
México e Itália recorrem a um contingente caseiro na Copa das Confederações. Dos 46 convocados pelas duas seleções que estreiam hoje, às 16 horas, no Maracanã, 86% atuam nos gramados dos seus próprios países, restando apenas seis forasteiros nos elencos.
Na Azzurra, o "estrangeiro" é o goleiro reserva Sirigu, do Paris Saint-Germain. No México, dos 23 chamados por José Manuel de la Torre, quatro jogam na Espanha e o atacante Javier Hernández defende o Manchester United.
Além da intimidade territorial, as seleções incorporam a sintonia clubística dos atletas. O êxito italiano nas Eliminatórias europeias, onde figura em primeiro no Grupo B, contou muito com o entrosamento da retaguarda inteira da Juventus. A bicampeã italiana empresta Bufon, Barazagli, Bonucci e Chiellini ao time nacional.
As duas últimas atuações, porém, devem forçar mudanças na Azzurra. O técnico Cesare Prandelli não gostou do desempenho nos empates com a República Tcheca (0 a 0), pelas Eliminatórias, e no amistoso contra o Haiti (2 a 2) e pode usar um esquema inédito, mandando o atacante El Shaarawy para o banco. Giaccherini e Aquilani concorrem para substituí-lo.
Alterações também podem surgir no México, abastecido principalmente por América e Monterrey, com cada time cedendo quatro jogadores. A participação dos atletas Made in México contou, no último compromisso, com o acréscimo de Aquino (Villarreal), Moreno (Espanyo), Guardado (Valencia), G. dos Santos (Mallorca) e Hernández (Manchester).
Eles não impediram, contudo, um tropeço contra a Costa Rica. O 0 a 0 fez a equipe sair vaiada no Estádio Azteca e deixou a classificação à Copa de 2014 ameaçada. Com um jogo a mais em relação aos seus adversários, o time ocupa a terceira colocação nas Eliminatórias da Concacaf, com oito pontos. Os EUA lideram com dez pontos.
"Nos caiu muito bem vir para este torneio porque vamos jogar contra algumas das melhores seleções do mundo e poderemos mostrar que estamos prontos", disse Chicharito.
"Aspiramos a coisas importantes. Temos de deixar a pressão de lado e procurar fazer uma boa Copa das Confederações", disse o volante Torrado, 34, remanescente do time que venceu o Brasil na final do torneio em em 99.
Depois da final, com 30.685 ingressos vendidos, o duelo México x Itália é o que teve mais tíquetes negociados: 27.544.
Personagem
Aos 34, Pirlo atrai atenção de mexicanos
O discreto Andrea Pirlo não passa despercebido. Principal engrenagem da Itália, o jogador de 34 anos completa contra o México 100 jogos com a camisa da Azzurra. Tão importante é o maestro italiano que o técnico mexicano De La Torre disse na coletiva de ontem, no Maracanã, que tentar anular o meia talvez seja a melhor estratégia da sua equipe vencer na estreia desta tarde.
"É um jogador fundamental, que faz todo o time italiano funcionar e pode nos causar problemas", disse o treinador, pressionado por não ver o México vencer há mais de um mês.
"É uma honra um técnico de outra equipe me considerar um jogador importante. Mas, felizmente, não jogo sozinho. Tenho outros jogadores comigo e vamos encontrar uma solução [para a marcação]",declarou Pirlo.
Apesar de ser econômico nas palavras, ele demonstrou sua satisfação em com a marca a ser alcançada hoje. "Tenho muita sorte de estar aqui. Espero poder comemorar em campo", afirmou.
O meia defende a seleção italiana há 11 anos. No tetracampeonato de 2006, foi eleito o terceiro melhor jogador da Copa do Mundo, sendo superado apenas pelo francês Zidane, e pelo companheiro de equipe Cannavaro. O capitão italiano na Alemanha liderou o grupo no qual Pirlo está prestes a ingressar. Cannavaro é o líder em jogos pela Azzurra, com 136, seguido por Buffon, com 128, Paolo Maldini, com 126, e Dino Zoffi, com 112.
Com a Itália líder do seu grupo nas Eliminatórias europeias, Pirlo programa voltar ao Brasil no ano que vem, quando deve encerrar sua vitoriosa passagem pela seleção.



