O afastamento de cinco jogadores do elenco do Atlético tem muito mais do que apenas os motivos físicos alegados inicialmente pelo presidente Marcos Malucelli. Alberto, Antônio Carlos, Zé Antônio, Netinho e Rafael Moura estão fora dos planos por questões de relacionamento com o restante do grupo.
Independentemente da comissão técnica que assuma o comando rubro-negro na sequência, os afastados não voltarão a ficar à disposição. O comunicado oficial aos atletas foi feito ontem pela manhã. Logo em seguida, o treinador interino Riva Carli reuniu o restante do plantel visando à partida com o Fluminense amanhã, às 16 horas, em Londrina, devido à perda de mando.
"Podemos até ter cometido alguma injustiça, mas era algo necessário nesse momento", disse o diretor de futebol Ocimar Bolicenho. "É só ver na primeira reunião do grupo com o Riva. Todo mundo participou, falou, opinou. Teve gente que tirou uma pedra dos ombros", justificou o dirigente.
Logo após serem avisados de forma definitiva a notícia tinha vazado em entrevistas de Malucelli às Rádios Transamérica e Globo, na quinta-feira , Alberto, Rafael Moura e Zé Antônio foram à sala de imprensa do CT do Caju para se manifestar.
Alberto se disse "machucado e ferido" pela história que tem no clube. O He-Man falou de seu retrospecto de 29 gols em 50 jogos com a camisa atleticana. Já Zé Antônio garantiu que os cinco renegados não formam uma panela.
"Não é porque você tem mais afinidade com um e não com outro que você forma uma panela. As panelas ocorrem quando você se junta para derrubar alguém", declarou, após bater boca com cinco torcedores que protestavam pela má campanha no portão do CT. "Nós somos culpados? E quem tirou o Atlético da Segunda Divisão?", questionou Zé.
Segundo Bolicenho, o zagueiro e ex-capitão Antônio Carlos foi o único do quinteto a avisar que não treinará separadamente. O empresário do jogador estará em Curitiba na semana que vem para tentar resolver a situação do defensor.
Outro que vai buscar novos ares é Rafael Moura. O He-Man diz ter sondagens do exterior. Artilheiro do Paranaense, ele marcou só duas vezes no Brasileiro e virou reserva nas duas últimas rodadas.
"Foi uma decisão de pessoas novas no clube. Gente que tem poucos dias aqui, nos conhecem pouco e conhecem pouco do Atlético. Falei para o Ocimar que nós cinco queríamos dar a volta por cima e tirar o clube dessa", afirmou o centroavante, preocupado com o rótulo de "laranja podre". "Ele (Rafael) me disse que estávamos mexendo nas pessoas mais importantes do Atlético nos últimos anos", contestou Bolicenho.
Se existia um racha dentro do time, a direção espera ter resolvido o problema para vislumbrar a fuga da zona de rebaixamento.



