
Doha - Mano Menezes e Ronaldinho Gaúcho. Os dois concentram o foco das atenções da maioria em Doha, no Catar, onde o Brasil enfrenta a Argentina, de Lionel Messi, no Estádio Al Khalifa, às 15 horas (de Brasília). É o primeiro grande teste do treinador, que no comando da seleção tem vitórias sobre Estados Unidos (2 a 0), Irã (3 a 0) e Ucrânia (2 a 0). Já para o meia-atacante do Milan, de 30 anos, a convocação pode representar a última oportunidade de pensar em fazer parte do elenco que vai disputar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Ontem, ainda no hotel, Ronaldinho conversou com os jornalistas. Deu sinais de estar consciente do desafio. "Senti muita tristeza por ficar de fora da última Copa. Serviu para me motivar ainda mais para estar na próxima. E sei que tenho essa possibilidade."
Mano Menezes, depois do treino, explicou que o objetivo ao chamá-lo de volta é introduzir mais experiência no grupo. "Ele deve agregar valores pela qualidade técnica e essa responsabilidade, agora, deve influenciar no seu jogo." E mandou um recado aos demais atletas que fracassaram na África do Sul: "Meu plano é esse, combinar a juventude com a experiência, dar estabilidade ao time".
Sempre bastante comedido, Ronaldinho desta vez não escondeu certo entusiasmo com a nova oportunidade. "A primeira convocação [1999] é sempre muito importante, mas minha alegria agora foi em dobro." Depois de abril de 2009, ele não foi mais lembrado por Dunga.
Ontem, o melhor jogador do mundo em 2004 e 2005 procurou fazer o que Mano Menezes lhe pediu no treino. O técnico acompanhou tudo de perto, do meio do campo, e regularmente comandava os posicionamentos. Ronaldinho jogará mais pela esquerda, ao lado de Neymar, enquanto Elias ficará mais pela direita, servindo Robinho. "As características do Ronaldinho ajudam bastante os atacantes a se movimentarem, o que é importante para enfrentar um adversário que trabalha com uma linha de quatro [na defesa]. Dificulta a marcação", explicou Mano. A opção por Neymar é também pela velocidade.
Quando o treinador foi contratado pela CBF para substituir Dunga, sua missão ficou bem clara: devolver à seleção o que sempre a caracterizou, a qualidade do futebol. "Vamos sempre tentar, como contra a Argentina, mas nem sempre é possível", ponderou Mano. O treinador comentou que já está gostando do jogo por ser a primeira vez que o time sob seu comando entra em campo "com a responsabilidade dividida com o adversário. Até agora só nós tínhamos a obrigação de vencer."
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