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Brasil “resgata” Dunga para conter promessas

Após início ruim, capitão Lúcio cutuca Neymar, Ganso e Pato. “O símbolo da camisa é mais importante do que o nome nas costas”

Los Cardales, Argentina - "Comprometimento", "seriedade" e "grupo". Palavras que foram lemas na seleção brasileira de Dunga, sempre em clima de guerra, voltaram a ter destaque ontem. Pela boca do capitão Lúcio, em discurso contra o individualismo, dirigido especialmente aos mais jovens após os empates com Venezuela e Paraguai pela Copa América. Mas de forma calma e educada, bem diferente do ex-treinador.

"Não são só três que vão fazer a diferença. O principal da seleção sempre foi a força do grupo, a união. Temos de preservar a seriedade e o comprometimento. O símbolo da camisa é mais importante do que o nome nas costas", declarou o zagueiro de 33 anos, há dez na seleção e capitão desde a gestão anterior.

Frases que deixam clara a falta de mobilização na seleção de Mano Menezes, em contraste com o exagerado espírito competitivo que deixou o time de Dunga tenso na Copa da África do Sul há um ano. Para Lúcio, a equipe "deu uma relaxada", o que precisa ser consertado antes do jogo de amanhã, às 21h45, contra o Equador, decisivo na luta pela classificação.

Os "três" seriam os jovens Neymar (19 anos), Paulo Henrique Ganso (21) e Alexandre Pato (21), que serão titulares novamente. "Em campo não muda o fato de ter mais experiência ou não. Acima de tudo o jogador tem de mostrar porque está na seleção. Não é só uma vitrine, cada um tem de saber o peso e a responsabilidade dessa camisa", reforçou.

As palavras recaem mais sobre Neymar, adepto das jogadas individuais, enquanto Ganso procura quase sempre o passe e Pato depende de a bola chegar na área. Mano já havia avisado que pediria ao jogador para soltar a bola mais rápido, o que dispersaria a marcação, às vezes tripla, e o permitiria receber novamente contra apenas um adversário. Pelo menos no treino de ontem a orientação foi cumprida pelo garoto.

A dúvida é sobre quem os acompanhará no setor ofensivo. O meia Jadson, surpresa na escalação da última partida, começou como titular o treino. Na sequência, porém, foi substituído pelo atacante Robinho, um dos símbolos da era Dunga, que desembarcou na Argentina como titular, mas não resistiu à má na estreia. O jogador, aliás, foi o capitão nos primeiros amistosos sob o comando de Mano, antes do retorno de Lúcio em 2011.

A novidade foi a entrada o lateral-direito Maicon no lugar de Daniel Alves. Foi ele que perdeu a bola na área no lance do gol da virada paraguaia. Mesmo sem citá-lo nominalmente, o técnico, e agora Lúcio, não deixaram passar barato. "Nossa equipe arriscou demais, principalmente na defesa, onde precisa jogar mais sério", cravou o capitão, mostrando que a exigência não é apenas com quem chegou agora – Daniel, por exemplo, foi seu companheiro na última Copa –, mas com qualquer um que deixe por um momento de ter "comprometimento", "seriedade", ou não pense no "grupo".

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