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Brasileiro

Atlético convive com o abandono

Rubro-Negro está na vice-lanterna no quesito presença de público, com 6.671 pessoas por jogo

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A combinação entre um time de nível técnico baixo e ingressos a preços altos inibiu drasticamente a presença de torcedores do Atlético em casa.

A rotina de flertar com a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro deixou o Rubro-Negro com a segunda pior média de público da competição. Nem o estádio exaltado pela diretoria rubro-negra como mais moderno do país tem atraído espectadores.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) contabilizou ontem parte das bilheterias da 14.ª rodada e a matemática derrubou o Furacão para o penúltimo lugar com a média de 6.671 pessoas por jogo – em um total de 46.695 torcedores em sete confrontos na Arena.

A marca só supera a do Juventude, que levou apenas 28.363 pessoas ao Alfredo Jaconi, também em sete partidas. Os gaúchos estão na rabeira com a média de 4.052 torcedores.

Os valores dos ingressos na Baixada são divididos em R$ 40 e R$ 30 e garantiram pelo menos uma posição menos vexatória no quesito arrecadação: os R$ 158.530,00 correspondem ao 14.º caixa entre os participantes do Nacional.

O líder de público é o Sport, com um total de 26.538 torcedores – possivelmente graças à oferta de ingressos a valores mais acessivéis (R$ 12). Em contrapartida, a medida atinge o faturamento, deixando o representante pernambucano com apenas a sétima posição (R$ 215.875,14) em renda.

Ao ser questionada sobre os valores cobrados na Baixada – somado a alguns gastos acessórios, uma partida pode custar até R$ 49 por pessoa – a cúpula rubro-negra se eximiu de qualquer responsabilidade.

"Não é o Atlético que é o penúltimo colocado, e sim a torcida do Atlético. O que vamos fazer se o time tem apenas 3.500 sócios", disparou o presidente do Conselho Gestor, João Augusto Fleury da Rocha.

Para o dirigente, os preços não são maiores do que os praticados pela concorrência e nem o futebol da equipe tem sido "tão pior" assim.

"Cada um tem responsabilidade pela sua paixão. Oferecemos as melhores instalações do país. Quem quiser vir, venha. Não vou implorar a ninguém", disse Fleury, insatisfeito com as vaias vindas da arquibancada.

"A obrigação do torcedor era apoiar nesse momento difícil. Quem vai ao estádio para reclamar tem dinheiro sobrando porque paga para vaiar", alfinetou.

Ao contrário da diretoria, os jogadores reconhecem que a campanha em casa espantou o público. Em sete jogos foram apenas duas vitórias, três empates e duas derrotas, um aproveitamento de 42,8%.

"Perdemos muitos pontos na Arena e a torcida está chateada", lamentou o lateral-direito Nei.

"É normal o público diminuir quando a equipe não está indo tão bem. O torcedor tem o direito de reclamar. Só acho que deveria fazer isso após o jogo e não durante, porque alguns jogadores sentem a pressão. Mas nosso trabalho é melhorar para trazer o torcedor de volta. Com eles do nosso lado somos muito mais fortes", analisou Alan Bahia.

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