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Atletas olimpícos que treinam no Paraná resistem às dificuldades

Estado tem 15 atletas com vaga assegurada nos Jogos de Londres, mas três defendem equipes paranaenses

Harumi de Freitas e Ethiene Franco treinam na cidade natal, Curitiba, com o apoio do Centro de Excelência de Ginástica: exceções à regra | Antonio Costa/ Gazeta do Povo
Harumi de Freitas e Ethiene Franco treinam na cidade natal, Curitiba, com o apoio do Centro de Excelência de Ginástica: exceções à regra (Foto: Antonio Costa/ Gazeta do Povo)

O Paraná sabe fazer atletas (é a quinta federação brasileira em representatividade na história olímpica), porém não consegue impedir a debandada de seus talentos quando ainda são apenas "promessas".

Na delegação nacional que já tem vaga assegurada para os Jogos de Londres, com início em 27 de julho, é visível o ciclo: primeiros passos na modalidade, destacar-se e deixar a terra natal. Dos representantes paranaenses garantidos na competição, 2/3 não treinam mais no estado de origem.

Dos até agora 152 desportistas do país classificados para o evento londrino, 15 do total são forjados no Paraná. Apenas cinco desses se preparam para o evento treinando em casa. Mas nesta conta, somente três defendem equipes locais.

As exceções são as ginastas curitibanas Ethiene Franco e Harumi de Freitas, que seguem se preparando na capital, no Centro de Excelência de Ginástica (Cegin); a zagueira Renata Costa, natural de Assaí, defendendo o Foz Cataratas.

Na relação dos contratados por ‘vizinhos’ – os forasteiros dentro de casa – figuram o ciclista Gregolry Panizo, de Tupassí, que mora em Maringá, mas defende a equipe de Pindamonhangaba (SP); e o nadador curitibano Henrique Rodrigues. Este voltou à capital no fim do ano passado, depois de nadar em Minas Gerais, São Paulo e Rio, porém compete pelo Fluminense.

A lógica é ir para o eixo. "Não dá para entender porque não conseguimos ter uma equipe local. A cidade tem bons ciclistas, das três vagas olímpicas do Brasil no ciclismo, duas são de maringaenses [a outra é praticamente certa para Rafael Andriato, que pedala pela equipe italiana Elia Favili], mas os times mais fortes estão em São Paulo", lamenta Panizo.

A causa mais apontada para o êxodo é a falta de verba. "Com­­parado a outros lugares, o Paraná investe pouco no esporte. Faltam projetos públicos, incentivos fiscais, participação de empresas privadas, competições de porte", diz a lutadora de tae kwon do Natália Falavigna, integrante do Time Rio, projeto da prefeitura carioca.

O alto custo de manutenção de uma equipe adulta competitiva faz com que os atletas deixem suas cidades muito cedo para competir onde lhe oferecem chance de seguir no esporte. "Saí de Marialva aos 15 anos para jogar em Paulínea (SP), onde os campeonatos são mais competitivos", lembra a central da seleção brasileira de handebol, May Fier, que hoje joga na França.

O mesmo ocorreu com Giba, que aos 16 anos começou a participar das peneiras nos times juvenis de São Paulo.

"A estrutura interna do estado tem de melhorar para segurar o atleta. Ter o envolvimento do poder público, um bom projeto esportivo para alavancar o patrocínio. Ter o atleta de alto rendimento perto da base incentiva os mais novos", sugere a ex-jogadora e diretora das seleções femininas da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Hortência.

O basquete é justamente a modalidade que mais terá atletas paranaenses nesta Olimpíada. Todas "exiladas": a pivô Fran, que deixou Jacarezinho aos 14 anos para jogar no interior paulista e hoje defende o Hondarribia (Espanha); a pivô Nádia (de Marialva) e a ala Palmira (de Reserva), ambas em agremiações paulistas.

Exceções à lista, ao lado de Harumi de Freitas, a ginasta Ethiene Franco diz ser privilegiada por estar em um centro de treinamento que considera o melhor do país sem precisar deixar a companhia da família. "Nunca tive vontade de sair daqui. Já recebi convite de times no Rio, mas tenho a melhor estrutura técnica e aparelhagem".

Falta ainda, porém, verba. Ela é treinada pelos ucranianos Oleg Ostapenko, sua esposa Nadijia e Irina Ilyaschenko, ex-técnicos da seleção brasileira, mas não tem nenhum patrocínio ou incentivo público. "Tenho apenas a ajuda de custo por estar na seleção e a bolsa de estudos da faculdade de educação física", reclama a atleta, que vai à sua segunda Olimpíada.

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