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Atletiba empata na arquibancada

Torcida do Atlético cai para 22,55%, enquanto fãs do Coxa chegam a 21,54%. Margem de erro confirma a igualdade

Rodrigo Salvador dos Santos, frequentador assíduo do Alto da Glória, e Roberto Fadel, atleticano com saudades da força da Arena da Baixada: torcidas de Coritiba e Atlético estão empatas tecnicamente na capital paranaense | Fotos: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo e André Rodrigues/ Gazeta do Povo
Rodrigo Salvador dos Santos, frequentador assíduo do Alto da Glória, e Roberto Fadel, atleticano com saudades da força da Arena da Baixada: torcidas de Coritiba e Atlético estão empatas tecnicamente na capital paranaense (Foto: Fotos: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo e André Rodrigues/ Gazeta do Povo)
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Um empate amargo. Assim pode ser definido o Atletiba pela disputa de maior torcida de Curitiba. O levantamento da Paraná Pesquisas ouviu 15.034 pessoas maiores de 16 anos para determinar qual time tem mais fãs na capital. O Atlético venceu, com 22,55%, contra 21,54% do Coritiba. Com a margem de erro de um ponto porcentual, a disputa está tecnicamente empatada.

INFOGRÁFICO: Veja a distribuição das torcidas pelas regiões da capital

A comparação com a pesquisa de 2008, realizada pelo mesmo instituto, revela que a igualdade é resultado da combinação entre a diminuição da torcida do Atlético e um leve crescimento do número de coxas-brancas – há quatro anos, o placar era 24,6% a 21,3% pró Furacão.

A queda atleticana é vista como natural por Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas. Reflexo do arrefecimento do efeito causado pelo crescimento do clube na virada do século. "Acabou a euforia da Arena, do título brasileiro e do vice da Libertadores", constata Hidalgo, que vê a reinauguração da Baixada como o vetor de um novo crescimento dos rubro-negros.

Integrante da geração Are­na, o profissional de comércio exterior Roberto Fadel, de 22 anos, reforça a relação entre volume de torcida e o fechamento do estádio para as reformas da Copa. "O Atlético tem, hoje, uma torcida muito jovem graças à Arena. Sem a Baixada não é Atlético", diz ele, que mora no Prado Velho, a poucas quadras do Caldeirão.

Do lado coxa-branca, a aproximação do rival é atribuída às boas campanhas de 2010 para cá. "Tri estadual, duas finais de Copa do Brasil. Isso fez com que o time se tornasse novamente referência. Mas é um crescimento que só se sustenta com o fortalecimento da estrutura, que é o que vai nos permitir brigar com os times de fora", analisa o presidente Vilson Ribeiro de Andrade.

Um fortalecimento capaz de levar a títulos que façam o torcedor sonhar em extrapolar as fronteiras. "Os clubes têm de buscar um título de Copa do Brasil e estar sempre na Libertadores para ter uma torcida nacional", diz o analista de sistemas Rodrigo Salvador dos Santos, de 27 anos, presença assídua no Couto Pereira.

Antes de sonhar em conquistar o país, a dupla Atletiba precisa defender seu quintal. Nos últimos quatro anos, a torcida do trio de ferro caiu 7% em Curitiba, enquanto a dos 12 maiores clubes do país cresceu 18%.

Mesmo com a liderança na região metropolitana – Atlético 17,89%, Coritiba 15,83% –, os rivais já começam a sentir o avanço dos forasteiros. Se os rubro-negros vencem em 11 cidades da RMC e os coxas em cinco, o Corinthians é o preferido em quatro municípios. No Litoral a divisão é maior: Antonina e Morretes são do Atlético; Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná do Corinthians; Paranaguá do Flamengo.

Pior só mesmo o cenário do interior: o Atlético tem a oitava torcida, com 1,55%, logo à frente do Coritiba, com 1,30%. "É um cenário que vamos levar algumas gerações para mudar", disse o diretor de marketing do Atlético, Mau­­ro Holzmann, em junho, às vésperas da decisão da Libertadores, vencida pelo Corinthians – número 1 do interior com 20,32%.

ParanáSem títulos, Tricolor vê torcida migrar de jovens para aposentados

O mais novo integrante do trio de ferro é mais popular entre aposentados do que entre os jovens. Essa é a pitorisca composição da torcida do Paraná, a terceira maior da capital, empatada tecnicamente com a do Corinthians: 8% contra 6,37% – para Curitiba, a margem de erro é de um ponto porcentual.

A maior concentração de paranistas está entre torcedores acima de 60 anos. São 11,79% dos moradores de Curitiba, herança dos antepassados do Tricolor. Na parcela mais jovem, entre 16 e 24 anos, a presença do Paraná cai para 5,18%, deixando o clube atrás, inclusive, do Corinthians.

"A molecada quer saber de clube vencedor. Nos anos 90 o Paraná ganhava tudo e não tinha para ninguém", atesta o presidente do Paraná, Rubens Bohlen.

Que o diga a estudante Amanda Barbosa (foto), de 17 anos. Minoria na sua idade, ela sofre com as provocações de coxas e atleticanos. "Eles pegam no pé. O jeito é ficar quieta enquanto o time estiver mal. Quando melhorar, aí eles que vão ficar quietinhos", diz ela, que exibia, orgulhosa, os autógrafos do goleiro Marcos e do meia Lúcio Flávio na camisa.

Lúcio Flávio é uma das armas do Paraná para atrair mais jovens. O jogador será a peça central de um projeto social que o clube lançará em janeiro, para atender cerca de duas mil crianças e adolescentes nas suas quatro sedes.

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