguá.

Certo mesmo é que estará de volta ao Rio Branco no Campeo­nato Paranaense de 2012.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.