
Se vencer o Bahia hoje, às 21 horas, no Durival Britto, o técnico Roberto Cavalo cumpre o objetivo pelo qual voltou a comandar o Paraná após a breve passagem pelo clube no ano passado: afastar de vez a equipe da possibilidade de uma queda. Mais do que cumprir a meta, o treinador vê o retorno à Vila Capanema também como um amadurecimento profissional.
Quando chegou, há pouco menos de um mês, a primeira missão do treinador era devolver ânimo ao grupo. Abalado pela proximidade com a zona de rebaixamento após a goleada por 6 a 1 sofrida contra a Portuguesa e com os salários dos jogadores atrasados, o que o técnico encontrou no primeiro dia de treino foi um elenco cabisbaixo, que precisava de uma sacudida. E ela veio.
"Num primeiro momento, ele percebeu que o grupo estava abalado e trabalhou quase como um psicólogo. Agora, já conhece as qualidades dos jogadores e sabe o que explorar de cada um", resume o meia Wanderson.
Justamente por ter avaliado bem os jogadores que tinha em mãos, Cavalo reviu seus conceitos e demonstrou uma qualidade rara aos treinadores: a de admitir estar errado e voltar atrás. Mesmo sem esconder que não gosta de jogar com três zagueiros, manteve o esquema após uma tentativa frustrada na estreia de ir para o 4-3-3. "Eu percebi que não poderia mudar o esquema porque os jogadores estavam bem adaptados ao 3-5-2. Então, só fiz alguns ajustes", comentava no segundo jogo à frente da equipe.
Foi nesse momento que Cavalo conseguiu mostrar suas qualidades não só de motivador, mas também de estrategista a exemplo de seu ídolo, o pentacampeão Luiz Felipe Scolari, com quem conquistou a Copa do Brasil de 1991, ainda nos tempos de volante do Criciúma (SC). Reforçou a marcação a cada treino (dos zagueiros aos atacantes, que pressionam a saída de bola adversária), postou todo o time no campo de defesa e exigiu passes rápidos e velocidade no contra-ataque.
No desenho tático de Roberto Cavalo, o trio de zagueiros pode avançar somente até o meio de campo, os alas têm liberdade total para apoiar, a dupla de volantes também sobe ao ataque, desde que seja um de cada vez, e os dois atacantes podem buscar jogadas mais próximos do meia de criação, Wanderson.
Com essa receita, o treinador está invicto no retorno à Vila (são três vitórias e dois empates, aproveitamento de 73,3% dos pontos disputados). Somando 2009, está há 15 jogos invicto dos 20 nos quais comandou o Paraná.
"O Cavalo tem grande parte [do mérito] pelo nosso trabalho agora estar indo bem. Com o Marcelo [Oliveira, técnico anterior], a gente fazia marcação individual e isso abria brecha para alguém entrar na defesa de surpresa. Com a marcação por zona, o time fica mais compacto e tem mais facilidade para contra-atacar", avalia o zagueiro Alessandro Lopes.
Com 13 anos de trajetória como treinador, Cavalo se vê mais preparado, sabendo equilibrar trabalho emocional com o técnico e tático. "Hoje reconheço mais a importância de se analisar o adversário e de traçar estratégias dentro das possibilidades de jogadores que tenho no grupo", resume o técnico.
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