
Caminho (quase) único para ver jogos do trio de ferro por um preço razoável, os programas de sócio-torcedor estão pegando também entre os times do interior. Das oito equipes de fora de Curitiba inscritas no Paranaense-2015, seis desenvolveram planos adaptados à sua realidade. Quem tem calendário anual, cobra mensalidade. Se a agenda está garantida até o fim do Estadual, a saída é lançar pacotes de ingresso parcelados. Tudo com o mesmo objetivo: atrair um público fiel para a arquibancada e aumentar receita.
Estreante na elite estadual, o FC Cascavel traçou uma estratégia nada modesta. São quatro planos, que variam de R$ 150 a R$ 2,5 mil e dão a garantia de apenas cinco jogos em casa.
"O valor do ingresso avulso é R$ 40,00. Se o torcedor associar, fica praticamente a metade do preço e ainda tem inúmeras vantagens, como ganhar a camisa oficial logo na adesão. O Cascavel é um time que não tem verba e o custo é altíssimo para disputar o torneio", explica Thiago Heitor Presser, diretor da OK Ingressos, que também gerencia os planos de Maringá e Foz.
A OK determina os planos e faz projeções com base em estudo de bilheteria. No caso do Cascavel, a meta é chegar a mil sócios. Hoje, são 150. Número razoável se comparado ao do atual campeão paranaense.
Integrante do Movimento Futebol por um Mundo Melhor, encabeçado pela cervejaria Ambev, o Londrina tem 307 sócios. É o 42.º clube em um universo de 57 participantes de todo o país.
A ideia é alavancar o número na atual temporada. Além da defesa do título paranaense, o LEC tem para 2015 a disputa da Série C do Brasileiro. Também conta com o plano mais barato do Estadual: R$ 15, na categoria mais básica, o Sócio Tubarão Bronze, com acesso a todos os jogos como mandante.
Rio Branco e Operário também fazem parte do programa da Ambev. Aderiram no fim de 2014.
Confirmado na primeira divisão em novembro, com a desistência do Arapongas, o Foz do Iguaçu correu para também ter seu plano de associação. Serão cerca de dez dias entre o lançamento dos pacotes e a primeira partida no Estádio do ABC, dia 8 de fevereiro, contra o Nacional de Rolândia.
"Acredito que a gente tenha isso tudo disponível na quarta-feira. Ficou tudo muito em cima e tivemos de nos adaptar. Por ser novidade, a cidade vai nos apoiar", confia Roberto Mafra, gerente de marketing. Os planos vão de R$ 350 a R$ 1 mil.
Prudentópolis e Nacional de Rolândia serão os únicos clubes sem sócio-torcedor. Preferem apostar na venda avulsa tradicional. Relação direta com o fato de serem das duas cidades de menor população com time no Estadual: 49 mil e 57 mil, respectivamente.
"Estamos estudando, nada certo. Acredito que não façamos por ser cidade pequena, não é vantajoso para nós", argumentou José Danilson, presidente do Nacional.
Fantasma segue política do Atlético
O Estádio Germano Krüger terá um pouco de Arena da Baixada em 2015. Mil cadeiras do Caldeirão antes da reforma para a Copa do Mundo de 2014 foram instaladas. Serão usadas pelos sócios-torcedores do Operário, maneira mais barata de seguir o Fantasma na temporada. A exemplo do Atlético, a quem pagou R$ 50 mil pelas cadeiras, o time de Ponta Grossa subiu o preço do ingresso avulso para estimular as associações.
"Instalamos mil cadeiras padrão Fifa, catracas eletrônicas, novos banheiros, bares, acessos e estacionamento. E jogamos o preço do ingresso lá em cima. Nosso ingresso avulso é super-caro , mas a ideia é mudar a mentalidade do torcedor, para ele se tornar sócio", afirma Antonio Mikulis, ex-presidente e atual diretor de futebol do Operário. "Não adianta o sujeito se declarar torcedor apaixonado. É preciso colocar dinheiro no clube", finalizou, em um discurso que poderia ter saído da boca de Mario Celso Petraglia.
O ingresso super-caro citado por Mikulis é de R$ 80 R$ 40 a meia-entrada. Ano passado, estes eram os valores das cadeiras do Germano Krüger. A arquibancada era comercializada a R$ 30.
A nova política está dando certo. O plano de sócios do Operário já tem 400 membros. A meta é começar o Paranaense com pelo menos 2 mil.
Inspiração do programa do Operário, o Atlético foi o pioneiro no estado. Implementou o Sócio-Furacão em 2004, sempre com a política de apostar em um ingresso avulso caro para estimular as associações. Hoje, as mensalidades variam de R$ 100 a R$ 800. Com essa tabela o Furacão já percorreu mais da metade do caminho para chegar à meta de 40 mil sócios.
O Coritiba chegou a 32 mil sócios na época da final da Copa do Brasil de 2012, mas ano passado teve uma média inferior a 10 mil associados no estádio por jogo. Na campanha, a diretoria eleita prometeu rever a política de ingressos.
O Paraná unificou seus planos de sócios no fim do ano passado. Somente após o término do período de migração, no meio de fevereiro, o clube terá um número fechado de adesões. No modelo anterior, o sócio-torcedor teve seu pico no Tricolor em 2013, com 9 mil membros.




