Ficou difícil para Rubens Barrichello realizar o sonho de ser campeão da Fórmula 1. No GP de Cingapura, vencido pelo inglês Lewis Hamilton ontem, o piloto brasileiro da Brawn GP conseguiu apenas a sexta colocação e viu aumentar a sua diferença para o líder do campeonato. Afinal, o inglês Jenson Button terminou a corrida em quinto lugar e, faltando apenas três etapas para o final da temporada, passou a ter 15 pontos de vantagem.
Enquanto Hamilton fez trabalho impecável, liderando de ponta a ponta, as atenções na corrida noturna da Fórmula 1 ficaram voltadas para os postulantes do título, os dois pilotos da Brawn GP. E, mesmo tendo largado atrás, Button chegou na frente de Rubinho. Assim, o inglês aumentou em um ponto a sua vantagem na liderança, podendo ser campeão já no próximo domingo, quando acontece o GP do Japão. Agora, ele está com 84 pontos, contra 69 do brasileiro.
Matematicamente, o alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, ainda pode chegar ao título, já que terminou o GP de Cingapura em quarto lugar, atrás também do alemão Timo Glock (Toyota) e do espanhol Fernando Alonso (Renault). Restam três etapas Japão, Brasil e Abu Dabi.
Quando Rubinho fez seu segundo pit stop, na 46.ª volta do GP de Cingapura, ocupava o terceiro lugar, atrás do líder Hamilton e de Alonso na realidade, era o quarto colocado, pois Glock tinha parado antes e recuperaria a posição. Enquanto isso, Button estava em quarto, com mais de cinco segundos de desvantagem, mas só pararia cinco voltas depois. O problema é que o motor do carro de Rubinho morreu quando ele parou nos boxes, o que o fez perder tempo.
"Eu não sei o que aconteceu. O neutro (ponto morto) não entrou. Acreditamos que seja um problema no botão, dá para ver pelas imagens da tevê que eu o aciono", explicou Rubinho. "O sistema que impede de o motor morrer também não funcionou, o que já me aconteceu duas vezes este ano", completou o brasileiro. Os mecânicos, então, tiveram de religar o motor com o sistema pneumático. Foram preciosos quatro segundos a mais do que uma parada normal.
"O Button me ultrapassou por causa desse tempo perdido no pit stop", lamentou Rubinho, bastante incomodado com a situação. Afinal, ele largou em nono lugar, ultrapassou o polonês Robert Kubica (BMW) e o finlandês Heikki Kovalainen (McLaren) antes da primeira curva, assumindo a sétima colocação, enquanto Button era apenas o 10.º naquele momento. Ou seja, a corrida parecia ser favorável ao brasileiro.
Mas, além do tempo perdido por Rubinho nos boxes, Button encontrou pista livre pela frente entre a 46.ª e a 51.ª volta, quando registrou tempos excelentes, o que o fez deixar os boxes depois do segundo pit stop já na frente do brasileiro, o que se manteve até a bandeirada final.
"Estou bem desapontado com o resultado, mas se eu considerar que tive de trocar o câmbio (perdeu cinco colocações no grid), bati na classificação, tive problemas de freio durante a corrida, fui atrapalhado pelo safety car, meu pit stop foi bastante ruim e, mesmo assim, perdi um ponto apenas para o Button, tenho de entender que estou no lucro", comentou Rubinho.
A pergunta a Rubinho foi inevitável: não dá para suspeitar de favorecimento a Button? "Não. Fui mais rápido que ele o fim de semana todo, classificando-me na sua frente, na corrida também, e é dessa forma que tenho de ir para as três provas finais", respondeu o brasileiro, mantendo a esperança na briga pelo título.



