
Enquanto o Atlético corria ontem à noite, os jogadores do Coritiba descansavam e podiam observar o adversário de domingo; no momento em que atleticanos viajarem a Curitiba, os coxas-brancas estarão se preparando para mais um treino no Couto Pereira. É empate que praticamente assegura a taça, tabu de dois anos, estádio cheio a favor e jogo em casa. Há tempos não se via um Coxa com tantas vantagens, tanto favoritismo sobre o rival.
Para impedir que o feitiço vire contra o feiticeiro, o técnico Ney Franco abafa os fatos. Favoritismo é assunto proibido no Alto da Glória. "Não é aceitar ou não aceitar: não existe favoritismo", rebate o treinador, ao ser perguntado sobre os fatos. "Tudo isso não muda nada. Não existe. É um jogo muito disputado, aonde em alguns momentos a entrega e a superação se sobrepõem à parte tática ou física".
O discurso do comandante parece ter sido bem entendido pelos jogadores. Marcos Aurélio, peça chave dos dois últimos Atletibas, também não quer saber do rótulo. "Favorito não. A gente tem o apoio da nossa torcida, tem de impor o ritmo de jogo, mas clássico não tem isso", diz, logo ele, que é o grande responsável pelo supermando. Foi da perna direita do Baixinho que saiu o chute no empate da Arena, que manteve as vantagens alviverdes. "Eu pedi para bater aquela falta, o Fabinho estava nela. Aí eu tive a felicidade de acertar o chute e com isso seguramos o supermando".
Jogar em casa tem feito diferença nos clássicos. O último time atleticano a vencer no Alto da Glória era comandado por Ney Franco, em 2008: 2 a 0 para os visitantes. De lá para cá, no Couto Pereira, duas vitórias do Coritiba (2 a 0 no Paranaense-2008 e 3 a 2 no Brasileiro-2009) e dois empates (1 a 1 no Brasileiro-2008 e 0 a 0 no Paranaense-2009).
Mesmo com tantas vantagens, Ney mantém o mistério. "O esquema não muda" é só o que diz o treinador sobre o time para domingo. Pereira ou Demerson ficará de fora da decisão, a cereja no bolo em uma campanha praticamente perfeita. "A gente entende que qualquer um deixará a equipe bem competitiva", afirma o técnico.
Demerson fez política: "Se optar por mim, ficarei feliz, mas se escolher o Pereira, tudo bem". Já Pereira procurou se manter mais distante da imprensa. Antes de domingo, difícil saber o favorito .




