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Judô

Bronze em Londres torna-se presente especial para Mayra Aguiar

A judoca gaúcha conquistou a terceira medalha brasileira na modalidade na véspera do seu 21º aniversário

Número 1 do mundo, Mayra Aguiar comemora a vitória por ippon sobre a holandesa Marhinde Verkerk | Daniel Castellano, enviado especial/ Gazeta do Povo
Número 1 do mundo, Mayra Aguiar comemora a vitória por ippon sobre a holandesa Marhinde Verkerk (Foto: Daniel Castellano, enviado especial/ Gazeta do Povo)

No penúltimo dia de competições do judô nos Jogos de Londres, o Brasil chegou à sua terceira medalha, mantendo viva a intenção de fazer 2012 ficar marcado como ano da melhor campanha do país nos tatames olímpicos. A gaúcha Mayra Aguiar conquistou o bronze na categoria até 78 quilos e fez sua parte na contagem das medalhas da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), que quer chegar a quatro pódios. O de ontem foi o terceiro.

Líder do ranking mundial, ela era cotada para o ouro, mas o sorteio das chaves não ajudou. Ela confrontou a número 2 do mundo, a norte-americana Kayla Harrison, na semifinal e a rival levou a melhor, vencendo-a por ippon em uma chave-de-braço. "Independentemente da cor, é uma medalha olímpica, tenho de comemorar. E amanhã [hoje] é meu aniversário [21 anos]. Tanta gente que queria estar aqui [nos Jogos] só para participar e eu estou saindo daqui com uma medalha", afirmou.

Mesmo com a alegria da conquista, Mayra não conteve as lágrimas na hora de falar das cobranças sobre os companheiros de seleção bem colocados no ranking mundial e que ficaram fora do pódio, como Rafaela Silva, Leandro Guilheiro e Tiago Camilo.

"Ouvimos coisas que doeram bastante. Então, queria pedir um pouco mais de respeito pelos heróis brasileiros, os atletas que lutam pelo país. Chegamos com dois atletas número 1 do mundo [ela e Guilheiro], mostramos que somos fortes. Não dá para mensurar nosso trabalho por uma competição. Não dá para pisar nos nossos heróis. Às vezes, o povo brasileiro peca um pouco nisso", desabafou.

Com o terceiro pódio, o judô se afirma como força motriz do Brasil para definir sua classificação no quadro de medalhas. No total, o esporte conquistou 18 medalhas desde o primeiro pódio, com o bronze de Chiaki Ishii em 1972 (3 ouros, 3 pratas, 12 bronzes). Com o desempenho da gaúcha, o judô nacional faz sua melhor campanha qualitativa em Olimpíadas, com dois bronzes e um ouro, contra os três bronzes de Pequim-2008.

Os jogos chineses marcaram a estreia de Mayra na competição, quando, aos 16 anos, perdeu a primeira luta e foi eliminada. Ontem, diz ter mostrado maturidade. Mas, depois de duas lutas bem-sucedidas, com vitórias sobre a tunisiana Hana Mareghni, penalizada por não combater, e o ippon em imobilização sobre a polonesa Daria Pogorzelec, a derrota para Kayla estragou os planos de chegar ao topo do pódio. Na decisão do bronze, ela venceu a holandesa Marhinde Verkerk aos 1min30s de confronto, com um golpe de pernas que lhe rendeu o ippon. "Olhei para a medalha... é linda. Quando coloca a medalha no peito, é uma satisfação enorme, um conforto. A medalha é pesada, mas no corpo fica leve" disse.

O representante no masculino de ontem, na categoria até 100 kg, Luciano Corrêa não passou das oitavas de final. Perdeu para o holandês Henk Grol por falta de combatividade. É a segunda vez que o holandês vira algoz do brasileiro, repetindo a eliminação de Pequim-2008.

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