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Judô

Brasil vira alvo no tatame chinês

Sucesso no Mundial deixa lutadores do país na mira dos rivais para 2008

As quatro medalhas conquistadas no Mundial do Rio de Janeiro – três ouros e um bronze – elevaram o Brasil à condição de potência do judô. O desempenho histórico, superado somente pelo pai do esporte, Japão, nas últimas lutas na Arena Olímpica de Jacarepaguá, reforçou a expectativa sobre a atuação da equipe verde-e-amarela nos Jogos Olímpicos de Pequim, no ano que vem.

Campeões do mundo, Luciano Corrêa, Tiago Camilo e João Derly (o único do grupo que já havia subido no ponto mais alto do pódio, em 2005, no Egito) desembarcarão na China na condição de favoritos. "Vamos a Pequim com um time maravilhoso, o mais forte de todos os tempos. Mas Olimpíada é outra coisa, será muito mais difícil", avaliou Ney Wilson, coordenador técnico do Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

A preocupação do dirigente faz sentido. As vitórias recentes tornaram os judocas brasileiros o alvo a ser batido. Como já previa o técnico da equipe masculina, Luís Shinohara, os rivais dedicarão mais tempo a partir de agora em busca de uma fórmula para bater os melhores do planeta. "Vamos ter muito trabalho até a Olimpíada para neutralizar essa pressão", comentou o treinador, que, surpreendido com a supremacia do país no Mundial, destacou principalmente o título do brasiliense Luciano Corrêa na categoria até 100 kg.

"Não posso negar que não esperávamos conquistar três medalhas de ouro. E, dessas três, talvez a do Luciano seja a mais impressionante. Ele é um atleta que luta muito mais com o coração do que com a técnica", disse Shinohara.

Há ainda um segundo elemento, secundário é verdade, que pode influenciar no desempenho da equipe nacional em solo oriental. No Rio de Janeiro, os judocas contaram com o apoio da torcida, que se não lotou a Arena Olímpica, ao menos fez barulho suficiente para atrapalhar os rivais, ajudando o Brasil a quebrar o recorde de três medalhas obtidos nos campeonatos de 1997 (uma prata e dois bronzes) e 2003 (três bronzes). "O fato de competir no Brasil dá uma motivação a mais para o atleta", afirmou o técnico.

"Os torcedores acabaram influenciando um pouco na decisão da arbitragem, pressionando, gritando das arquibancadas. Tentamos tirar essa energia que eles passam e colocá-la dentro do tatame", completou Tiago Camilo, de 25 anos, em entrevista ao site GloboEsporte.com.

Vencedor na categoria até 81 kg, Camilo foi eleito o melhor judoca do mundo após vencer os sete confrontos que disputou por ippons, pontuação equivalente ao nocaute no boxe. "Sonhava ser campeão mundial e consegui. Agora vou tentar o título olímpico. Busco a perfeição em tudo na minha vida e no judô a perfeição está no ippon", disse ele, que em 2000 voltou dos Jogos Olímpicos de Sydney com a medalha de prata pendurada no pescoço. "Eu tinha apenas 18 anos e deixei algumas coisas escaparem daquela vez", ponderou.

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