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Basquete

Brasileiro vira o dono do garrafão

Anderson Varejão vive melhor momento da carreira e assume papel de destaque, batendo recordes como um dos principais ala-pivôs da temporada

Varejão é o atleta com mais rebotes da Liga Americana, com média de 14,4 por jogo | Aaron Josefczyk/Reuters
Varejão é o atleta com mais rebotes da Liga Americana, com média de 14,4 por jogo (Foto: Aaron Josefczyk/Reuters)

Quando a temporada da NBA começou, no fim do outubro, era difícil imaginar um brasileiro com papel de destaque na liga de basquete dos Estados Unidos. Quase dois meses depois e com cerca de um terço dos jogos da fase regular disputados, Anderson Varejão vem desmentindo as previsões. Ele deixou o papel de coadjuvante de lado, tornou-se um dos principais ala-pivôs do campeonato e sonha em participar do All-Star Game, o Jogo das Estrelas, em fevereiro.

A ambição ousada reflete os números obtidos por ele na sua equipe, o Cleveland Cavaliers. Se alguém pode ser chamado de o "dono do garrafão da NBA" até aqui, este jogador é Varejão. Ele é o atleta com mais rebotes em toda a liga – média de 14,4 por jogo. Além disso, tem sido mais preciso nos arremessos e, em relação a sua média da carreira, praticamente dobrou o número de pontos por jogo: passou de 7,7 para 14,1.

"O que mudou foi que estou procurando mais a cesta, atacando mais. As oportunidades vêm aparecendo e isso é mostrado nos números. Quero continuar pegando rebotes, marcando pontos, porque é a minha contribuição para o time", diz Varejão.

A boa fase rendeu recordes ao capixaba de 30 anos. Ele emplacou nesta temporada uma sequência de dez jogos consecutivos com pelo menos 10 pontos e 15 rebotes, feito obtido antes na história da NBA por apenas um jogador, Moses Malone, no fim da década de 70.

Nomes como o de Charles Barkley – integrante do Dream Team de 1992 e que conseguiu, no máximo, seis jogos deste tipo – foram deixados para trás pelo brasileiro, que deseja que as marcas o impulsionem para o Jogo das Estrelas, partida exibição que reúne os principais atletas da liga.

"Se eu falar que disputar o All-Star Game não é um sonho, estaria mentindo. Todo jogador quer participar. Se me chamarem, vou ficar muito feliz", conta.

Varejão, no entanto, tem sido uma exceção dentro de seu time. O Cavaliers tem, até agora, a segunda pior campanha entre as 30 franquias da NBA, com apenas cinco vitórias em 27 jogos. O fato de ser praticamente uma "estrela solitária" aumenta as especulações em torno de uma futura transferência para uma equipe que possa brigar por títulos.

"Não penso em sair de Cleveland. Aqui é a minha segunda casa, estou adaptado, me sinto muito bem. De vez em quando surgem boatos sobre uma troca, mas não me envolvo, deixo isso para os meus agentes e para o clube", despista.

Quem mais torce por essa permanência são os fãs do Cavs, que tratam Varejão com um verdadeiro ídolo. Na próxima sexta-feira, por exemplo, na partida diante do Atlanta Hawks, será organizada a "Wig Night" (Noite das perucas), em que os torcedores ganham uma vasta cabeleira – parecida com a do brasileiro – para homenagear o jogador.

"Vai ser mais uma noite muito especial. É por eles, por essa torcida, que me entrego ao máximo dentro de quadra. Esse carinho que recebo, a maneira como eles me tratam, não tem preço."

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