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Cotidiano

“Caça ao tesouro” avança no campo esportivo

Modalidade que mistura tática, recreação e uso da natureza torna-se moda para quem procura fugir da rotina. País tem 10,6 mil praticantes

Guilherme Ovçar é vice campeão brasileiro do 20 elite de corrida de orientação | Priscila Forone/ Gazeta do Povo.
Guilherme Ovçar é vice campeão brasileiro do 20 elite de corrida de orientação (Foto: Priscila Forone/ Gazeta do Povo.)
Entenda como se pratica o esporte |

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Entenda como se pratica o esporte

Se na infância participar da gincana de caça ao tesouro era apenas uma brincadeira, na vida adulta o desafio continua com a pecha de modalidade esportiva. É a chamada ?orientação? ? espécie de simbiose entre recreação e natureza.

A diferença básica entre a brincadeira de criança e a atividade crescente entre crianças, jovens e adultos do país, sobretudo no Paraná, consiste em não existir mais a busca pelo baú recheado de ouro enterrado sob um X em vermelho.

A prática é individual e consiste em percorrer um trajeto na mata de aproximadamente uma hora de duração com o auxílio de um mapa topográfico do local, bússola e observação de pontos de referência.

Com base nisso, o atleta, chamado de orientista, precisa terminar o percurso entre os variados terrenos no menor tempo possível sem deixar de passar por pontos numerados de controle obrigatórios. Pode até ser uma modalidade de competição ? só que o lado recreativo da prática tem chamado cada vez mais pessoas dispostas a buscar o tal tesouro.

Segundo dados da Con­­fede­ração Brasileira de Orientação (CBO), o número de filiados cresceu mais de 14 vezes nos últimos dez anos (hoje são 10.648). Para entender a simbologia universal do mapa, são oferecidas aulas teóricas e práticas, cada vez mais procuradas.

?As pessoas são atraídas por causa do desafio, do contato com a natureza e para manter a qualidade de vida?, explica o instrutor e vice-presidente da Federação Paranaense de Orientação (FPO), Luciano Oliveira. A primeira edição da clínica de orientação foi em 2008 e teve apenas uma turma. No ano passado, aumentou para 13 edições.

Entre as recentes alunas está a engenheira civil Michele Ribas, 35 anos, que já praticava montanhismo e aderiu há dois anos ao que chama de ?caça ao tesouro?. Tamanha foi a identificação com o esporte que ela já convidou quatro amigos para participar da aula e conta que o ambiente familiar da orientação é um ponto positivo.

?Estar na natureza é como uma terapia e na orientação você dita o seu próprio ritmo. Já vi até grávidas participando?, comenta ela. O prêmio encontrado no final, segundo ela, ?é conseguir cumprir o percurso com o uso do raciocínio e da corrida?.

Michele ressalta que é comum se perder durante uma prova, mas como as competições são feitas em locais cercados, esses limites servem para localizar quem está desorientado. Apesar de a bússola ser útil, a dica para os iniciantes é prestar atenção e utilizar outras referências existentes, como lagos.

Uma das amigas levadas por Michele foi a arquiteta Elyse Bacila, 48 anos. O primeiro contato com a orientação foi há cerca de um mês e ela já notou diferenças.

?A orientação me fez parar onde estou. Isso tem me feito notar vários detalhes no dia a dia?, confessa. Ela compara que para correr 10 km na rua leva cerca de uma hora e, em um percurso de orientação de cerca de 3 km, completa praticamente na mesma duração. ?Tem pontos que levam até 20 minutos para achar?, conta. O contato com a natureza e o desafio deixam o percurso mais leve. ?Na hora da corrida você fica tão entretido com a passagem de um ponto para outro que até esquece-se do cansaço, dos mosquitos e da roupa molhada?, descreve.

Orientação

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Serviço:

Como praticar: o interessado deve se inscrever nas aulas pelo endereço www.coc.orientaparana.com.br. O custo é de R$ 10 e a carga horária é de cerca de uma hora teórica sobre a simbologia e de uma hora e meia para a atividade prática. O preço médio de inscrição em campeonatos é de R$ 30.

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