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Espanha

Azul e grená, mas sem esquecer do verde e branco

Ex-ídolos do Coritiba falam com exclusividade dos primeiros dias na Catalunha. Da estreia de Henrique no Barcelona à ida de Keirrison para o Benfica

Henrique (à esq.) e Keirrison posam com torcedores do Barça no saguão do hotel em que passaram os primeiros dias na Espanha | Ana Carolina Moreno/Gazeta do Povo
Henrique (à esq.) e Keirrison posam com torcedores do Barça no saguão do hotel em que passaram os primeiros dias na Espanha (Foto: Ana Carolina Moreno/Gazeta do Povo)

Barcelona - Keirrison e Henrique ainda dormiam, às 11h30 (horário da Es­­pa­­nha) da última segunda-feira, quando a reportagem da Gazeta do Povo chegou ao hotel em que estavam hospedados, próximo ao Camp Nou, em Barcelona. Haviam passado a noite conversando com o empresário Marcos Malaquias. Falaram sobre as expectativas da nova vida que acabava de começar. A estreia do zagueiro no Barça, após um ano de "estágio" no Bayer Leverkusen; a camisa que o K9 vestiria na primeira temporada europeia. Era o único contato dos amigos antes de cada um seguir seu rumo.

Keirrison levou meia hora para se arrumar e descer ao saguão. Tinha na mente o Benfica, que aca­­bava de tomar do rival Porto a preferência para contratá-lo. Mas em momento algum admitiu a ida para o time mais popular de Portugal. O negócio seria fechado horas mais tarde.

Henrique apareceu 15 minutos depois, ainda cansado por causa do vôo noturno desde a Ingla­­terra e os dois jogos da Copa Wem­­bley que disputou pelo Barcelona, contra Al-Ahly (4 a 1) e Tottenham (1 a 1).

Felizes, se esforçam para controlar a ansiedade pelo início da temporada, no fim do mês. Hen­­rique, mais que Keirrison, já começou a incorporar a habitual tranquilidade com que os jogadores mais célebres do Barça falam à imprensa. Agora é um homem de poucas frases, prefere falar no campo. O amigo e quase parente Keirrison (o atacante namora a irmã do zagueiro, Hevelyn) só pensava em decidir logo seu destino para voltar a jogar futebol, depois de um mês de férias forçadas.

"Eu pensava em estar no Bar­­ce­­lona aos cinco anos de idade", contou Keirrison, ciente da responsabilidade que o espera na equipe catalã a partir de 2010. Afinal, custou 14 milhões de euros e, quando integrar o elenco, precisará disputar espaço ao lado dos intocáveis Lionel Messi e Thierry Henry com o sueco Zlatan Ibrahimovic e o menino-prodígio Bojan, egresso das categorias de base do Barça.

Aos poucos Henrique assimila o que é ser jogador do Barcelona. Já fez amizade com Henry, começa a descobrir por que o lema do Barça é "mais que um clube". Segundo o jogador, a equipe catalã foge da influência de sua imensa popularidade criando, ao redor do elenco e da equipe técnica, um ambiente de tranquilidade para proteger o desempenho do grupo da pressão externa.

"Um está sempre querendo ajudar o outro. É isso que faz fortalecer o Barcelona", explica o beque.

Por outro lado, o grau de exigência é alto. Henrique sabe que precisará trabalhar muito para superar a dura concorrência por um lugar no elenco principal. Seus adversários: o capitão Carles Puyol, o titular Rafa Marquez, o reserva imediato Gerard Piqué, o recém-contratado José Cáceres e, em alguns casos, o improvisado Yayá Touré.

A imprensa espanhola notou a ansiedade do jogador durante suas duas primeiras atuações, mas reconhece que o passo mais importante, o de entrar em campo e começar a se adaptar ao estilo do time culê, já foi dado. Henrique concorda e se agarra ao fato de o Barcelona o ter buscado logo após a primeira temporada na Ale­manha para manter a vontade de se encaixar no elenco. Ele aproveita sua experiência para dar uma dica a Keirrison sobre como aproveitar ao máximo o processo de adaptação ao futebol europeu: "Eles estão sempre de olho aqui, então o que você fizer lá reflete aqui".

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