
"Chega na sexta, se reúne com o grupo para conhecer os companheiros e tomar uma água que você sabe qual é. No sábado joga uns 20 minutinhos, só para fazer uma graça. Semana que vem joga para valer." Com o despojamento típico do futebol amador, o presidente do Bairro Alto, Cláudio Cunha, define a chegada da mais galáctica contratação da história da Suburbana.
Alex Mineiro, herói do título brasileiro do Atlético em 2001, estreia hoje, às 15h30, em casa, pelo Bairro Alto contra o Capão Raso, na última rodada da primeira fase do Campeonato Amador. O eterno camisa 9 rubro-negro é apenas a mais reluzente estrela do Caba.
Para defender o título, o clube montou uma seleção de jogadores profissionais aposentados de preferência com o mais importante título rubro-negro no currículo. Já defendem a equipe os ex-zagueiros Nem e Rogério Corrêa. O volante Douglas Silva, reserva do time de Geninho, estreia com Alex. Reinaldo, revelação do Atlético-MG dos anos 90; Edmílson, ex-Coritiba e Palmeiras; e Alex Lopes, volante rubro-negro nos anos 90, completam a constelação. Um ideia, claro, nascido numa mesa de bar.
"Começou em uma brincadeira de fim de semana numa cervejinha. Ele falou em trazer os campeões de 2001 e fomos atrás", explica Cunha. O capitão Nem, a partir de hoje, será o treinador do time.
"Ele" é Sidney Felipe, dono da Brameincol, empresa de metalurgia com sede em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). Patrocinador do Ana Terra, clube amador de Colombo, Felipe começou a por dinheiro no Bairro Alto ano passado, graças à amizade com o Cunha corretor, o presidente do Caba vende seguros para o dono da metalúrgica. O clube foi campeão (com uma robusta premiação de R$ 50 mil) e o mecenas decidiu aumentar a aposta para a atual temporada.
"O sonho da vida dele era trazer esses caras campeões de 2001. É fanatismo. Sou coxa-branca e no meu time eles não jogariam. Mas não posso perder o patrocinador", brinca Cunha.
O ex-volante Cocito foi o primeiro a ser procurado pelo Caba, treinou por duas semanas no clube. Recusou para ter os fins de semana livres e indicou Rogério Corrêa. Apesar da recusa, Cocito ficou impressionado com a oferta do Bairro Alto.
"Pagam um dinheirinho legal. Dá para tomar várias geladas e fazer um belo churrasco depois do jogo. E com uma galera", compara.
Na Suburbana, os jogadores são pagos por partida. No Bairro Alto, o cachê bate em R$ 3 mil para os reforços mais ilustres, com luvas de R$ 5 mil na assinatura do contrato. Ou seja, se o Caba chegar à final sempre com Alex Mineiro em campo, o ex-atacante rubro-negro disputará nove partidas e receberá R$ 32 mil. Pouco para quem acostumou-se com salários de três dígitos, mas muito para um campeonato amador, em que nem se exige a presença em treinamentos.
Alex Mineiro, Reinaldo e Douglas Silva passarão a semana nas suas cidades (Belo Horizonte para os atacantes; Rio para o volante), chegam a Curitiba na sexta e voltam no domingo. Passagens aéreas e estada, claro, pagas pelo clube.
"Não posso falar o valor investido, mas daria para disputar a Série B do Paranaense", compara Cunha.
Exceto o Paraná Clube, os demais participantes da Segundinha deste ano desembolsaram algo em torno de R$ 200 mil por três meses de competição.
Embora muito maior no Bairro Alto, o investimento é questão de sobrevivência na Suburbana. "O time que não contratar quatro, cinco ex-profissionais hoje em dia não vai a lugar nenhum", resume Nelson Dias Ugolini, o Abatiá, diretor de futebol amador da Federação Paranaense.
Apesar do evidente desequilíbrio técnico, Abatiá é favorável à busca por profissionais para reforçar a presença de público nos estádios. "Neste ano cresceu em 40%", contabiliza.
A chegada de Alex Mineiro deve aumentar este efeito. O frenesi causado entre os atleticanos foi tamanho, que até cogitou-se a presença da Os Fanáticos nas partidas do Caba, algo desmentido pela organizada. De qualquer maneira, para o torcedor comum será uma oportunidade única de rever velhos ídolos. E, como manda a tradição da Suburbana, ter até mesmo chance de brindar as vitórias com eles.
Serviço:
Estádio Pedro de Almeida Andrade, capacidade para mil espectadores. Endereço: Rua Joaquim da Costa Ribeiro, sem número, Bairro Alto. A entrada é franca.



