
Quando decidiu concentrar clássicos regionais na última rodada do Brasileiro, a CBF pretendia combater o corpo-mole velado de edições anteriores. No primeiro ano, um sucesso absoluto, com a definição do campeão, de classificados à Libertadores e dos últimos rebaixados temperada por algumas das maiores rivalidades do país. No segundo, uma monotonia que obriga a olhar de lupa para a tabela na busca por alguma emoção.
A definição antecipada do título, da briga contra o rebaixamento de maior apelo popular e das vagas na Libertadores esvaziou a rodada deste fim de semana. Se no desfecho da edição passada sete dos oito clássicos tinham influência direta na classificação, na atual serão quatro amistosos de luxo e três partidas em que para um lado, a única motivação é estragar as pretensões do rival.
INFOGRÁFICO: Temperatura da rodada dos clássicos
Para nenhum outro clube o papel de "estraga-prazer" cabe melhor do que ao Náutico. Em 13.º com 46 pontos, o Timbu não esconde que a grande motivação do clássico de amanhã, nos Aflitos, será mandar o Sport de volta para a Segundona. "Domingo, vamos acabar de derrubar a coisa", escreveu, em seu perfil no Twitter, o atacante Kieza, logo após o empate com o Bahia, que livrou os alvirrubros do descenso. Dois dias depois ele se desculpou e disse que não daria mais entrevista.
Sem o sabor de tirar o rival da elite do futebol brasileiro, o Grenal de amanhã adquiriu um peso histórico. Será o último jogo oficial do Olímpico, que será demolido com a inauguração da Arena do Grêmio, no próximo sábado. Em apenas 1h30, os colorados esgotaram os mil ingressos à sua disposição para a partida, na esperança de dar um último carimbo na casa do rival. Sentimento, ao menos no discurso, não compartilhado pelos jogadores. "Eles vão curtir e a gente tem de ficar afastado. Não fazemos parte da festa, só vamos estar no jogo e iremos fazer de tudo para ganhar", afirmou o meia DAlessandro.
Além do valor histórico, o Grêmio busca a vitória para confirmar o vice-campeonato nacional, posição que o manda direto para a fase de grupos da Libertadores. O Atlético-MG também almeja esse posto. Para isso, precisa secar os gaúchos e vencer o rival Cruzeiro, em um confronto em que até a derrota por 6 a 1 no ano passado, que livrou a Raposa da degola, tem sido lembrada como motivação. "Ano passado tiramos o Atlético-MG do rebaixamento e achamos que estava bom. Não tínhamos a dimensão do que poderia levar o último [jogo] e o que acabou levando", explicou Réver.
Para quem não tem o que ganhar na tabela, vale de tudo para motivar a rodada final. São Paulo e Corinthians se enfrentam amanhã, no Pacaembu, de olho na final da Copa Sul-Americana e do Mundial de Clubes, respectivamente. Para o Tricolor, ainda vale a chance de tirar do rival a condição de campeão de público das quatro séries do Brasileiro.
No Rio, nem isso. Os dois clássicos servirão apenas para encerrar o ano e testar alguns garotos, provavelmente diante de pouco público. O Vasco x Flamengo do sábado passado atraiu menos de 10 mil torcedores ao Engenhão.
Nenhum outro duelo, porém, promete ser tão melancólico quanto o Santos e Palmeiras de hoje. Rebaixado, o Alviverde dispensou na quinta os cinco primeiros jogadores de uma lista que deve chegar a 16 nomes na próxima semana. Para quem ficou, a única motivação é despedir-se honrosamente da Série A. Pouco, como tudo que restou em jogo na última rodada do Brasileirão.



