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Série B

Amadurecido

Roberto Cavalo, que defende hoje contra o Bahia uma invencibilidade de 15 jogos pelo Tricolor, se diz mais preparado para a profissão

Roberto Cavalo afirma ter aprendido a equilibrar o trabalho emocional com o técnico e tático em 13 anos como treinador | Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Roberto Cavalo afirma ter aprendido a equilibrar o trabalho emocional com o técnico e tático em 13 anos como treinador (Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo)

Se vencer o Bahia hoje, às 21 ho­­ras, no Durival Britto, o técnico Ro­­berto Cavalo cumpre o objetivo pelo qual voltou a comandar o Pa­­ra­­ná após a breve passagem pelo clube no ano passado: afastar de vez a equipe da possibilidade de uma queda. Mais do que cumprir a meta, o treinador vê o retorno à Vila Capanema também como um amadurecimento profissional.

Quando chegou, há pouco me­­nos de um mês, a primeira missão do treinador era devolver ânimo ao grupo. Abalado pela proximidade com a zona de re­­baixa­­men­to após a goleada por 6 a 1 sofrida contra a Portuguesa e com os salários dos jogadores atrasados, o que o técnico encontrou no primeiro dia de treino foi um elenco cabisbaixo, que precisava de uma sacudida. E ela veio.

"Num primeiro momento, ele percebeu que o grupo estava abalado e trabalhou quase como um psicólogo. Agora, já conhece as qualidades dos jogadores e sabe o que explorar de cada um", resume o meia Wanderson.

Justamente por ter avaliado bem os jogadores que tinha em mãos, Cavalo reviu seus conceitos e demonstrou uma qualidade rara aos treinadores: a de admitir estar errado e voltar atrás. Mesmo sem esconder que não gosta de jogar com três zagueiros, manteve o es­­quema após uma tentativa frustrada na estreia de ir para o 4-3-3. "Eu percebi que não poderia mudar o esquema porque os jogadores estavam bem adaptados ao 3-5-2. Então, só fiz alguns ajustes", comentava no segundo jogo à frente da equipe.

Foi nesse momento que Cava­lo conseguiu mostrar suas qualidades não só de motivador, mas também de estrategista – a exemplo de seu ídolo, o pentacampeão Luiz Felipe Scolari, com quem conquistou a Copa do Brasil de 1991, ainda nos tempos de vo­­lante do Criciúma (SC). Reforçou a marcação a cada treino (dos zagueiros aos atacantes, que pressionam a saída de bola adversária), postou todo o time no campo de defesa e exigiu passes rápidos e velocidade no contra-ataque.

No desenho tático de Roberto Cavalo, o trio de zagueiros pode avançar somente até o meio de campo, os alas têm liberdade total para apoiar, a dupla de volantes também sobe ao ataque, desde que seja um de cada vez, e os dois atacantes podem buscar jogadas mais próximos do meia de criação, Wanderson.

Com essa receita, o treinador está invicto no retorno à Vila (são três vitórias e dois empates, aproveitamento de 73,3% dos pontos disputados). So­­mando 2009, está há 15 jogos invicto dos 20 nos quais comandou o Paraná.

"O Cavalo tem grande parte [do mérito] pelo nosso trabalho agora estar indo bem. Com o Mar­­celo [Oliveira, técnico anterior], a gente fazia marcação individual e isso abria brecha para al­­guém entrar na defesa de surpresa. Com a marcação por zona, o time fica mais compacto e tem mais facilidade para contra-atacar", avalia o za­­gueiro Alessandro Lopes.

Com 13 anos de trajetória como treinador, Cavalo se vê mais preparado, sabendo equilibrar trabalho emocional com o técnico e tático. "Hoje reconheço mais a im­­portân­­cia de se analisar o ad­­versário e de traçar estratégias dentro das possibilidades de jogadores que tenho no grupo", resume o técnico.

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