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Copa das Confederações

BH estreia reforçando protestos

Sede mineira do evento-teste da Fifa teve pelo menos 10 mil manifestantes na rua, trânsito lento e confrontos com policiais

Manifestantes tomam as ruas em direção ao Estádio Mineirão, em Belo Horizonte: protesto contra o preço da Copa para o país | Carlos Roberto/ Hoje em Dia
Manifestantes tomam as ruas em direção ao Estádio Mineirão, em Belo Horizonte: protesto contra o preço da Copa para o país (Foto: Carlos Roberto/ Hoje em Dia)

A visibilidade garantida pela Copa das Confederações ajudou a promover na segunda-feira (17) mais um capítulo na série de protestos que percorre o país, incluindo as cidades-sede do evento-teste da Fifa. Assim como ocorreu com Brasília e Rio, a disputa chegou nesta segunda a Belo Horizonte e com ela a oportunidade de os manifestantes darem eco às suas reivindicações ou insatisfações.

A mobilização – estimada em 10 mil pessoas pela Polícia Militar e em 35 mil pelos organizadores – se reuniu na Praça Sete, marco zero da capital mineira, para se dirigir ao Mineirão, onde ontem se enfrentaram Taiti e Nigéria, com os africanos vencendo por 6 a 1.

Na tentativa de conter a manifestação, o Exército Brasileiro reforçou a segurança na cidade, que já contava com um efetivo de mil policiais, incluindo tropas de outras três cidades mineiras (Juiz de Fora, São João del Rei e Santos Dumont) e até de Petrópolis (RJ). Houve ainda o reforço do batalhão de choque e da cavalaria. Mas, mesmo assim, BH não escapou dos confrontos.

Os policiais montaram barreiras para conter o grupo que seguia para o estádio e o maior enfrentamento ocorreu por volta das 17h30, perto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os militares usaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar o grupo. Houve também, segundo relato dos manifestantes, o uso de spray de pimenta e de balas de borracha por parte dos militares.

A mobilização, marcada por meio das redes sociais e que protesta contra o preço das passagens em Belo Horizonte e as intervenções da Fifa no país, contou ainda com a participação de policiais civis, pedindo reajuste salarial. Mesma motivação de cerca de 300 professores que se reuniram na Pampulha, também no início da tarde de ontem.

Nenhuma entidade de classe, contudo, pôde se declarar envolvida, sob o risco de ser condenada a pagar uma multa diária de R$ 500 mil. A punição foi definida em uma liminar concedida no dia 13 junho ao governo mineiro pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), proibindo sindicatos de obstruir vias públicas e tumultuar o trânsito em Minas Gerais durante manifestações para divulgar seus movimentos grevistas.

Um dos líderes do movimento, Gladson Reis, vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), garantiu mais cedo que o grupo era pacífico, mas já previa a possibilidade do confronto. "Vamos seguir com o objetivo de ir até o Mineirão, vamos conversar com a polícia e tentar passar [em caso de bloqueio] pacificamente, se houver violência a responsabilidade é da PM".

A mobilização causou muitos transtornos no trânsito de Belo Horizonte. O deslocamento ficou lento, houve engarrafamento e só não foi pior porque as aulas estavam suspensas e foi decretado ponto facultativo na cidade por causa do duelo da Copa das Confederações. Em virtude do bloqueio, muitos torcedores tiveram de caminhar por quase dois quilômetros para chegar ao estádio.

No início da noite a mobilização retornou ao centro da capital mineira, onde cerca de três mil pessoas protestavam. Não houve registro de novos confrontos.

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