Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Atlético

Caminho aberto

Em seu primeiro ano no clube, Ocimar Bolicenho teve de superar desconfiança por ter sido presidente do rival Paraná

“As pessoas não entendem que quando você trabalha dentro de um clube, você deixa de ser torcedor.” - Ocimar Bolicenho, diretor do Atlético | Valterci Santos/ Gazeta do Povo
“As pessoas não entendem que quando você trabalha dentro de um clube, você deixa de ser torcedor.” - Ocimar Bolicenho, diretor do Atlético (Foto: Valterci Santos/ Gazeta do Povo)

Após a primeira temporada completa como gerente de futebol do Atlético, Ocimar Bolice­­nho, pode comemorar aliviado. A boa campanha do time no Brasileiro fez com que dimi­­nuís­­se a desconfiança de al­­guns atleticanos, que não gostavam do fato de o dirigente ter sido presidente do rival Paraná em 1994 e 1995. Em entrevista ex­­clusiva à Gazeta do Povo na sua casa, ele admitiu que não foi fácil o começo de trabalho no Furacão.

"Eu enfrentei muitos dissabores. O que as pessoas não entendem é que quando você trabalha dentro de um clube, você deixa de ser torcedor. Se me perguntarem qual é o meu período de torcedor, eu diria que eu fui do Pinheiros. Já no Paraná eu só fui dirigente, não tinha mais a característica de torcedor", argumenta Bolice­­nho, que se diz magoado com as manifestações raivosas dos atleticanos na internet.

Se existia oposição ao dirigente no Rubro-Negro na sua chegada, em julho de 2009, no Tricolor os ataques não foram menos frequentes. "Quando eu cheguei, estava em um período de eleição no Paraná e o próprio [ex-presidente José Carlos de] Miranda disse que neste período o único que não poderia ser aliado de ninguém era o Ocimar Bolicenho, porque ele tiraria votos", lembra, afirmando já ter superado esse isolamento.

Porém, em apenas um ano no Furacão, Bolicenho se tornou um dos principais alvos do ex-presidente Mario Celso Pe­­traglia, que o atacava principalmente por meio de um site de torcedores para qual o ex-dirigente escreve. "Eu sei que dentro do Atlético deve ter gente que não entende. Mas acho que com o meu trabalho e com a confiança que o Marcos [Ma­­lu­­celli] e o Enio [Fornea] colocaram em mim, nós diminuímos bastante isso. Com a vinda do Valmor [Zimmermann] e do Ademir [Adur], nós tivemos um entrosamento sensacional e isso com certeza apagou toda e qualquer coisa que pudesse ter lá atrás de restrição às minhas origens ou até a minha própria formação", fala o gerente de futebol.

Formação que começou na arquibancada, como torcedor do Pinheiros. Até que, em 1985, o dirigente começou a trabalhar no clube e, em 1987, conquistou o primeiro título estadual. "Até hoje é uma coisa que me emociona muito, porque houve muita corrupção naquele jogo, porque o resultado interessava ao próprio Atlético. O juiz roubou tanto que ele deu um pênalti a favor do Cascavel que a própria torcida do time da casa pe­­diu para o jogador chutar para fora. Ele chutou e o Pi­­nhei­­ros foi campeão", recorda.

Depois, Bolicenho participou da fusão que criou o Tri­­co­­lor, da formação do time de 1991 – que ele diz acreditar ser a me­­lhor equipe da história pa­­ra­­nista –, e da presidência com apenas 35 anos. "Eu era o presidente mais jovem do Brasil e não recomendaria a nin­­guém ser tão novo assim porque efetivamente atrapalhava muito a vida pessoal e profissional", con­­ta. "Eu fiquei praticamente cinco anos depois para recuperar o meu tempo perdido profissionalmente. Tive muitas dificuldades profissionais, pessoais e financeiras", assume.

Até que, no ano 2000, Bolicenho voltou ao Pa­­raná como profissional do futebol, quan­­­­do efetivamente começou a carreira. No en­­tanto, dois anos depois ocorreu a despedida do Tri­­color. "Em 2002, o Paraná teve uma campanha mui­­to sofrida, nós ficamos rebaixados para a Segunda Di­­visão até os 28 minutos do segundo tempo do último jogo contra o Figuei­­rense, em Flo­­rianópolis. Aquele ano foi de um desgaste muito grande. Após aquela partida, declarei que o meu ciclo havia se encerrado e efetivamente nunca mais voltei a trabalhar no Paraná", disse o dirigente, colocando a culpa pela atual situação paranista na mudança do estatuto de 2003 e nas pessoas que administraram o clube desde então.

Bolicenho retornou ao futebol em 2008, no Joinville, passando depois pelo Marília e pe­­lo Santos, onde ganhou uma ca­­misa autografada pelo Pelé (fo­­to), o que considera um dos maio­­res dos muitos troféus que tem em casa. Agora no Fu­­racão ele pretende ajudar ao clube a conquistar os títulos do Pa­­ranaense de 2011 e da Co­­pa do Brasil ou da Co­­pa Sul-Ame­­ri­­cana.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.