
A cobrança atleticana pela participação do governo e do município na conclusão da Arena despertou o alerta nos rivais Coritiba e Paraná. O vice-presidente alviverde, Vilson Ribeiro de Andrade, e o presidente paranista, Aquilino Romani, prometeram ontem ficar atentos a qualquer possibilidade de repasse financeiro dos cofres públicos ao estádio rubro-negro.
A inviabilidade declarada pela diretoria de o Furacão de bancar sozinha as obras necessárias para abrigar jogos da Copa de 2014 reacendeu até as discussões por um estádio estatal.
"Não existe um mecanismo legal que permita o investimento público no patrimônio privado. Na minha avaliação, o posicionamento do Atlético é equivocado. Se eles não tinham como bancar o seu estádio, deveriam ter pensado antes. Se investirem dinheiro, cria-se o princípio da isonomia e o governo terá de ajudar não só o Coritiba e o Paraná, mas todos os clubes paranaenses. A saída era construir um estádio público", opina Andrade.
Romani defende a mesma ideia. "Temos o Pinheirão às traças em uma área que poderia abrigar um estádio novo para os três clubes, já que os três estádios estão inacabados. O Atlético que me desculpe, mas já existe uma preferência de verbas para alguns clubes. Assim, alguns sempre ficarão mais ricos e outros mais pobres", afirma.
O vice-presidente e diretor de obras do Atlético, Enio Fornea, não quis responder aos clubes "coirmãos", mas garantiu que o Rubro-Negro jamais adotaria outra praça esportiva. O dirigente também não crê na realização da Copa na cidade em outra edificação. "Ou é na Arena ou não tem Copa em Curitiba", afirma.
Na última semana, Fornea condicionou a conclusão do estádio a tempo de receber o Mundial à participação das esferas governamentais. "A matriz de responsabilidade assinada diz que a obrigação com o estádio é do governo, prefeitura e clube. Nosso discurso é o mesmo desde maio do ano passado quando Curitiba foi escolhida. O problema é que há muita conversa e nada efetivo. Já demorou demais", reforça, preocupado.
O governador Orlando Pessuti prometeu marcar nesta semana uma reunião com representantes da Copa no Paraná, incluindo ainda procuradores do governo e do município, para analisar a possibilidade legal de uma parceria com o Atlético capaz de viabilizar a conclusão do estádio.
O clube se compromete a bancar um terço da obra através de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O restante seria dividido com o poder público, uma vez que não há um investidor privado interessado no negócio.
Com o aquecimento no mercado da construção civil, o custo mínimo citado ontem por Fornea voltou ao valor inicial de R$ 138 milhões. A possibilidade de não fazer a cobertura do estádio havia diminuído o montante para R$ 98 milhões.
"Na melhor das hipóteses, se tudo desse certo agora, a obra só poderia começar em janeiro e ficaria pronta em dezembro de 2012", prevê. A data é o prazo limite apontado pela Fifa para a inauguração das praças esportivas usadas na Copa das Confederações-2013. "Mas essa não é a nossa prioridade. Hoje vejo que o torcedor está mais preocupado com a formação de um time forte do que com a Copa", comenta o dirigente rubro-negro.




