Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Enduro a pé

Aventura na trilha sem ajuda de roda e tração

Criada nos anos 90 e ainda em crescimento no Paraná, modalidade se inspira nas tradicionais provas de regularidade com jipes e motos

Confira dicas para quem vai fazer sua primeira prova |
Confira dicas para quem vai fazer sua primeira prova (Foto: )
O grupo Amolama, formado por integrantes da mesma família: união reforçada com horas na trilha |

1 de 1

O grupo Amolama, formado por integrantes da mesma família: união reforçada com horas na trilha

Quanto pior, melhor. O lema adotado nos enduros de automóveis foi pego de empréstimo por um pessoal que decidiu dar folga às máquinas, percorrer trilhas nas matas a pé e fazer disso esporte.

Ainda poucos no Paraná, os praticantes do enduro a pé destacam que não se trata de um descompromissado passeio na natureza. É uma batalha contra os próprios limites e contra o relógio. O vencedor, no entanto, não é quem chega em menos tempo, como nas corridas de aventura. O objetivo é a regularidade. Ou seja, cumprir a rota traçada conforme as indicações impostas em uma planilha, assim como nos raids de jipe.

O enduro a pé nasceu no início da década de 1990 em Minas Ge­­­rais, da vontade dos motociclistas percorrerem trilhas sem as duas rodas. O esporte ganhou adeptos em vários estados, especialmente em São Paulo. Estima-se que sejam hoje cerca de 4 mil participantes no país. No Paraná, a modalidade ainda é embrionária, com provas mais simples e curtas. Em Curitiba, cerca de 150 pessoas dedicam seus finais de semana às trilhas.

"O Paraná tem um potencial impressionante para o enduro a pé. Temos uma vegetação fantástica, em lugares próximos a grandes cidades", diz o sócio da Trilha Pé Aventura (empresa de Curitiba que promove a modalidade), Silvio Joucowski.

Uma etapa dura, em média, duas horas e percorre 6 km mata adentro, com obstáculos naturais, como rios, subidas e descidas. O desafio aumenta nas provas noturnas. Bom competidor é aquele que passa nos pontos de controle (PCs) espalhados pelo trajeto no tempo estipulado pelos organizadores. Para aumentar o nível de dificuldade, os enduristas recebem a planilha em metros e precisam converter as distâncias em passos.

Por isso, é um esporte coletivo. As equipes são formadas de três a seis integrantes. Munidos de planilhas, caneta, cronômetro e calculadora (para a conversão metro/passada), cada um tem função bem definida. Ao cronometrista cabe ditar o ritmo da caminhada; o contador de passos faz exatamente o que o nome diz e o anotador calcula o tempo ideal para cada trecho.

"Exige concentração, tranquilidade, poder de decisão e ótimo trabalho em equipe. Não é uma gincana", diz o diretor de provas do Campeonato Paulista de Enduro a Pé, Esdras Martins.

Quanto mais unidos os integrantes, melhor o desempenho da equipe. Nessa hora, um grupo familiar pode levar vantagem. "Monto planilhas no computador com dados da prova e treino em casa com minha esposa, meu irmão e meu pai, de 58 anos. O enduro nos deixou mais unidos", fala Everton Tulio, 28 anos. Os quatro são a equipe Amolama e desde janeiro participam de etapas na região de Curitiba.

Participantes e organizadores das provas garantem que para estrear em uma prova de enduro a pé basta um mínimo de disposição para caminhar."Uma coisa que aprendemos é manter o foco na planilha. Não dá para se afobar quando acontece o primeiro atraso. Prejudica o resto do desempenho", diz Gustavo Müller, 27 anos, da equipe Johnny Walkers, formada por amigos de infância.

Serviço

Em Curitiba, a Trilha Pé Aventura promove provas de Enduro a Pé todo último domingo do mês. Mais informações: www.trilhape.com.br.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.