
Marcos Paulo, Lucas Mendes, Dênis. Nomes que o torcedor do Coritiba já está se acostumando a ver entre os destaques da equipe profissional. Experiência que os atleticanos viveram com Manoel e Alex Sandro (hoje no Santos), por exemplo, revelados na base do clube. Todos eles, mesmo rivais, têm algo em comum: a formação.
Foi com o técnico Marquinhos Santos que passaram a ser realidade. Depois de cinco anos no Rubro-Negro, ele optou por uma polêmica troca há oito meses, preferindo a filosofia de formar atletas para jogarem no time de cima e não para serem negociados. Trabalho que já começou a dar resultado no Alviverde.
Marquinhos é um sujeito atencioso, simpático. Com 30 anos, aparenta mais, não pela fisionomia, mas pela segurança com a qual exerce a profissão.
O ex-jogador de Santos, Paraná e Malutrom parou cedo, mas não abandonou o futebol. Ser técnico já estava nos planos. "Quando atleta eu encostava nos treinadores e ficava aprendendo a parte tática", conta. Parece que vem dando certo.
No ano passado, além do vice-campeonato da Copa São Paulo pelo Furacão, venceu as duas competições mais importantes do estado na categoria de juniores, uma por cada time. Pelo Atlético, derrotou o Coritiba na Copa Tribuna; pelo Coxa, bateu o Furacão no Paranaense.
No meio de tudo isso, protagonizou a conturbada troca de clube. A razão? "O projeto que o (coordenador de futebol, Felipe) Ximenes apresentou para mim, de transformar a categoria de base em uma das melhores do Brasil". Deixou para trás "uma das melhores estruturas do Mundo", o CT do Caju, definido assim por ele, para um trabalho com menos estrutura e dinheiro "O Atlético até cobriu a oferta do Coxa" , mas com um outro foco.
"O objetivo do Coritiba é formar o jogador como atleta do clube. Eles sentem prazer em jogar pelo Coxa no profissional", diz, entendendo que no Atlético o objetivo é outro: negociação.
"É mais ou menos isso. E os jogadores sentem. No meio do processo eles perdem foco. Todos sonham em jogar na Europa, etc, mas o primeiro sentimento que ele tem de ter é o de vestir a camisa do clube". Em função de um problema familiar, o presidente atleticano, Marcos Malucelli, não pôde comentar a afirmação do ex-treinador.
Enquanto cada clube vive com seus objetivos, Marquinhos tem os dele: "Até os 34 anos, quero comandar um time profissional". Essa, aliás, foi outra razão pela qual deixou o Rubro-Negro. "O que eu tive no Coritiba em oito meses, eu busquei em cinco anos no Atlético. Até mesmo assumir o profissional em um jogo (contra o Cascavel, no Paranaense)". Até lá, entretanto, a promessa é de que o Alviverde colha mais talentos.
"Podem ter certeza, ainda sairão grandes revelações para o futebol mundial. A médio prazo, em até quatro anos, o clube será muito mais valorizado como formador." Marquinhos não quis apontar nomes. É parte da disciplina que ele ensina aos pupilos até mesmo fora de campo.
Oriundo de Santos, o treinador está encantado com o futebol do time paulista, com destaque aos jovens Neymar e Paulo Henrique Ganso. E tira o chapéu para o ex-coxa-branca Dorival Júnior, técnico do Peixe, de quem procura seguir a linha de trabalho: o misto da tática europeia com o talento brasileiro.
Se o Coritiba irá revelar alguém no porte dos astros santistas, Marquinhos não diz. Mas confia no preparo dos jovens já para o desafio da Série B. "O atleta que veste a camisa do Coritiba tem de estar preparado. Independentemente da idade", fala, sabendo que boa parte do futuro do futebol do estado passa ou passou pelas suas mãos.



