Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
discriminação

Caso de racismo faz técnico pedir demissão

Agenor Picinin deixa o Toledo após torcedores ofenderem o zagueiro e capitão Glauco, na derrota para o Paranavaí

Glauco (à direita), vítima de racismo: diretoria recuou na investigação do caso após prometer até instalar câmeras no estádio | Mauro Bianchi/Divulgação
Glauco (à direita), vítima de racismo: diretoria recuou na investigação do caso após prometer até instalar câmeras no estádio (Foto: Mauro Bianchi/Divulgação)

Um ato de racismo contra o za­­gueiro e capitão do Toledo, Glau­­co, que partiu do próprio torcedor do Porco, levou o técnico Agenor Picinin a pedir demissão do cargo no começo da semana. Na derrota do seu time para o Pa­­ranavaí, por 3 a 1 (domingo, no 14 de dezembro), o atleta do time da casa teria sido chamado de "macaco e preto fdp". Os gritos vieram das cadeiras numeradas e foram seguidos pela pergunta: "Quer banana, quer banana?".

"Em protesto pela falta de respeito ao profissional Agenor e ao Glauco, pedi demissão em caráter irrevogável", afirmou o ex-técnico do Toledo, Agenor Pici­­nin.

A agressão verbal teria ocorrido logo após a paralisação para o tempo técnico, na primeira etapa, quando o Toledo já perdia por 1 a 0. Indignado ao ouvir as pa­­lavras racistas, Glauco revidou com gestos obscenos, o que dei­xou a torcida irritada. No meio da gritaria, quem começou as ofensas saiu de fininho.

"Foi um cara no primeiro ou se­­gundo degrau da escada. Quan­do ele viu que tinha feito a coisa errada, vazou. Se tivesse uma câmera, aí poderia até ter feito alguma coisa. O cara que chamou ele de macaco sabe quem foi, mas nós não sabemos mais", completou Agenor.

O caso teve desdobramento no começo da semana, quando o presidente do clube, Irno Picinini – primo do ex-técnico –, foi a uma rádio da cidade para pedir mais respeito do torcedor e avisar que colocará seguranças para evitar novos acontecimentos. Via assessoria de imprensa, o di­­rigente também disse que "a di­­­retoria está à procura de duas testemunhas que ouviram as pa­­lavras de cunho racial para to­­mar as providências cabíveis de forma jurídica". Ontem, porém, o discurso mudou.

"Foi coisa pequena, não va­­mos falar mais nada disso aí. O Glauco está tranquilo, voltando a trabalhar hoje (ontem). Coi­­sinha simples de piá, de moleque", afirmou por telefone à Ga­­zeta. "Ontem (terça-feira) dei en­­­trevista em uma rádio pe­­din­­do para não acontecer mais. Mas vai monitorar o estádio? Não te­­mos estrutura para isso hoje."

No dia do jogo o monitoramento acabou ficando por conta da própria esposa de Glauco, que ouviu o xingamento e foi chamar os policiais de plantão no estádio: não foi atendida.

"Não culpo a polícia. Eles estavam do outro lado e tinham de se preocupar com a organizada. Só que foi o pessoal da nu­­me­­rada. Foi aquele torcedor de amendoim (corneteiros)", disse Glauco, que só foi sair de casa ontem, para a apresentação de Rogério Perrô, o novo treinador do Toledo. "Es­­tou chateado e ma­­goado. Nem consigo direito falar sobre isso."

A procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) começou a investigar o caso. De acordo com o novo Código Bra­­sileiro de Justiça Desportiva, que entrou em vigor no começo do ano, caso haja a denúncia e condenação máxima, o Toledo po­­derá perder dez mandos de campo e ser multado em R$ 100 mil.

"Vamos investigar esse caso", afirmou o procurador-geral do TJD-PR, Ramon de Medeiros No­­gueira.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.