
No mercado do futebol são raros os atletas que permanecem um longo tempo no mesmo clube e cultivam o carinho e identificação com a torcida. O Rio Branco, de Paranaguá, tem uma dessas exceções.Cléverson Ribeiro Miguel, o Ratinho, quase perdeu a conta de quantas vezes saiu e retornou ao time de origem. Aos 31 anos, o meia se lembra ter jogado em pelo menos 14 clubes. Mas ano após ano volta a vestir a camisa vermelha do Leão da Estradinha onde foi criado nas categorias de base.
O boleiro já passou por times como União de Rondonópolis e Sinop, ambos do Mato Grosso, Galo Adap, Operário, Criciúma, Brusque, Bonsucesso e Remo. Outras equipes também estão no currículo, mas escapam da memória.
Como características do roedor que lhe empresta o nome de guerra, ele é ligeiro para achar um novo time e mais rápido ainda para voltar à "toca". A dele é Paranaguá, sua cidade natal. Há pelo menos nove temporadas tem sido essa a rotina: joga o Paranaense, se aventura no mercado e volta à agremiação do litoral.
O vínculo, apesar dos contratos temporários em outras praças, parece cada vez mais forte. Chegou ao ponto de ter uma faixa no Estádio Caranguejão com os dizeres: "Quem tem Ratinho não precisa de Ronaldinho".
Mas esse ícone parnanguara só entrou no clube aos 19 anos, em 1998, quando o então auxiliar de limpeza foi descoberto durante as disputas dos Jogos Abertos do Paraná e chamado para uma peneira. Aprovado, o novato disputou o Estadual daquele ano e também começou a "rotina" de perambular por outros times e retornar ao Rio Branco. O primeiro da lista foi o Marechal Cândido Rondon.
No ano seguinte, Ratinho teve sua primeira experiência longe do Brasil. Depois de fazer parte de uma equipe sub-20 que venceu um torneio no Uruguai, ele foi para a Inglaterra fazer amistosos. "A gente chegou a jogar contra Chelsea e Liverpool. Era para eu ter acertado com um time da Segunda Divisão lá, mas não deu certo", conta.
A negociação com o Barnsley foi frustrada porque a diretoria do Rio Branco não entrou em acordo com os gringos, mas isso não o impediu de sair do time e dar continuidade à tradição de ir e voltar à velha casa. "Se tivesse dado certo na Inglaterra eu estaria lá até hoje, mas são coisas do futebol, nem sempre sai como a gente quer", comenta.
Precavido das armadilhas e ratoeiras armadas nos contratos mundo afora, ele faz questão de retornar ao time em que sabe como será a recepção. "A torcida tem um reconhecimento muito grande porque já estou aqui faz tempo. Saio, volto e está sempre a mesma coisa. Na cidade as pessoas me conhecem e pedem fotos e autógrafos", revela.
Mesmo tão ligado ao time do coração e da cidade natal, ele não descarta um dia encontrar uma proposta com contrato que vá além do já corriqueiro "válido até maio".
"Vou muito à igreja, não sou de bagunça e não bebo e nem fumo", declara Ratinho, que por ser conhecido na cidade sabe bem como é a pressão da torcida. "O pessoal cobra mais, o torcedor que é da própria cidade. Quando o time não vai bem, é melhor nem sair de casa".
"De qualquer forma quero parar de jogar aqui, quando eu tiver uns 36 ou 37 anos. Daí talvez eu mexa com escolinhas de futebol", planeja. Enquanto a hora de pendurar as chuteiras não chega, ele se prepara para as partidas da equipe e está de olho em qual time vai atuar no segundo semestre. Hoje, por exemplo, precisa ajudar o time contra o Operário, às 17 horas, em Paranaguá.
Certo mesmo é que estará de volta ao Rio Branco no Campeonato Paranaense de 2012.



