Além da disputa dentro de campo, o confonto entre Paraná e Vasco reserva um atrativo fora das quatro linhas. Nos bancos de reservas das duas equipes, estarão Zetti e Dorival Júnior, dois treinadores com muita coisa em comum.
A história da dupla no mundo da bola começou a coincidir há mais de 20 anos. Tempo em que, muito provavelmente, eles nem imaginavam que um dia se tornariam técnicos. O paranista era goleiro e o vascaíno volante do Palmeiras em 1989.
"Eu já tinha um tempo grande de Palmeiras, comecei nos juniores, e lembro da chegada dele. Eu não era titular, tinha voltado de contusão, mas jogamos e concentramos algumas vezes. Tivemos uma grande identificação, o Júnior estava sempre brincando", rememora Zetti.
"Lembro de uma relação muito boa como companheiros de time. O Zetti é um ser humano excelente, merece tudo que conquistou. Mesmo depois, como adversários, mantivemos uma amizade", diz Dorival Júnior.
Após defenderem as mesmas cores por cerca de um ano, o arqueiro "virou a casaca" e se transferiu para a meta do São Paulo. No Morumbi, reencontrou o amigo em pelo menos duas oportunidades. Em um dos clássicos, empate por 0 a 0. No outro, melhor para Júnior, com a vitória do Porco por 1 a 0.
"Era complicado enfrentar o Júnior, um volante que marcava muito. Naquela época não existia esse exagero de volantes e quem era da posição era quase 'proibido' de fazer gol. Mesmo assim, ele se destacava pela técnica", comenta o ex-goleiro.
Os anos foram se passando, a disposição acabando e, mais uma coincidência, os dois optaram em 2003 por prosseguir perto do esporte, agora como técnicos. Zetti estreou à beira do gramado no Paulista de Jundiaí, enquanto Júnior assumiu o Figueirense.
Quatro anos se passaram para que eles voltassem a se encontrar. Demorou, mas aconteceu em grande estilo, no clássico mineiro Cruzeiro e Atlético. Com o agasalho da Raposa, Júnior derrotou novamente o velho camarada, ao vencer o Galo por 4 a 2 no Brasileiro de 2007.
"É complicado um jogo contra um amigo. Eu sempre levo em consideração o carinho pela pessoa, mas é preciso destacar o lado profissional, claro. Foi dessa maneira aquela vez e será assim no sábado, da minha parte e do Zetti, com certeza", afirma Júnior.
Segunda oportunidade que será bem diferente, pela Segunda Divisão. Sinal de retrocesso? "Não vejo dessa maneira. Enxergo como uma situação normal. Sem contar que, muitas vezes, você trabalha na Série B em times de melhor estrutura que na Série A, como é o caso de Vasco e Paraná", declara Zetti.



