
Considerada por Mario Celso Petraglia a única maneira de concluir o estádio e dar um impulso ao futebol paranaense, a Arena Atletiba é inviável para dirigentes de Atlético e Coritiba. Nem tanto pela ideia em si vista pelos alviverdes como "interessante". Mas, principalmente, pela dificuldade de unir, sob o mesmo teto, as duas torcidas rivais. No último domingo, o ex-presidente do Furacão recolocou o tema em pauta em entrevista à Gazeta do Povo após ter revelado a polêmica proposta na revista Ideias de agosto do ano passado. Para ele, uma questão de sobrevivência. "Se não tiver alguma coisa realmente moderna, visionária, revolucionária, que una esforços, que crie a mais valia, alavanque receitas, vamos voltar na proporção àquilo que sempre fomos: times de segunda lutando para ser time de primeira", disse Petraglia.
Fusão imobiliária que é rejeitada em sua totalidade pelos rubro-negros. O tema chega a ser tratado como piada por parte de conselheiros e sócios, conta o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Gláucio Geara.
"É aquela velha história do Garrincha ao receber as instruções de jogo. Combinaram com o adversário? Alguém se reuniu com o Coritiba? É utópico, pois descaracterizaria totalmente o futebol paranaense". Além disso, de acordo com o dirigente, o Atlético não precisa da ajuda do co-irmão para a conclusão (ou atualização) de sua casa.
No Alto da Glória, as diferenças dos mais de 80 anos de rivalidade seriam o maior problema. "Acho interessante, inteligente, mas vejo dificuldades sérias. As áreas onde estão o Couto Pereira e a Baixada são proibitivas para as duas torcidas", afirma Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Conselho Administrativo alviverde.
Porém, em um ponto os dois concordam com Petraglia: o futebol do estado precisa mudar. "Existem mesmo clubes mais fortes em virtude do aspecto financeiro, precisamos encontrar alternativas", diz Geara. Novo caminho, segundo Andrade, possível somente com o auxílio do poder público. "Seria necessário trabalho intenso e auxílio do governo do Estado, com patrocínio ou investimentos".
Correção de rota, segundo Petraglia, ainda mais importante para o Tricolor. Na mesma entrevista concedida à Gazeta, ele sentenciou: "A tendência do Paraná, com a reorganização de alguns estados e clubes... Terceira Divisão". Projeção rejeitada por Aquilino Romani, presidente paranista.
"O Paraná tem as suas dificuldades, mas possui patrimônio e não é ninguém de outro clube que vai dizer o que acontecerá", declarou. Na semana passada, ele se reuniu com Petraglia para estudar um projeto de sócio torcedor desenvolvido pelo filho do ex-cartola atleticano.Reorganização que, por fim, passaria pela Federação Paranaense de Futebol, também criticada por Petraglia. "É um modelo falido". Pensamento diferente do responsável pela entidade, Hélio Cury. "Essa avaliação é equivocada. As federações existem no Brasil inteiro. E não organizamos apenas o campeonato estadual, mas também todas as competições de divisões amadoras".



