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Atletismo

Brasileiro “cresce” e supera mito paralímpico

Oscar Pistorius, biamputado que disputou há 30 dias a Olimpíada, contesta tamanho da prótese de rival

Alan Fonteles (à esquerda) teve uma arrancada surpreendente e superou Oscar Pistorius perto da linha final dos 200 metros | Glyn Kirk/ AFP
Alan Fonteles (à esquerda) teve uma arrancada surpreendente e superou Oscar Pistorius perto da linha final dos 200 metros (Foto: Glyn Kirk/ AFP)
Terezinha Guilhermina (com o seu guia) bateu o recorde olímpico nos 200 metros. Prata também foi de brasileira: Jerusa Santos |

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Terezinha Guilhermina (com o seu guia) bateu o recorde olímpico nos 200 metros. Prata também foi de brasileira: Jerusa Santos

Recorde adiado- Os nadadores Daniel Dias (foto) e André Brasil tiveram ontem a chance de, juntos, se tornarem os maiores medalhistas de ouro do Brasil na história em Paralimpíadas. No entanto, na prova do revezamento 4x100 metros livre, a equipe brasileira – que contou com a dupla – ficou fora do pódio, em quarto lugar |

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Recorde adiado- Os nadadores Daniel Dias (foto) e André Brasil tiveram ontem a chance de, juntos, se tornarem os maiores medalhistas de ouro do Brasil na história em Paralimpíadas. No entanto, na prova do revezamento 4x100 metros livre, a equipe brasileira – que contou com a dupla – ficou fora do pódio, em quarto lugar

Tudo estava dentro da normalidade ontem na prova dos 200 metros. Em sua primeira final na Paralimpíada de Londres, Oscar Pistorius largou bem e abriu vantagem diante dos oponentes. Nos metros finais, no entanto, o brasileiro Alan Fonteles - que iniciou a metade final da prova brigando pelo quinto lugar - disparou da parte de trás da disputa e acelerou suas próteses para conquistar o ouro.

Os aplausos não foram tão intensos no lotado Estádio Olímpico: fruto do espanto. O público estava boquiaberto com o que havia acabado de ver. Um dia depois de criticar as próteses do brasileiro, por considerá-las muito longas, o sul-africano viu o adversário acabar com a chance de seu tricampeonato paralímpico na prova da categoria T44.

A grande estrela dos Jogos foi ofuscada. Pistorius, que há exatos 30 dias fez história ao ser o primeiro biamputado a participar de uma prova olímpica, estava visivelmente abatido após a derrota. Na rápida entrevista que concedeu, apenas respostas curtas. Todas para criticar o oponente.

"Estou decepcionado. Ele está dentro do que é permitido, mas a questão é que alguns atletas estão muito altos. Este tamanho das próteses tem de ser visto. Há menos de um ano, ele corria na casa dos 23 segundos. [Depois de aumentar ‘as pernas’], ele fez 21 segundos. É um fato", declarou o corredor, que abandonou a coletiva ao ser perguntado se as próteses estavam fazendo mais diferença do que o talento dos atletas.

O astro chegou a formalizar a crítica ao Comitê Paralímpico. A entidade lhe respondeu que os "competidores estavam dentro do padrão".

O conterrâneo de Pistorius, Arnu Fourie (quarto colocado na final), foi mais direto. "Você pode perguntar para qualquer um do público. Ele [Alan] parecia estranho, desproporcional. Já se você olha para o Oscar [Pistorius], há uma proporcionalidade no corpo", disparou.

No último mundial da modalidade, o brasileiro media 1,76m. Em Londres, ele está com 1,81m. A diferença, segundo a comissão técnica nacional, foi para adequar o atleta ao crescimento corporal dele, já que o atleta utilizava o mesmo suporte desde os 16 anos, quando disputou a primeira Paralimpíada da carreira, em Pequim. Na China, aliás, Fonteles marcou 24s21 na final dos 200 metros, quase três segundos mais lento do que o tempo registrado ontem (21s45).

"Eu estou dentro das regras. Isso é o que importa. Não tenho que falar para ninguém se estou pequeno ou grande. Se ele se incomodou com isso, não posso fazer nada", defendeu o medalhista de ouro.

Mesmo ressaltando várias vezes que não queria polêmica, o paraense cutucou o mais novo arquirrival algumas vezes. "Eu fiquei chateado com tudo o que foi dito. Ele bateu o recorde mundial ontem [21s30] e eu precisaria de mais gás hoje [ontem]. Ele veio forte na semifinal para mostrar que ele era o dono da noite", disse. "Ele é o recordista mundial? É. Mas no final vale quem chegou primeiro".

A rivalidade criada será testada em mais três provas na Paralimpíada: 100 m, 400 m e revezamento 4 x 100 m.

*O jornalista viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

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